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09 de agosto de 2011 por Vinicius Perez

Macro ou micro?

por Lucas Liedke

Nada de Macro ou Microtendências, o assunto aqui é outro.

Alice já sabia e viveu isso na pele: tudo no mundo das maravilhas é escalonável. E se hoje a humanidade tende um pouco ao exagero, os novos tamanhos também passam por extremos.

O Macro e o Micro se acentuam, cada um na sua dimensão, porque a velocidade de tudo está aumentando. É a nova rapidez com que o ano passa, a informação gira e as expressões (como “giro da informação”) se tornam obsoletas. Podemos ir do mínimo ao máximo milhões de vezes mais rápido, e com isso, vamos também mais longe.

O universo Micro explora grandes novos poderes.

No mercado da alimentação, por exemplo, vemos uma crescente oferta de embalagens bite-size, bebidas one-shot e pacotes de 100 calorias. Até os bolos viraram cupcakes. A indústria como um todo se especializa cada vez mais nas variações de sabores. São microdiferenças, na busca por algo único e especial.

Por outro lado, há também o papel da nanotecnologia, que conseguiu reduzir muita coisa: peso, tamanho, desperdício de material; em praticamente qualquer categoria do mercado. Reduziu até o iPod nano, não? Ou isso foi só marketing?

A verdade é que o tamanho menor permite, acima de tudo, experimentar, transitar mais e não se comprometer em fazer grandes escolhas, e sim em muitas pequenas escolhas. Hoje, já se fala até em Snacks of Love – relacionamentos amorosos fragmentados, múltiplos e simultâneos. E por que não?

No mundo da informação, saímos das grandes epopéias de outrora e entramos na era dos posts, dos drops e do microblogging. E até mesmo o microblogging que já não tem mais 140 caracteres, mas apenas imagens, gifs, selos, ícones. Tudo isso é muito legal porque as coisas menores são realmente mais fáceis de serem colecionadas. A obsessão pelos bits de informação tem um gostinho maniático, compulsivo e delicioso.

O Micro também potencializa o poder de absorção. Afinal, o que é “saber mais”? Saber muito sobre uma única coisa ou saber um pouco mais sobre praticamente tudo? Isso não significa que precisamos ficar só na superfície, mas talvez reduzir as unidades de informação até se chegar na essência das coisas. Ou seja, menos lixo e desprendimento de energia.

Simples como um ‘curti’ e ‘não curti’, esse é o tipo de informação que voa mais rápido hoje e agrega o maior número de pessoas, como milhões de plaquetas sanguíneas que se amontoam umas nas outras quando um corte na pele é realmente relevante. Além disso, tornou-se possível viver Microvidas. A morte e o renascimento virtual pode refundar uma existência inteira. Viver micro-realidades tornou-se não apenas possível, mas necessário ao bem-estar.

Só para finalizar, apesar desse post tendenciar para os benefícios do Micro, é bom lembrar que o Macro também conquista, ironicamente, o seu espaço. Mas os propósitos são outros.

O Macro é lúdico e nos tira do eixo. Impressiona. Tornou-se o artifício preferido das vitrines de grandes lojas de departamento, dimensionando mundos irreais e de sonhos. Nas ruas, os joguinhos de celular passaram a ser reproduzidos em tamanhos colossais.

Vale citar alguns gênios da arte do impacto como Anish Kapoor, Florentijn Hofman e Jim Denevan que dramatizam o impossivel a partir da proporção, ao ponto de esquecermos (ou questionarmos) o nosso próprio tamanho no universo. O exagero é engraçado e assusta, e parece que dá um bom tilt-shift para nos recolocarmos no nosso lugar.

Enfim… polêmica lançada, decida pelo seu tamanho. É como o dilema dos mini-carros e as SUVs, ninguém mais quer ficar no meio.

*Lucas Liedke é do núcleo de Trends da Box1824.

6 comentários para Macro ou micro?

  1. Anônimo disse:

    e as tantas possibilidades de micro já poderiam ser consideradas um macro?

  2. erica disse:

    e as tantas possibilidades de micro já não poderiam ser consideras um macro?

  3. Lucas disse:

    Olha, de repente as inifinitas micropossibilidades nos levam para milhões de lugares diferentes, mas um acúmulo de microestímulos iguais geram uma macromatéria bem sólida e potente.

  4. Sueli Pereira disse:

    Gostei muito da metéria, nos faz pensar e acreditar que o novo centro é equilibrar as escolhas estes extremos que facinam e nos envolvem. Adoro os dois caminhos…que bom que hoje temos esta liberdade!

  5. Anônimo disse:

    Muito legal o post. Existe o conceito de Micromarketing também, que está alinhado a esta realidade. Pra quem se interessa, o autor é Greg Verdino.

  6. Micro demais e macro interessante.

    Parabéns.
    http://www.ideaos.com.br

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