Comportamento Nada a Ver Ponto e Vírgula
25 de maio de 2011 por marimessias

The King is dead. Long live the King.

A Wired, que parece ter se especializado em atestados de óbito, lança mais um no texto Wake Up, Geek Culture. Time to Die. A idéia é cliché, ainda que terminologia seja ampla (nerd, geek, friki, seja como quiser chamar). Tem um texto da Time de 2005 que já dizia isso.:

There was a time–yes, my children, the legends are true–when J.R.R. Tolkien was not cool. Really. Very much not cool. Also video games, and Spider-Man, and the X-Men.

A grande diferença está na perspectiva. Enquanto em 2005 a galera ainda achava genial estar saindo do gueto, agora aqueles que se consideram reais guardiões do templo sagrado da nerdice pensam que todo o potencial de criação instantânea de nerds disponibilizado pela internet pode facilitar a entrada na seita de pessoas que não se interessem, de fato, pelas coisas. Só pelo status proporcionado por elas.

E o Patton Oswald, autor do texto, vai mais longe:

Here’s the danger: That creates weak otakus. Etewaf  (*Everything That Ever Was-Available Forever) doesn’t produce a new generation of artists—just an army of sated consumers. Why create anything new when there’s a mountain of freshly excavated pop culture to recut, repurpose, and manipulate on your iMovie? The Shining can be remade into a comedy trailer. Both movie versions of the Joker can be sent to battle each another. The Dude is in The Matrix.

A grande angústia dos nerds deixou de ser reconhecimento da sua awesomeness, mas o surgimento de uma cultura vazia. Como uma cidade fantasma.

Mas a minha grande angústia é pensar que alguém pode se considerar nerd e não ver processo criativo/artístico e nerd em mashups.

Tudo se adapta, feito diria Umberto Eco:

It’s true that kids will write more and more on computers and cellphones. Nonetheless, humanity has learned to rediscover as sports and aesthetic pleasures many things that civilisation had eliminated as unnecessary.

Claro, a cultura de massas tem feito o pior dessa idéia, do que é ser geek. Coisas como Big Bang Theory me fazem querer virar franciscana na Terra Média. Mas,  como eu acho que ser nerd é um movimento individual e diz respeito a gostar de conhecimento, ser viciado em compreender e se aprofundar em coisas de maneira desinteressante aos demais. Não vejo panorama letal algum. Nem vejo massificação absoluta.

Se em alguns sentidos (pros lados) os nerds fazem o mundo girar e isso faz com que pareçam mais populosos e dominantes, em outros é a falta de noção de que conhecimento é para poucos escolhidos que faz com que, em algum momento do caminho, essa galera de cabelo ruim tenha perdido a vergonha de dizer que era quem era.

Agora, se pensarmos que nerds são necessariamente párias sociais, criados a Ovomaltine e cultura pop dos anos 80, a morte é inegável.

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