Ponto e Vírgula
19 de julho de 2011 por marimessias

Personagens Badass

Seguindo o exemplo do Vinícius, com os documentários peculiares, agora agrupamos 3 grandes personagens de ficção  que são badass bagarai.

Aceitamos mais sugestões. Quem sabe personagens mulheres fodonas, prum próximo post. Aceitamos tudo, menos gente reclamando de adaptação. Isso é chato.

Heathcliff (Wuthering Heights)

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Heathcliff é a prova de que badass que é badass não tem primeiro nome. Quando criança ele chega a morar na rua, até ser adotado pelo Sr. Earnshaw, que o leva para morar com a galera em Wuthering Heights. Lá ele conhece Catherine, filha do Sr. Earnshaw e, portanto, sua irmã adotiva. Com ela desenvolve uma afetividade incestuosa, brutal, selvagem e BDSM, segundo palavras de alguns teóricos.

Paglia chama atenção pra um lance relevante: “A natureza está por trás do romance, mas é a natureza como violenta força masculina, não como fertilidade e renovação.”

Nada mais badass que ser uma força da natureza. Já diria Zeus.

Ao longo do romance Heathcliff continua se dando mal. Seu novo pai morre, ele passa a ser chineliado cotidianamente e eventualmente vê seu broto se engraçando para cima de um rapaz refinado e frágil, Linton, filho dos riquinhos que moram pela banda.

Com o anúncio do noivado de ambos, Heath vaza e volta adulto, rico e ainda mais badass. Decidindo dedicar o resto da vida a desgraçar quem o desgraçou. E conseguindo, claro.

De toda forma, é  como diria Monty Python: you come from nothing, you’re going back to nothing. What have you lost? NOTHING.

Ouvi dizer que esse livro é citado no Crepúsculo, aquele lance de vampiros-fadas. Parece que isso aumentou muito as vendas do livro e tudo mais. A ironia é que o Edward certamente seria um Linton (e dos mais chatos).

Emily Bronte, a autora do lindíssimo Wuthering Heights, é irmã da Charlotte (e da Anna e do irmão sem nome), que publicou Jane Eyre no mesmo ano do livro da irmã. Nos dois livros o mocinho é puro transtorno e selvageria. Não sei o que fizeram com elas quando elas eram crianças, mas deu certo.

O grande e lindo Rick Geary adaptou Wuthering Heights pra quadrinhos. Pra cinema tem mil e douze adaptações. A favorita do meu amigo edmarks é a do Buñuel, que da pra ver um pedaço ali em cima e chama “Abismos de paixão”. Não vi, mas acho pouco aconselhável aos sensíveis, ja que é um combo de badass.

Além disso, a formosa da Kate Beaton sempre faz referenciazinhas lindas sobre. Abaixo ela falando sobre as irmãs Bronte.

Odisseus

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Ao que tudo indica Odisseus, ou Ulisses, era o cara mais pop do mundo clássico. O badass helênico aparece em inúmeros bestsellers da antiguidade. Os mais óbvio, Ilíada e Odisséia, do Homero. Mas também Ifigênia em Aulis, do Eurípedezinho, e Eneida, do Virgílio. E outros que eu desconheço.

Quem, como eu, se depara primeiro com o Odisseus da Odisséia, sequer imagina o cretino que ele pode ser. Digo, isso levando em consideração que na Odiséia ele fica 10 anos fornicando e desgraçando a mitologia, enquanto tenta chegar em casa.

De toda forma, o correto seria ler Ilíada primeiro e depois Odisséia, já que a ordem dos fatos é esta. Ou ainda: Ifigênia em Aulis, Ilíada e depois Odisséia. Eneida nem precisa ler, é chato. Coisa de romano.

Enfim, seguindo, os gregos tinham uma coisa muito legal que eu venho tentando, inutilmente, trazer de volta: usar subtítulos. Ulisses era praticamente o MacGyver de sua época, conhecido por sua esperteza, costumava ser chamado “o de muitos ardis” ou “the cunning” ou, enfim, depende do tradutor. Eu chamo de malandro.

Odisseus, o malandro, era rei de Ithaca, casado com Penélope, pai do Telêmaco e possuidor de um cão muito querido. Ocorre que, por ser malandro, fazia guerra. E assim foi parar em Tróia. Não contra sua vontade, ja que a idéia foi dele.

De toda forma, em Tróia ele foi proteger a honra de Menelau, o maconheiro, e pegar Helena, a gata, de volta. Sobre Menelau convém dizer que era o rei de Esparta, casado com a Helena.

Sobre a Helena convém dizer que era a mulher mais gata do mundo.

Não me aprofundarei, porém é válido notar que Odisseus tentou e, ainda que quem tenha levado tenha sido o Menelau, é graças a uma idéia malandra do viajante que todo mundo foi parar em Tróia. Ele criou um tipo de sociedade de defesa de Helena, formada por todos seus antigos pretendentes. É, feito Scott Pilgrim.

De toda forma, nessa guerra que durou DEZ ANOS, também foi Odisseus quem teve a idéia do conhecido “presente de grego”, o “cavalo de Tróia”, malandro que era.

Depois de ter vencido e sobrevivido, acaba a Ilíada e começa a Odisséia. Mais dez anos dando banda por aí, odiado por Poseidon, deus do mar, e, como tal, proibido de achar o caminho de casa.

OK, a viagem dura DEZ ANOS, mas sete deles Odisseus, o malandro, passa sendo “forçado” a ser amante da Calipso, a ninfa e gata.

