Ponto e Vírgula Tecnologia
06 de outubro de 2011 por marimessias

Cinco lições foda que aprendemos com o Steve Jobs

1. ALTERIDADE É IMPORTANTE

We’ve kept our marriage secret for over a decade. (Jobs falando sobre Bill Gates)

Rivalidade é uma das maneiras como as empresas manifestam sua relação com a alteridade, com a noção de outro. Reconhecer a existência do outro, muito diferente da gente, sem querer que ele vire outra pessoa (aka, nós) é um grande processo de aprendizado contínuo.

Nesse sentido, a rivalidade é importante por ser o que impulsiona as empresas para buscarem inovações e faz com que nós, o público, recebamos sempre produtos diversificados, melhores e mais baratos. O primeiro grande rival da Apple foi a Microsoft, mas atualmente o Google e até a Amazon tem sido rivais importantes. Nós, claro, só podemos agradecer.

E, apesar do seu perfil restritivo, a Apple soube não ignorar essa rivalidade e fazer uso dela para seu próprio bem. Então, além da batalha tecnológica, nós  aprendemos a assumir, de vez, que nossos gadgets podem dizer muito sobre quem escolhemos ser. Nosso consumo, em geral.

2. DESIGN É FUNDAMENTAL

That’s been one of my mantras – focus and simplicity. Simple can be harder than complex: You have to work hard to get your thinking clean to make it simple. But it’s worth it in the end because once you get there, you can move mountains.

Ainda pensando na idéia de que nossos gadgets dizem muito sobre quem somos, durante muito tempo a Apple esteve associada a Design. Para o Jobs, design não tinha relação só com a aparência dos produtos, mas também a funcionalidade deles. E, muitas vezes, essa foi a diferença fundamental entre a Apple e o segundo lugar na lista dos mais vendidos.

Ele também disse que as pessoas que se interessam por informática não são facilmente iludidas. Por isso publicidade é importante, para mostrar o que existe, mas o fundamental sempre foram os produtos. Um bom produto, para ele, vale mais que um outdoor de ouro (liberdade do tradutor).

No discurso clássico que o Steve Jobs fez em 2005, na formatura de Stanford, ele contou como teve uma vida difícil, foi adotado, não tinha dinheiro para frequentar a universidade, mas assistiu algumas aulas como ouvinte e, sem se dar conta, os caminhos que a vida dele percorreu acabavam se interligando e ele acabava usando os conhecimentos que pareciam inúteis de maneira bem prática. É o que ele falou quando disse que não somos capazes de unir os pontos quando olhamos pra frente, só quando olhamos para trás. E isso incluía uma aula de caligrafia que ele frequentou e o fez decidir que faria do Mac o primeiro computador com tipografia lindíssima.

E, se olhamos para uma timeline das grandes invenções da Apple, notamos que lá beleza sempre foi fundamental. Não só na tipografia, no design dos próprios produtos.

Pensando assim, podemos dizer que o Steve Jobs e seus gadgets lindões e matreiros ajudaram a destruir aquele estereotipo dos nerds como pessoas socialmente inaptas, feias, desconectadas do mundo real e sem senso estético. E por isso, também, nós agradecemos.

3. SHOSHIN

Remembering that you are going to die is the best way I know to avoid the trap of thinking you have something to lose. You are already naked. There is no reason not to follow your heart. (…) Stay hungry. Stay foolish.

É impossível falar do Steve Jobs sem citar esse mantra, que ele roubou de uma enciclopédia: stay hungry, stay foolish. O Zen tem um conceito bem similar chamado Shoshin. Soshin é a capacidade de abordar as coisas com a mente de um principiante. O iniciante é aberto, quer muito aprender, não tem preconceitos. Eu tava lendo um livro do mestre Shunryu Suzuki, o Zen Mind, Beginner’s Mind, onde ele diz: na mente do principiante existem muitas possibilidades, na mente do veterano apenas algumas. Além disso, Shoshin também significa uma pessoa que é genuína. Foolish. Hungry.

Fora isso, pelo menos cinco pessoas que devemos levar em consideração (feito o Mike Schroepfer) acreditam em errar como uma parte muito relevante do percurso das nossas vidas. O Schroepfer, por exemplo, tem como motto: “move fast, break stuff”.

No fundo, isso tudo quer dizer que ninguém está pronto, somos todos work in progress, então por qual motivo agiríamos diferente, né?

4. PESSOAS SÃO INSUBSTITUÍVEIS

My model for business is The Beatles. They were four guys who kept each other’s kind of negative tendencies in check. They balanced each other and the total was greater than the sum of the parts. That’s how I see business: great things in business are never done by one person, they’re done by a team of people.

Se tem uma coisa que todo mundo adora repetir é que ninguém é insubstituível. Quando rapeize começa nessa vibe eu só sorrio e saio de moonwalk, admito. Mas se eu fosse dessa gente que adora uma discussão, poderia falar da Apple, fundada e refundada pelo Jobs.

Só 13 anos atrás a Apple estava a beira da falência, quando o Jobs foi chamado de volta e fez um acordo com a Microsoft (lembra da alteridade? poisé) e falou como a idéia de que pra Apple vencer a Microsoft precisa perder é uma estupidez.

Se o teu ímpeto é achar que só algumas pessoas são insubstituíveis, volta pra quote inicial, enquanto nós ouvimos um Beatles.

Pronto.

Por outro lado, uma das coisas que fez do Steve Jobs esse CEO superstar que ele é, foi a paixão pelo que fazia. Se tu faz o tipo que passeia pelo mundo só esperando o fim do dia (viver é fácil de olhos fechados, saca?), muita gente vai te achar substituível (ainda que tu não seja). O Steve Jobs realmente acreditava que os computadores eram a ferramenta mais incrível já criada pelo homem. Junto da bicicleta.

E, como todo apaixonado, ele deu o seu melhor e nunca esteve nessa pelo dinheiro. Ele fez todo o possível para adequar a Apple ao seu momento, sempre. Mesmo quando isso pedia que ele assumisse os erros e tentasse de novo.

E como no final o amor que tu recebe é igual ao amor que tu da, as pessoas notam mais o que fez dele insubstituível e como ele mudou o mundo que vivemos.

5. SEJA UM PIRATA

It’s more fun to be a pirate than to join the navy.

Ahoy, matey!

Quando ele era jovem ainda e start up não queria dizer a mesma coisa que agora, o Jobs falou que preferia ser um pirata que entrar pra marinha. Lá no começo, ele sempre citava a IBM como um grande oponente, cheio do dinheiro, que foi batido por uma empresa muito menor.

Reza a lenda que, anos mais tarde, quando a Apple estava se recuperando da quase falência, ele convocou uma reunião onde disse que todos os produtos eram uma porcaria, porque não tinham sexualidade. Tempos depois a empresa surgiu com iMac, teve um crescimento de 94% e bombou no mundo.

Eventualmente o Jobs virou o Barba Negra, um pirata com uma marinha a seu dispôr, mas isso não importa tanto quanto a idéia de pensar diferente, seguir por mares nunca dantes navegados.

Por isso que, entre altos e baixos, ele foi o Steve Jobs, né. Mantendo o foco no que importava pra ele, e inovando sempre.

Arrrr.

3 comentários para Cinco lições foda que aprendemos com o Steve Jobs

  1. ótimo texto! parabéns

  2. Anônimo disse:

    Realmente um bom texto!

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>