Arte Comunicação Design
14 de setembro de 2011 por marimessias

Sidewalk Ballet


Hoje foi o primeiro dia do PICNIC11 que, pra quem não sabe, é um evento onde gente trimassa do mundo inteiro se reune para explorar novas soluções e novas idéias para desafios atuais.

Não por nada, a edição desse ano é voltada para ambientes urbanos, cidades, especialmente as de países em desenvolvimento, feito as brasileiras.

A idéia é dividir inovações no que diz respeito a sustentabilidade, infraestrutura, tecnologia, sociedade e design.

E, no dia de hoje, separei as idéias mais legais para dividir com vocês já que, como disse o Ben Hammersley (da Wired), as inovações não param e quem teve acesso a esse monte de idéia bem trabalhada tem a obrigação de dividir elas com o mundo, aumentando os diálogos e deixando ainda mais claro que precisamos decidir o tipo de lugar e de mundo no qual queremos viver.

Falando em cidades, o romano Lorenzo de Rita lembrou enquanto a economia e a comunicação são globais, as cidades são. Bom, as cidades são basicamente a mesma coisa. E, por vermos tanto os aspectos utilitários delas, deixamos de lado coisas muito interessantes só por não serem viáveis, agora (ou nunca, feito cidades que andam com patinhas de inseto). O Lorenzo se dedicou a mostrar cidades imaginadas e não realizadas e nos lembrar que utopia é só aquilo que ainda não é possível.

E falando em impossível, o nigeriano Kunlé Adeyemi falou dos aspectos orgânicos de uma cidade. Seja uma cidade inteira orgânica, seja uma cidade planejada e seus desdobramentos orgânicos. Comparando estruturas auto-geradas de favelas e cidades européias bem estruturadas, eles viu que todas tinham uma ordem em comum, mesmo as que pareciam só caos, sujeira, som e fúria. E, além disso, ele também nos lembrou de uma coisa muito importante e que é tão clara que nem sempre notamos. Ao menos clara para os habitantes de capitais brasileiras: uma cidade é um lugar onde a terra é superfaturada e os recursos são escassos, por isso a inovação local e a apropriação urbana são esperadas e bem-vindas.

Por isso ele também acredita que a cidade é a fazenda onde o homem cultiva suas aspirações globais.

Viu, Lorenzo. Cidades são globais.

Também teve o Tim Campbell, que disse que smart city mesmo não são as cidades assepticas e planejadas que temos por aí, são as cidades que descobrem o poder orgânico, onde troca de informação entre vizinhos é mais útil que câmeras de segurança. E ainda vem com as texturas bagunçadas que amamos em cada lugar novo que conhecemos e atendem pelo nome de história.

Mas como nas cidades nem tudo é arquitetura, o pessoal do incrível Robodock nos falou do seu ideal espontâneo que envolve uma recriação. Criado em 1998, o festival performático incrível ficou dois anos parado por um problema que os artistas nacionais conhecem bem: falta de espaço. Na volta, eles resolveram criar um mega evento com uma fênix que incrivelmente nem ficou brega e anunciar um fim e um começo. O festival, que é totalmente movido a idealismo, revitalização e reapropriação, terá uma nova casa. Sem ajuda de nenhum arquiteto, mas que todos os participantes do evento, os artistas mesmo, vão ajudar a criar.

E tou apostando vinte pila que vai ser foda.

Ainda no quesito foda, rolaram os mexicanos do RIA, que é um grupo que leva ensino pra guetos urbanos com uma estrutura geral que é totalmente relacionada ao seu ambiente. Por exemplo, suas sedes (que são feitas só de madeira e cimento) não podem nunca ficar a mais de 15 minutos de distância dos alunos. E sua filosofia se baseia em conteúdo apropriado, análise dos padrões dos usuários, melhoria do conteúdo e treinamento e contratação de profissionais jovens, sem vícios prévios no sistema de ensino e nascidos na periferia, pra servir de exemplo.

