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16 de dezembro de 2011 por marimessias

Os livros em 2011

É, fim de ano, época de retrospectivas. Nessa vibe, todo mundo tem lembrado como 2011 foi um grande ano para a música (e de fato foi), mas não podemos esquecer que ele também foi um ano incrível para a literatura. Especialmente a nacional.

Então, seguindo os passos do Salon (que convidou escritores americanos a fazerem o mesmo), convidamos Michael Laub, Antônio Xerxenesky, Luisa Geisler e Ana Guadalupe, escritores brasileiros que lançaram ótimos livros em 2011, para dizer qual livro brasileiro, lançado nesse ano, é o favorito deles. Aproveitando o espírito caridoso de fim de ano, os títulos de livros são links para comprar.

DIÁRIO DA QUEDA (Michel Laub)

“Diário da Queda”, de Michel Laub. Não apenas considero o melhor livro brasileiro lançado em 2011, como também o ponto alto da carreira do escritor. Neste romance, Laub conseguiu levar ao limite o estilo que é sua marca registrada: uma prosa sóbria, lúcida, sem afetações, com frases que causam impacto pela sua transparência. Apesar de trabalhar com temas batidos (Auschwitz, Alzheimer), consegue encontrar coisas novas para dizer, nem que seja ao reconhecer que talvez não haja tanto mais que possa ser dito. “Diário da queda”, no fundo, é uma espécie de testemunho da dificuldade da transmissão da experiência de vida. O velho tema da incomunicabilidade volta com força – e com frescor – no romance de Laub.

A sugestão foi do ficcionista e editor Antônio Xerxenesky, que já lançou dois livros. O mais recente, “A página assombrada por fantasmas“, foi publicado em 2011 pela Rocco e indicado aqui pela Luisa Geisler. Xerxenesky também é editor na Não Editora, onde organiza a revista online de crítica literária Cadernos de Não-Ficção.

DENTES NEGROS (André de Leones)

Acho esse negócio de “favorito” meio complicado. Pra mim, o “Dentes negros”, do André de Leones, se destacou este ano. Gosto muito do trabalho do André e o “Dentes negros” trouxe-o pra um nível diferente. O André tem uma tristeza neutra. Com a realidade sozinha, ele mostra o que precisa. Há um quê meio triste, mas real, mas triste, mas real, mas. O “Dentes negros” traz isso melhor do que tudo que já li dele. Contudo, sou muito de relativizar. Essa coisa de favorito mimimi é um tanto capitalista, e escritor tem de ser comunista — porque, né? Também curti horrores “Diário da queda” (Michel Laub), “Carvão animal” (Ana Paula Maia), “A página assombrada por fantasmas” (Antônio Xerxenesky) e “O livro de Praga” (Sérgio Sant’Anna). E agora chega de socialização.

As sugestões foram da Luisa Geisler . Com apenas  20 anos Luisa já publicou o livro Contos de Mentira pela Record e ganhou o prêmio SESC de Literatura com ele. Além disso ela é colunista da Revista Capricho.

HABITANTE IRREAL (Paulo Scott)

Li poucos livros brasileiros de ficção em 2011, uns 10 no máximo, e alguns não eram lançamentos. O que mais me pegou entre eles foi “Habitante Irreal”, do Paulo Scott, um misto de romance psicológico e geracional, com um tom detalhista e melancólico que vai ganhando o leitor aos poucos: a história se abre em várias direções e vários pontos de vista, sempre entrelaçando os temas da identidade, da passagem do tempo e da perda das ilusões.

A sugestão foi do romancista Michel Laub, que já lançou cinco livros, todos pela Companhia das Letras. O mais recente, Diário da Queda, foi indicado aqui pelo Xerxenesky. Laub também já ganhou os prêmios Bravo de Literatura, Erico Veríssimo e foi finalista no Jabuti e no Portugal Telecom.

CÃO (Rafael Mantovani)

Um dos meus livros preferidos do ano foi o “Cão”, do Rafael Mantovani (Editora Hedra). Gosto muito dos poemas dele porque dizem tudo com uma espécie de tranquilidade difícil de encontrar, sem exagero, mas com um ritmo visivelmente construído com carinho e cuidado. Dá até pra decorar uns trechos, acontecimento que muitos outros livros/autores não oferecem.

A sugestão foi da Ana Guadalupe, que lançou esse ano seu primeiro livro de poemas, “Relógio de Pulso“, pela 7letras. Antes mesmo de publicar, os poemas de Ana já faziam sucesso.

Então é isso. Aproveitem nossas sugestões e as sugestões deles. E que venha 2012.

3 comentários para Os livros em 2011

  1. Rodolfo disse:

    Não é verdade que o Michel Laub lançou todos os livros dele pela Companhia das Letras. O primeiro saiu pelo Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul. Parece que ele tem escondido este fato, não entendo por quê.

    • marimessias disse:

      que MISTÉRIO

    • Mais um caso para o Bellini resolver… ^^

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