Tecnologia
04 de agosto de 2011 por marimessias

I’ve Got My Mojo Working

Mês passado nós postamos aqui uma análise do Economist sobre os ciclos do jornalismo. Segundo eles, tendo partido de algo orgânico, diretamente relacionado com as pessoas e seu meio, o mercado de notícias se tornou algo mecânico, realizado de maneira rápida e eficaz. O lado negativo foi que a tecnologia da impressão também deixou a informação na mão de poucos, tirando as qualidades essencialmente vibrantes e pessoais de transmitir uma idéia. Para o Economist, porém, o novo ciclo tecnológico pelo qual o jornalismo passa faz com que, ironicamente, ele volte de maneira progressiva a seus moldes iniciais, diretamente baseados em pessoas.

Prova disso é que aqui estamos nós, reunidos em torno de um blog. Outra prova disso é a suspensão, no Brasil, da obrigatoriedade de diploma para jornalistas com base no direito constitucional de liberdade de expressão. E aqui estamos nós nos expressando.

Por outro lado, esse desenvolvimento orgânico do jornalismo deixou de lado milhares de possíveis inovações em formato. É como dizia o Juvenal, mens sana in corpore sano.

Quando pegamos as idéias mais inovadoras desse meio social, como Wikileaks, Anonymous e Hacks/Hackers notamos que elas tem bem menos inovação em forma, que em conteúdo.

Pensando exatamente assim, Mozilla Knight Foundation se uniram no começo do ano pra criar o Knight-Mozilla News Technology Partnership, aka, MoJo. A idéia da iniciativa é, ao longo de três anos, desenvolver idéias inovadoras para o jornalismo. E, sabendo que esse meio não se restringe a uma área profissional, as idéias podiam vir tanto de programadores, quanto de jornalistas, desenvolvedores ou de qualquer um que tivesse interesse no assunto.

O projeto já está finalizando sua segunda fase, onde os cerca de 60 participantes que apresentaram as melhores idéias na fase inicial participaram de laboratórios de ensino durante 4 semanas. Até sexta-feira  cada um terá que apresentar uma proposta de software jornalístico mais adequada ao mundo atual. E só 15 irão para a próxima fase, em Berlim.

O grande prêmio dessa maratona é o estágio de um ano em uma das grandes agências de notícia do mundo: Al Jazeera, BBC,  Guardian, Boston.com e Zeit Online.

Mas o mais legal disso tudo é que o NiemanJournalismLab dividiu os quatro maiores aprendizados que eles tiraram dessas palestras com especialistas sobre o futuro do jornalismo, apresentados em uma comparação aos conceitos de open source.

1. Open source é transparência, jornalismo não. A idéia é tornar o processo jornalístico mais aberto e, quiça, colaborativo.

2. Open Source é iteração. Iteração, na programação, é um processo de repetição até que se chegue em uma resposta. Aqui a grande lição é saber errar. Como diria o Beckett: Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.

3.Open Source é baseado em princípios. Jornalismo também. Ainda que sejam frutos de ambientes diferentes e que nem sempre tenham os mesmos tipos de princípio, o que rege os dois é essencialmente a mesma coisa: o interesse público.

4. Open Source é flexível, livre e colaborativo. Jornalismo é caro e corporativo. Ainda que aqui não existe uma saída clara, os especialistas acreditam que um modelo open source pode ser criado na relação do público com os jornais, mais do que das empresas em si.

Entre as semelhanças e diferenças, notamos que muito do que se fala como proposta de conteúdo para as grandes corporações é o que surgiu, de maneira orgânica, no jornalismo independente. Mais ou menos como disse o Economist.

Mas, fiquemos de olho, muitas novidades maneiras parecem estar por vir desse projeto.

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