Foi realmente bonito e comovente ver o Jorge Camil Starr falando e mostrando os resultados. Por exemplo, cada U$1,00 investido gera U$1,75 de crescimento econômico. E ele deu muito a real quando disse que desenvolvimento humano = desenvolvimento urbano. O Platão já tinha dito algo similar (os cidadãos são o que são graças a cidade onde vivem).

Depois dele, os mexicanos do ARTO vieram pra mostrar seu ideal de inovação perturbadora. Para eles perturbar a ordem vigente das cidades com arte é trabalhar na inclusão e no fortalecimento dos menos favorecidos. E, feito eles mesmos disseram, foi mais ou menos esse o percurso que Bogotá fez, mas com arquitetura.

De toda forma, vale passar em seresqueridos.org e se comover com esses dois irmãos, também mexicanos, que pretendem criar o maior festival de arte do mundo, transmitido ao vivo pela internet e tudo. All city canvas é o nome, e vai rolar no México em 2012. Da tempo de se programar, ein.

Pra finalizar, o pessoal do marketing fez bonito. Primeiro o Mark Woerde disse que a nova publicidade pode e deve mudar o mundo, que é isso que as pessoas querem. Ele acredita que mais gente morre por não ver sentido na vida que de falta de comida e remédios. Pode soar extremo, mas ele fez lá uma pesquisa e um livro que tu pode ler em  letsheal.org. De toda forma, ele também nos lembra que quando ajudamos o outro liberamos oxitocina, conhecido como o hormônio do tôdiboa, o mesmo que liberamos quando temos um orgasmo. Segundo ele, 64% das pessoas se sente mais inclinada a comprar de marcas que ele chama pro social. Fora os fãs de Apple, claro. Mas essas pro social brands não podem ser aquelas que doam dinheiro ali ou dizem que farão algo, são empresas totalmente comprometidas com suas causas, mesmo.

E, na mesma vibe, o Laurence Parkes falou de marcas filantrópicas. Filantropia seria o ensinar a pescar, fruto de pesquisa junto ao consumidor e devolvendo pra ele oportunidades e ferramentas tecnológicas. Por isso, pro Laurence, a filantropia é uma coisa totalmente capitalista. Onde tu investe em melhoria do consumidor, ambos ganham. Totalmente diferente de caridade.

Muito do que rolou hoje pode ser conectado diretamente, sem muito rodeio mental mesmo, com o que está lá no Sonho Brasileiro. Foi comovente demais notar essa sincronicidade, que torna tudo ainda mais real e lindo.

E por hoje é só, p-p-pessoal.

(pra saber mais sobre o título do post, leia aqui)

11 comentários para Sidewalk Ballet

  1. “Conhecido como o hormônio do tôdiboa” hahaha

    Me interesso pra caralho por tudo relacionado a cidades, de redes de esgoto hi-tech a intervenções artchysticas. Ótimo post! Curti demais!

    • marimessias disse:

      JUREI que ia dizer que te interessava pelo hormônio todiboa. hahahaha

  2. Aline Bueno disse:

    Bah, ainda bem que vcs estão cobrindo esse evento. Fico feliz!
    As cidades são fractais minha gente!!!! E viva o Urbanismo!!!!

    • marimessias disse:

      Pensei tanto tanto em ti. Te separei uns links e umas historinhas pra contar <3

      • Aline Bueno disse:

        muito muito obrigada! sabe que eu tô envolvida no portoalegre.cc, né? tu deve estar escutando muita coisa a ver com o projeto!

  3. marimessias disse:

    sim, pensei por isso tb ;~

  4. “Ideia” com acentuo: até quando?

    • Desirée disse:

      acentuo?

      • Leia o texto e você vai ver que ideia ta com acentuo né. Não se usa mais.

        • Desirée disse:

          ah, você quer dizer “acento”?
          agora entendi.
          então para responder sua questão, alguns de nós preferem ignorar a reforma ortográfica.
          beleza?
          abraço!

  5. Pingback: Lorenzo de Rita – PicNic 2011 « PONTO ELETRÔNICO

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