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03 de fevereiro de 2012 por marimessias

Edição do autor (e-ink only)

Lembro da primeira vez que li o termo “edição do autor” e de como demorei, então, pra entender que não se tratava de um nome de editora (descolé). Isso, claro, foi lá na época que os livros eram de papel e tinham cheiros e texturas únicas.

Faz pouco tempo, mas se auto-publicar (free hífen) deixou de ter a gloriosa vibe pós-hippie de autores desconhecidos e suas poesias revolucionárias. Ou um estilo J.Borges wannabe.

Quer ver?

Todos os textos que li sobre edições do autor em ebook falam da Amanda Hocking, uma escritora de 27 anos que publica romances paranormais e se tornou milionária seguindo essa corrente de independência em e-paper. E tudo começou porque ela queria descolar uma grana pra viajar com os amigos.

Mas, ih, ela nem é a única.

O primeiro milionário de edições caseiras de e-book é o John Locke (não esse. nem esse.). Ele publicou um thriller chamado Donovan Creed, vendido pela bagatela de 0.99. Em Junho passado foi o primeiro a vender um milhão de cópias de Kindle. E seu novo livro, How I Sold 1 Million eBooks in 5 Months!, diz o sábio Ewan Morrison lá no Guardian, segue a preocupante tendência de meta-ebooks, que falam sobre como ser um autor/editor de sucesso em e-ink.

Pro Ewan, que já foi convidado para dar palestras e ganhou mais dinheiro falando sobre o assunto que com seus livros em si, isso pode gerar ainda mais danos que a especulação imobiliária:

Because this bubble is based on cultural, not purely economic, grounds.

Por outro lado, como nos lembra a Forbes, além de caras, as edições em papel ainda seguem uma estrutura hierárquica que valoriza os chiques e famosos.

Mais que isso. Se pensamos nos mercados alternativos aos de língua inglesa, os ebooks ainda tem um longo caminho a percorrer. E, nesse sentido, talvez seja mais interessante ponderar a idéia como uma alternativa para as distribuições ferradas e para a ausência quase que absoluta de autores nacionais atuais no formato.

Ainda que os dois exemplos ali de cima sejam de qualidade questionável  (e, olha, são apenas dois em uma lista imensa de similares – que ficam entre a vibe Twilight e a vibe Millenium), os autores novos e que mantém aquela gloriosa vibe pós-hippie de autores desconhecidos e suas poesias revolucionárias podem encontrar uma alternativa mais lucrativa, viável e com distribuição de Paulo Coelho. Mesmo sem fazer um milhão.

E nós, leitores, sempre refocilamos na alegria da variedade. Claro.

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