Comportamento
11 de junho de 2011 por marimessias

Jovem está menos individualista

Pesquisa com pessoas de 18 a 24 anos mostra que satisfação pessoal está vinculada a bem estar coletivo

Sonhador, consumista, responsável, batalhador e comunicativo. Em cinco adjetivos, é assim que os jovens, hoje, se autodefinem. E mais: em contraposição às representações individualistas associadas às gerações dos anos 80 e 90 – focadas na busca por sucesso profissional e retorno financeiro -, a necessidade de respeito e valorização do coletivo cresce na geração atual.

Esse é o cenário apresentado pela pesquisa O Sonho Brasileiro, realizada – em parceria com o Datafolha – com mais de 1,5 mil jovens na faixa etária entre 18 a 24 anos, cujos resultados começaram a ser divulgados ontem pela empresa Box 1824, especialista no mapeamento de comportamento. Chamou a atenção o fato de que 50% dos jovens estão mais conectados a discursos coletivos do que individualistas (veja quadro) .

“O estudo teve como objetivo identificar os elementos em comum dos sonhos individuais e coletivos desse público, e delinear os impactos e perspectivas de suas ações”, diz o sociólogo Gabriel Milanez, um dos responsáveis pelo levantamento. O especialista avalia como um dos pontos de destaque da pesquisa “o orgulho de ser brasileiro” apontado pela maioria dos entrevistados. “Trata-se de uma geração mais otimista, mas pragmática”, diz.

Nesse aspecto, ele lembra que a atual geração cresceu num País economicamente estável, sem sofrer um golpe militar ou ouvir que o Brasil é um País subdesenvolvido.

Com relação ao engajamento nas causas sociais, 70% dos jovens entre 18 e 24 anos entrevistados alegam ter vontade de participar de projetos comunitários, sobretudo nas áreas de Cultura/Arte e Meio Ambiente. Outro dado significativo: 77% dos entrevistados acreditam que o seu bem-estar depende do bem-estar da sociedade.

“Há uma mudança de foco do jovem na forma de fazer a transformação social”, destaca o sociólogo Gabriel Milanez. “Em gerações anteriores, acreditava-se que essa mudança deveria ocorrer, apenas, a partir da política, em uma revolução, de uma maneira mais ampla. Hoje, para a atual geração, tudo tem reflexo e pode levar à transformação, como a cultura e o meio ambiente”, acrescenta. O pesquisador cita, como marca dos jovens dos anos 2000, a interdependência entre o coletivo e o individual.

Vontade de ser útil

É exatamente esse o perfil do estudante universitário João Damasio da Silva Neto, de 20 anos, que, desde os 14, está envolvido com a causa ambiental. Para completar, nos últimos dias, assumiu também o compromisso de participar de uma chapa na disputa pelo Centro Acadêmico (C.A.) na faculdade em que cursa Jornalismo.

“Acho que é uma vontade natural de ser útil, de ocupar um espaço que acredito ser muito importante”, diz o jovem, atestando que, em sua vida, não costuma separar o individual do coletivo: “Há, sim, como aliar as duas coisas; elas estão relacionadas”.

Segundo João, atuar, engajar-se, fica muito mais fácil com a internet, presente de forma incisiva na atual geração. “A internet é o instrumento básico. Essa mobilidade, cotidiana, na minha opinião, tem muito de responsável nesse contexto”, pondera.

Liliana Alves dos Santos, de 19 anos, que diz atuar “de forma independente” pela cultura em Goiás, participa praticamente de todas as manifestações realizadas na área, como o movimento pela ativação do Centro Cultural Oscar Niemeyer. Ela concorda que a internet é uma grande aliada. “É instantâneo, imediato. Não tem desculpa para não ficar sabendo do que acontece ao seu redor e agir”, sustenta a jovem, vestibulanda de Artes Cênicas. Os resultados da pesquisa O Sonho Brasileiro estará disponível a partir do próximo dia 20, no site www.osonhobrasileiro.com.br .

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