Arte Comportamento
12 de dezembro de 2011 por Vinicius Perez

TEDx Jovem@Ibira

por Felipe Vilasanchez

No domingo, dia 4 de dezembro de 2011, aconteceu, na Universidade do Meio Ambiente e da Cultura de Paz (UmaPaz), o TEDx Jovem@Ibira. Realizado por um grupo de jovens de São Paulo, mobilizados por André Gravatá, jovem ponte que participou do Sonho Brasileiro, o evento teve a participação de 20 palestrantes, entre eles o zambiense Luyando Catenda, 16 anos, embaixador da Unicef pelos direitos das crianças em seu país, e a norte-america Gail Mooney, diretora do documentário “Opening Your Eyes”, feito com sua filha em uma viagem pelo mundo, com um orçamento curtíssimo, em busca de pessoas que realizam sonhos e transformam seus locais.

Inspirador, o evento reuniu diferentes histórias e ideias sobre Microrrevoluções. Os palestrantes mostraram como fizeram acontecer diferentes articulações entre as microrrevoluções coletivas e individuais, com diversos exemplos de jovens que criaram novos modelos de negócios a partir de suas convicções, que articularam relações diferentes entre instituições e sociedade, e que acharam meios para unir atuação social e trabalho.

Todas as palestras foram bem legais, e é difícil escolher só algumas delas pra falar aqui. Então listei as seis primeiras que apareceram na minha cabeça, para dar um gostinho. Mais informações estão no site oficial e no Estadão. Também tem um grupo no Facebook.

Vale muito a pena conferir tudo, pois são muitas as boas ideias, e todas muito inspiradoras – para microrrevolucionar junto!

Peetssa – Fotógrafo, membro da brigada de incêndio da Chapada da Diamantina e inventor, Peetssa desenvolve geradores de energia elétrica a partir de componentes de HDs de computador, que produzem eletricidade com energia cinética.Ele define sua tecnologia como limpadora, pois utiliza lixo eletronico removido de locais de acúmulo, e evita o uso de bateria para consevar a energia. Peetssa já conseguiu desenvolver um protótipo capaz de alimentar uma casa e também instalou geradores em carroças de catadores de lixo, para que eles utilizem a energia produzida para
esquentar sua comida.

Natália Garcia – “Se desproteja” é o impulso da microrrevolução de Natália. Cansada do transito de São Paulo, comprou uma bicicleta para se locomover por São Paulo de um jeito mais prático e inteligente, e acabou descobrindo, fora da bolha motorizada, uma nova cidade. Resolveu, então, viajar por 10 cidades do mundo, entrevistando acadêmicos, urbanistas e políticos, e coletando novas ideias sobre urbanismo capazes de dar novos sentidos ao modo como vivemos na cidade, como sinalização para todos, agricultura urbana, redes locais de catadores de lixo e espaços para aproveitar nosso clima. Seu trabalho está disponível no Cidade para Pessoas.

Caio Braz - Negócios com propósitos são a via microrrevolucionário que Caio escolheu.
Estudante de engenharia no ITA, ele rompeu com um universo de negócios sedimentado e buscou experiências dentro de outras áreas, trabalhando com o projeto Oasis na recuperação de Santa Catarina após as chuvas de 2009, e encontrou novas conexões entre trabalho e propósitos para o mundo. Criou o serviço BackPacker, para ajudar estudantes de línguas estrangeiras, e a plataforma Polinize, dedicada à educação, que entra no ar em breve.

Ricardo Montero – Entre os 572 milhões de habitantes da América Latina, 174 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza, e 73 milhões vivem ainda pior, na extrema pobreza, ou seja, sem as mínimas condições necessárias para a vida, sem ter onde habitar. Incomodado por este problema, o advogado chileno Ricardo Montero resolveu atuar fora dos tribunais e criou a ONG Um Teto Para Meu País, que organiza mutirões para a construção de moradias e presta auxílio para quem vive na extrema pobreza. “A definição de sociedade considera que as pessoas tem deveres e responsabilidades a cumprir, mas tem gente que não tem como fazer isso. É a própria sociedade que afasta as pessoas da sociedade”, analisa.

Luyando Catenda – Nascido na Zâmbia, o segundo país mais desmatado do mundo, Luyando é o Mozart do ativismo social. Atuante desde os quatro anos de idade, quando participou de um concurso de poetas infantis, ele é embaixador da Unicef pelos direitos das crianças na Zâmbia e trabalha na criação de redes de jovens na luta por mudanças na relação com o meio-ambiente e pelos direitos das crianças. Para Luyando, as dificuldades na atuação social podem ser contornadas pela força de vontade e pela inspiração nos resultados positivos.

Luís Otávio Ribeiro - “Aqui é o público quem manda”. Foi assim que Luís, um dos criadores do Catarse, definiu a microrrevolução feita pela plataforma de crowdfunding, no ar desde o início de 2011, e que já ajudou no financiamento coletivo de muitos projetos em diferentes áreas, possibilitando que as várias multidões que compõem a grande multidão de hoje em dia selecionem os bens culturais que querem consumir. Para encerrar, citou o estudioso da internet Clay Shirky: “A revolução não acontece quando a sociedade adota novas ferramentas. Acontece quando a sociedade adota novos comportamentos”. É a gente que manda.

O evento foi coroado por uma verdadeira catarse com a apresentação do grupo de percussão Treme Terra, do Morro do Querosene. O grupo mistura ritmos do candomblé ao funk, e armou junto com o público uma imensa roda de samba que fez a terra tremer. Segundo eles mesmo, a maior que já aconteceu em uma apresentação deles.

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