Comunicação Design Tecnologia
30 de agosto de 2010 por pontoeletronico

FILE 2010

Aconteceu entre 27 de julho a 29 de agosto desse ano, a 11a edição do FILE – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, no Centro Cultural FIESP.

Eu, como boa brasileira, estive lá no último dia do evento, vulgo ontem, para passar a percepção de Trends a vocês. Meu histórico de FILE foi apenas uma visita da exposição em Porto Alegre, em 2009, no Santander Cultural. O Festival na época já tinha me surpreendido pelo subject, mas nem tanto pelas obras. Mesmo assim, desde lá, acompanho o evento pelo seu valor na disseminação do que pode ser a nova linguagem tecnológica, principalmente para os que não têm tanto acesso.

A minha visão sobre o evento pouco mudou.

O espaço acessível e free, distribuiu harmonicamente todas as instalações dos artistas do Festival. Era um ambiente amplo e experimental, onde nos sentíamos crianças com novas descobertas. A cada passo, um experimento era revelado. Porém, poucas manifestações eram interativas. O experimento era mesmo entre o artista e sua obra apresentada. A frase que mais se escutava era “então, era interativo, mas não deu certo”. Hora porque a agulha de um vinil foi roubada, hora porque deram muita liberdade ao espectador e ele não soube brincar. Me questiono o que falta no brasileiro para ele aproveitar essas oportunidades de maneira saudável, educação?

Além do Centro Cultural FIESP, com exposições, performances, maquinemas, games, vídeos, palestras e workshops; o FILE também organizou, nessa edição, dois projetos inéditos: o FILE PAI, projeto de arte pública digital que ocupou vários espaços da Avenida Paulista com obras de arte interativas, e o FILE PRIX LUX, prêmio internacional destinado a profissionais na área das linguagens eletrônico-digitais.

Participaram, esse ano, cerca de 300 artistas – entre grupos, coletivos e trabalhos individuais – de mais de 30 nacionalidades, com produções em várias áreas da cultura digital.

Como era proibido tirar fotos da exposição, surrupiei umas do site oficial e conto para vocês as obras que achei mais interessantes. Curiosamente, a maioria é do Brasil, veja só. Fato que me dá esperança para as próximas. Acredito na força do evento e no seu papel como educador. E também acredito no potencial dos artistas e em seus experimentos. Mas, infelizmente, ainda percebo que o FILE é mais interessante no papel, na ideia, do que em sua execução. Basicamente um resumo das inovações dos dias de hoje, right?

Confere aí meus top 4 dessa edição:

“Marvim Gainsbug”
by Jeraman & Filipe Calegario [Brasil]
Software que atua baseado no Twitter, programado com o objetivo de compor e executar canções com letra e música em real-time. Os tweets se transformavam em versos que eram interpretados por esse tal de “Marvim”, um rôbo. A melodia, a harmonia e o ritmo eram diretamente influenciados pelas palavras dos versos (tweets). O visitante, no caso eu, dizia no microfone lá instalado a temática da sua canção e todo o resto se programava, em um clima “karaokê cibernético”.

“2x (power of two)”
by Jorge Luiz Crowe [Argentina]
Instalação audiovisual reativa, uma máquina DJ/VJ feita com material descartado (scanner, caixas de som de PC e painel de LCD de um velho laptop), explorando as relações entre números, imagem e som. Enquanto uma caixa de som emitia  a batida em um dado momento, qualquer uma das outras caixas de som aumentava esse número para a potência seguinte, e, simultaneamente, uma imagem era projetada, mostrando padrões geométricos que mudavam conforme o som. A pele em contato com a interface que determinava a velocidade das batidas, tornando cada visitante da instalação um DJ de final de semana.


“Reler”
by Raquel Kogan [Brasil]
Pra mim uma das melhores: uma revitalização das bibliotecas nos dias de hoje. A instalação consistia em uma prateleira de madeira com 50 livros iguais uns aos outros, com mesma cor e tamanho, identificados por um número dourado na lombada. Mas diferente de um livro normal,  ao tirar da prateleira e abrir o livro, víamos que esses tinham um dispositivo interno que contava a história, fazendo do espaço de leitura, um ambiente para ser ouvido.

“FeelMe”
By Ricardo Barreto, Maria Hsu & Amudi [Brasil]
O projeto provoca a exploração do sentido do tato ao promover a interação entre duas pessoas, mediada pela máquina. A obra trazia duas camas, onde a primeira imprimia marcas a sua superfície ao ser pressionada com o peso e o movimento do participante e a segunda recebia simultaneamente, nas mesmas posições e intensidades, os estímulos. O mais bacana que é uma plataforma de comunicação tátil à distância, imagina a utilidade disso pros casais que moram longe, rapaz!

Mais aqui: http://www.file.org.br/

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