Comportamento Nada a Ver Ponto e Vírgula
20 de junho de 2011 por marimessias

Progredir

Tem algo de quase mecânico no termo marcha que poderíamos ver com olhares desconfiados: marchar por liberdade não seria uma contradição nos seus próprios termos? Usar um conceito militar que remete a simetria estética é o que muita gente fala sobre essas manifestações.

Como se os participantes estivessem lá por prezarem, acima de tudo, um sentimento estético do que uma ação real.

Mas o Aurélio diz que marchar também pode significar progredir, ir em frente.

Partindo disso, admito que vejo a aprovação unânime do STF como um progresso. E acredito que ele é fruto do acordo feito por uma parcela significativa da população, não só por quem saiu nas ruas marchando, de que debater e expor convicções não é, em si, um ato ruim ou inútil.

Agora quando fui pra SP, cheguei exatamente no dia da Marcha pela Liberdade. E, no meio daquele monte de gente, o que eu vi foi uma inquietação que não é brasileira nem paulista. É uma inquietação universal, que parece ter atingido seu ponto alto agora, no momento que estamos vivendo.

Como diz no manifesto pela Democracia Real:

Eu acredito que posso mudar as coisas. Eu acredito que posso ajudar. Eu sei que juntos nós podemos.

Ou na resposta do Anonymous para a OTAN:

Nós não desejamos ameaçar o jeito de viver de ninguém. Nós não desejamos ditar nada a ninguém. Nós não desejamos aterrorizar qualquer nação.

Nós apenas queremos tirar o poder investido e dá-lo de volta ao povo – que, em uma democracia, nunca deveria ter perdido isso, em primeiro lugar.

Ou como diz o pessoal da própria Marcha da Liberdade:

Não somos uma organização. Não somos um partido. Não somos virtuais. Somos uma rede. Somos REAIS. Conectados, abertos, interdependentes, uma mistura de carne e digital.

Essa mistura de online e offline não vem só redefinindo as políticas mundiais. Ela também tem redefinido a forma como pensamos sobre esses assuntos.

A sociológa Zeynep Tufecki fala dessa mistura e do poder disseminador das novas mídias no seu texto Twitter and the Anti-Playstation Effect on War Coverage. Pra ela, a grande diferença está no tom, muito mais do que na capacidade de poder interagir. Além disso, ela fala, que as pessoas confiam mais em conteúdos não curados por empresas (como canais de TV) e sim por especialistas, pessoas envolvidas, de fato, nos processos.

E partindo desses conceitos que o cineasta egípcio Amr Salama está criando Tahrir Square: The Good, The Bad, The PoliticianSalama resolveu transformar seu documentário sobre a revolução egípcia em um projeto colaborativo. Junto das entrevistas, feitas por ele, com pessoas que trabalharam próximas de Mubarak, ele convidou os próprios manifestantes a mandarem seus registros em vídeo ou foto.

The role of social media is to get everyone to know that we all share the same problems, we all share the same needs, we’re all asking for the same rights

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