Nada a Ver
10 de agosto de 2011 por marimessias

Tecnologia Social

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All slang is metaphor, and all metaphor is poetry.

Chesterton

Estava lendo o MindHacks e vi esse estudo de caso bizarro (e engraçado), sobre como alguns psiquiatras associam gírias com sintomas de esquizofrenia. Pode não parecer razoável, mas a idéia é que para uma pessoa mais velha e de outra classe social, alguns dialetos informais podem ser totalmente incompreensíveis, chegando a soar como confusão mental. Ainda que façam todo sentido no seu contexto original.

Salvo pela ironia involuntária, a idéia é muito similar da apresentada pelo Mark Pagel no TED desse ano (acima no Youtube, no link no site do TED, com legendas em inglês). Lá ele diz que a linguagem é o mais poderoso e, ao mesmo tempo, perigoso e subserviso, atributo da evolução humana. Perigoso e subversivo por poder ser moldada para que o outro perceba o que queremos que ele perceba. E poderosa por ser a mãe da evolução humana.  Pra ele, o aprendizado social é o que nos torna diferentes das outras espécies. A capacidade de aprender com o outro, em uma espécie de roubo visual, e partindo desse aprendizado evoluir o conhecimento. E o Mark acredita na linguagem como um maximizador desses processos de aprendizado. Se sabemos uma língua, nos comunicamos com todos os falantes dela, ao invés de mantermos a comunicação apenas com um grupo restrito. Mais ou menos como fazem os primatas, saca?

Ele ainda acredita que quanto maior o número de pessoas que tenham acesso a manifestar e ouvir idéias em uma mesma língua, maior a evolução da humanidade. E que o possível caminho do mundo, baseado em cooperação e trocas, seja possuir apenas uma linguagem.

E pensar isso me apavorou um pouco.

Primeiro de tudo, como ele mesmo coloca, graças aos ambientes sociais online, nunca tanta pessoas estiveram tão conectadas entre si, de maneira que é possível reconstruir um mapa mundi apenas traçando essas conexões. Num mundo onde favorecemos a cooperação e o aprendizado, a internet pode não ser linguagem, mas é O ambiente. E talvez esse seja o mais próximo que devamos chegar do que ele sugeriu. Tem uma expressão que é: ”Uma linguagem é um dialeto com exército”. A forma como nos comunicamos é, claro, um statement. Seja de maneira mais global, como a língua brasileira, até nos dialetos incompreensíveis para as massa, feito os do estudo de caso que falei lá em cima. Todas as línguas são variáveis e adaptadas aos seus lugares. Feito a Língua Brasileira de Sinais ou o Catalão.

Dizer que usarmos apenas uma linguagem é o melhor para florescer como espécies é o mesmo que dizer que todos deveriam raspar a cabeça para acabar com o teste de xampus em animais.

Isso sem falar no fim do hip hop, da literatura e das séries de TV. Claro.

2 comentários para Tecnologia Social

  1. Eu meio que discordo dessa homogeneização que tu apresenta aí. A humanidade nunca vai ser homogênea em algo, por que todos apresentam alguma característica que é somada às outras adquiridas, e não substituídas.
    Mas o post tá bacana! ;)

  2. marimessias disse:

    To contigo, broder. Essa idéia de só uma língua é absurda também por isso, nossas necessidades de comunicação mudam, dependendo de, bom, inúmeras variáveis. No final, a idéia do Mark Pagel (ele é biólogo) é que nossa criatividade e nossa espécie floresceria, mas possivelmente ia rolar o contrário, né.

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