Ponto e Vírgula Tops
21 de dezembro de 2011 por Niege Borges

Mais Uma Lista

Selecionamos algumas coisas marcantes desse ano, usando como guia as categorias do nosso blog. Falamos desde comunicação, com o vídeo da Volkswagen, passando por música com o experimento maluco de 24 horas dos Flaming Lips, até moda e as modelos plus-size, sem esquecer as coisas nada a ver de 2011, porque todos gostamos de bobice, né ¯\_(ツ)_/¯

COMUNICAÇÃO

Mesmo em um mundo onde o passado está na moda, a comunicação tem cada vez mais dificuldades em se conectar e seguir o ritmo frenético do que queremos.
Um dos grandes trunfos tem sido, cada dia mais, associar os produtos a um estilo de vida.
Seja apelando para o senso de humor, como fizeram a Volkswagen e a Samsung. Seja pela aproximação literal, como no caso das campanhas governamentais da Suécia e da Islândia ou da iniciativa da Hall & Partners, com um táxi que trocou uma carona por uma opinião.
Possivelmente um dos pontos altos desse ano foi a comunicação do bem. Nesse sentido, não tem como esquecer do Google Chrome se posicionando pelos direitos LGBT, dos mexicanos do Chipotle falando sobre comida sustentável e da Anistia Internacional com sua intervenção urbana chamando atenção aos abusos que ocorrem no mundo.

GOODY

Em 2011 o Kiva, uma ONG que  nasceu para conectar pessoas em busca de oportunidades com micro investidores, completou 5 anos com 620.000 pessoas investindo em 615.000 empreendedores, estudantes e talentos em geral. Dá pra entender tudo em um lindo vídeo sobre o fluxo dos financiamentos no mapa mundi. No Brasil, o Catarse, nossa plataforma de crowdfunding criativo, ajudou a tornar viável o Ônibus Hacker, um projeto itinerante de informação e criação. Nesse mesmo Brasil, toda indignação pelo brutal assassinato do Zé Cláudio, o porta-voz do extrativismo sustentável, culminou no Toxic: Amazônia, documentário de Felipe Milanez.

MÚSICA

Todo ano é o mesmo papo sobre as mudanças na morimbunda indústria fonográfica. Quase todos os artistas percebem que o caminho é liberar cd pra streaming ou download sem medo de ser feliz, incluindo até turma velha guarda do Guided by Voices e Tom Waits. Nessas, o Flaming Lips fez streaming único de uma música de 24 horas (!!!) que pode ser comprada em um HD externo feito de crânio humano banhado em prata. Eles perceberam que só um CD não tem mais graça e lançaram uma música por mês em 2011, cada uma em um objeto peculiar, de caveiras de bala de goma a brinquedos que projetam luzes. O Neon Indian também se ligou na ideia e lançou um sintetizador junto com seu disco, para os fãs também participarem desse papo de chillwave. Nessa terra brasilis linda, o rapper Criolo lançou seu cd de graça para download e coroou esse momento de boom do rap nacional, vide o próprio Emicida sendo garoto propaganda do nosso Sonho Brasileiro. Também teve a Lana Del Ray lá, mas essa eu só vi fotos.

TECNOLOGIA

Em 2011 foram adicionadas funcionalidades aos celulares, até aí pouca novidade. Eles já acumulam funções que visam conectar mais as pessoas e muitas vezes nos transformam em uma espécie de stalker passivo, vide o caso de aplicativos como Foursquare e Instagram. Mas esse ano as novidades mais interessantes são voltadas para o cotidiano, como o Google Wallet, aplicativo do Google que permite fazer pagamentos de débito e crédito em lojas e que ano que vem promete ter concorrente. Outra coisa legal foi o Siri, principal novidade do iPhone 4S, uma espécie de assistente pessoal com comando de voz. Na linha future tech nós vimos o Finder que usa RFID de maneira inteligente e pode localizar objetos perdidos. E na era dos tablets o Kindle Fire foi quem se destacou no ano, com preço acessível e interface simplificada, o tablet da Amazon focado no software e em serviços é o que traz uma experiência mais completa em consumo de mídia.

DESIGN

O design tem sido cada vez mais utilizado para transmitir dados de um jeito diferente e atrativo, o que tem acontecido em parte devido a grande produção de conteúdo. Com a explosão dos infográficos, novas maneiras de explorar esse recurso surgiram, e uma bem interessante desse ano foi a Infographics in Context, onde pessoas e lugares são transformadas em gráficos. Também vimos novas alternativas sendo exploradas nos materiais impressos, revitalizando esse meio, como a capa da revista Novum, composta por 1000 triângulos que podem ser dobrados de várias maneiras sem que o papel amasse. O design também vem cumprindo forte papel em melhorias no espaço urbano, como o Fabrique Hackation, onde um grupo de pessoas fez, através de impressão 3D, uma série de objetos que podem ser úteis no dia a dia da cidade.

ARTE

Não é nenhuma surpresa que a internet e a arte caminham lado a lado, mas essa parceria ficou ainda mais clara. Enquanto o Google fez o incrível Google Art Project, onde usou a tecnologia do Google Earth para levar os museus para a internet, o artista alemão Erik Kessels levou a internet para o museu e fez uma exibição com um mar de um milhão de fotos postadas no Flickr no período de 24h. Nesse ano, o Tumblr ultrapassou o WordPress em usuários e explodiu em uma supernova de gifs animados de gatinhos, atribuindo um certo status cool ao, até então, famigerado gif. Projetos como o LWRM, que faz gifs de cenas de filmes, e o Fromme To You usam a técnica para explorar uma narrativa, através de animações mais sutis e sofisticadas.