Quando finalmente chega em casa ainda tem que botar ordem na bagaça e matar todos os homens que tentavam pegar a Penélope e tomar seu trono. Seu filho já está adulto, seus amigos estão velhos.

E isso me lembra Louis CK  falando das pessoas que reclamam quando o vôo atrasa uma hora.

Por fim, eis a prova derradeira de que todo badass, no fundo, tem um coração doce. Quando Odisseus chega na ilha, maltrapilho sujo e todo errado, o único que o reconhece e não acha que ele é um mendigo é o cão. E assim que o reconhece, morre.

A Ilíada teve aquela adaptação com Brad Pitt que é de chorar no cantinho. A Odisséia não teve destino muito melhor, com um telefilme dos mais medonhos que tem um trecho lá em cima. Por outro lado, sugestão de presente, tem a belíssima adaptação do Rodrigo Rosa pra Ilíada e a potencialmente genial adaptação do Johnny Ryan. Além, claro, da releitura do James Joyce, Ulisses. Essa também tem uma versão trimassa em quadrinhos, que chegou a ser proibida pela Apple por ser pornográfica, mas agora tá disponível pra iPad e na web.

Bilbo (O Hobbit ou Lá e de Volta Outra Vez)

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Lançado em 1937, o Hobbit continua sendo o melhor retrato do potencial presente em pessoas pequenas e de vida mansa. É, Game of Thrones tenta, mas é muito fácil abrir mão de tudo quando não se mora no Shire.

Bilbo é um hobbit, uma criatura pequena, de pés peludos e bon vivant. Olha, se tu não sabe o que é um hobbit, se informe. Ele vive pacificamente no Shire, fumando sua erva, comendo, tendo uma casinha linda e uns amigos metidos. Até que o Gandalf convida ele para fazer parte de uma aventura para recuperar um tesouro dos anões.

Durante a aventura Bilbo comprova a máxima de que nos menores frascos estão os melhores perfumes e enfrenta orcs, recantos sombrios e UM DRAGÃO.

No caminho, claro, ele encontra um anel. Que é muito útil, até, mas maligno. E a história tu deve conhecer, dos filmes.

Agora veja. Tu, com tua estatura mediana, fica aí de mimimi pela vida enquanto o Bilbo vai lá e enfrenta um monstro muito maior que ele e que os teus probleminhas. Que papelão, ein.

Pra provar que mudando o ângulo mudamos tudo, Bilbo mata o dragão, ganha uma grana, fama e um anel. Quase como os meninos do TDUL.

De toda forma, O Hobbit é considerado um livro infantil, pelo pessoal que se acha super maduro mundo afora.

Mas aí é como disse o Cortazar:

Sempre serei uma criança para muitas coisas, mas dessas crianças que trazem em si o adulto desde o princípio, de maneira que quando o monstrinho vira realmente adulto acontece que este por sua vez traz em si a criança, e nel mezzo del camin se dá uma coexistêcia poucas vezes pacífica de ao menos duas aberturas para o mundo.

Olha, esse é o meu livro favorito do Tolkien e infantis são vocês.

Adaptação em quadrinho eu não sei se tem, mas os próprios livros vem com lindas ilustrações (e tão sempre em promoção no Submarino). E pra cinema, além da Trilogia do Anel (that’s what she said) que é linda, o Peter Jackson ta fazendo O Hobbit. E vai ser muito foda. E quem quiser falar mal do filme, vá fazer isso com seus amigos maduros, de altura mediana e cheios de mimimi, que eu nem estou ouvindo.

Além disso, referência hobbits podem ser encontradas em casas, no Balconista 2 e no coração de toda pessoa pequena, amante da vida e sedenta por aventuras.

6 comentários para Personagens Badass

  1. nico disse:

    Texto foda, foda, foda, Messias! Ficou incrível! Parabéns.

    Complementaria esta lista com o fodástico nerd, gordo, latino e sofredor de todos os tipos de bullying e maldições de nosso mundo, Oscar Wao. Ele merece ser considerado um badass. E dos grandes.

    Também tinha pensado no pai (ou homem) de “A Estrada”, do Cormac McCarthy. Badass até não poder mais, mostrando que Mad Max é e sempre foi um frangote. Ah, e que foi muito bem representado pelo gênio-mor Viggo Mortensen no filme homônimo.

    E, pra fechar, Ahab, de “Moby Dick”. Esse não precisa descrever muito. Mas qualquer badass tirânico que surgiu no cinema ou em qualquer outro meio artístico após esse livro sem dúvidas nenhuma foi inspirado pelo capitão da Pequod.

    • nico disse:

      Me esqueci do Jonathan Strange, de “Jonathan Strange e Mr. Norrell”, que põe qualquer bruxo – e livro sobre isso – no chinelo. Exemplo de cojones e dedicação que não serão vistos em nenhum bruxo interpretado por Daniel Radcliffe.

    • marimessias disse:

      Bah, belíssimas sugestões. Acredita que eu ia escrever um quarto e era o Waozinho querido? Ahahahaha. Agora fica obrigação, né. Não li a Estrada, mas Ahab ftw. Inclusive tenho versão em HQ pra sugerir, tb. hahahaha
      Beijs

  2. Desirée disse:

    Foda é apelido. Acho que tu deveria escrever uma enciclopédia sobre o assunto.

  3. marimessias disse:

    <3

  4. Lena disse:

    quero conhecer melhor o primeiro badass, Heathcliff, para provavelmente passar alguns anos nutrindo amor platônico por ele. Tem alguma boa tradução em português do livro para indicar? ;)
    unicórnio power este post. compartilharei em segundos.
    arriba, messias!

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