Todos blockbusters do ano foram lançados em 3D e pelo jeito vai se manter assim, já que o Peter Jackson falou que O Hobbit tá pretty awesome. Em 2011, até o alemão, badass e diretor Werner Herzorg utilizou da terceira dimensão para fazer um documentário sobre pintura rupestre. Vários documentários legais foram lançados nesse ano, como Being Elmo, a história de um manipulador d’Os Muppets, e This Space is Available, sobre a poluição urbana causada pela publicidade. Ainda na sétima arte 3D (nesse caso os óculos era máscaras do Edgar Allan Poe), o Coppola mandou um papo de que o diretor deveria ser tipo um DJ, apresentando o filme de maneiras diferentes em cada exibição. Mas o grande momento do entretenimento foi do comediante Louis CK, ao resolver vender um show inédito online, sem DRM e pela módica quantia de 5 dólares, gerando atenção ao seu nome e aos comportamentos de consumo online, lucrando 500 mil dólares em três dias e confirmando aquele mantra do Campo dos Sonhos de que se você construir, eles virão.

GAMES

Uma tendência bastante abordada ao longo desse ano foi o conceito de Gamification. Tudo o que se mistura com games fica mais interessante, seja a educação, a ciência, os negócios ou o próprio estilo de vida de cada um. Reforçando o tema, a escritora Jane McGonigal lançou um livro no começo do ano que fala sobre como os games nos fazem pessoas melhores e como eles são capazes de mudar o mundo. A indústria dos games vem trazendo inovação para outras áreas ao longo dos anos, recentemente a tecnologia do Kinect tem saído dos jogos e facilitado vários serviços cotidianos, além de ter revolucionado a robótica. Ainda falando em consoles esse ano ficamos sabendo mais sobre o Wii U que terá gráficos em HD, controle touchscreen que possibilitará mobilidade do console. E esse também foi o ano do esperado lançamento da Bethesda, Skyrim, que já faturou mais de $650mi.

NADA A VER

Não dá pra negar, 2011 foi um ano cheio de coisas “nada a ver”. Logo em fevereiro recebemos a notícia de que o Facebook havia tornado-se o site mais visitado do mundo, em setembro Mark Zuckerberg anunciou algumas mudanças na rede social e fez a alegria e a tristeza de muitos com um efeito colateral meio inesperado: o compartilhamento de “gracejos” e o ativismo preguiçoso.
Lado a lado com o “humor no face” um site fundado em 2008 ganhou uma força absurda, principalmente no Brasil, estou falando do 9GAG, o maior difusor de memes e tirinhas amadoras. Também não podemos esquecer do bombardeio de vídeos de gatinhos ao qual fomos submetidos, fato que influenciou na criação de uma agência voltada só para bichanos, a Catvertising (é fictícia, eu sei, mas podia muito bem ser real).
Outra descoberta fantástica, eu diria até revolucionária, de 2011 foi o boneco Shrug:
¯\_(ツ)_/¯ Tá, isso depois de descobrirmos que a Frances Cobain, digamos, “cresceu”.

EDUCAÇÃO

Se algo pode ser dito sobre a educação neste ano é que ela abandonou de vez a formalidade e os modelos que conheciamos. Impulsionadas pela crise americana, muitas pessoas optaram por buscar o autodidatismo.
Aliás, o autodidatismo aliado a tecnologia se tornou ainda mais ideológico e metódico, servindo como base para uma série de livros e projetos, como o Dont Go Back to School. Além disso, as aulas pela web se disseminaram, saindo das mãos de instituições de ensino, como no caso da Google + Cooking School, onde uma turma de alunos se reúne para aprender culinária usando o recurso de vídeo chat do site.
Um dos movimentos que consolida essa tendência da educação é a migração de metodologias informais para as salas de aula, como no caso do Youtube for Schools.

COMPORTAMENTO: VIVENDO A CIDADE

2011 foi o ano onde o processo de retomada dos espaços públicos atingiu seu ápice. Seja com instalações, design ou música, a festa foi toda nossa. Pensando nisso, fomos ao PicNic e voltamos com mensagens de um monte de gente incrível nos lembrando que a melhor cidade é aquela que, organicamente, nos permite fazer coisas extraordinárias. Como tem feito os jovens ponte do Sonho Brasileiro, a revista Pise a Grama, a artista Raquel Brust e iniciativas como PortoAlegre.cc e Minas em Movimento.
Outro desdobramento importante da retomada dos espaços públicos foram os protestos, que levaram para as ruas e transformaram em ação diversos descontentamentos dessa geração. Começando nas revoltas árabes, se disseminando pela Europa e pelas Américas e culminando no icônico Occupy Wallstreet, que já está acampado no Zuccotti Park há mais de 3 meses.

MODA

Na moda, as marcas incorporaram a ideia de que os consumidores devem ter a sensação de que são únicos, e tem criado experiências diferentes de compra. As marcas se tornaram mais transparentes, e os clientes tem maior acesso ao processo de produção das peças. É o caso da 3X1 Made Here, uma loja que fabrica jeans personalizados ou permite a customização de peças em um ambiente que combina loja, fábrica e galeria, onde é possível assistir a fabricação do seu jeans. Isso está conectado com as iniciativas para que o processo de produção não tenha desperdício, assim como o produto final não prejudique o ambiente ao ser descartado. É o caso dos OAT Shoes, lançados no PicNic Festival 2011, que são biodegradáveis e vem com sementes. Quando ele é descartado, ele se desintegra e vira alimento para que as sementes brotem. Outro aspecto é que em 2011 o mercado plus-size aumentou, e novas coleções e campanhas focando neste público surgiram assim como editoriais.

Um comentário para Mais Uma Lista

  1. Azeredo disse:

    Em “Tecnologia” eu acrescentaria a Lytro.

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