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12 de março de 2012 por Vinicius Perez

SXSW, o sol texano e o Anonymous

por Carla Mayumi 

Terceiro dia, ao meio-dia o sol saiu e alegrou os participantes do festival. Deu pra
caminhar pelas agradáveis ruas de Austin para “grab lunch”. Agora sim parece o Texas.

A informalidade e a quantidade de gente no SXSW deixa todo mundo – mesmo os
tímidos – à vontade pra sentar em qualquer mesa onde haja uma cadeira sobrando.

Numa dessas “sentadas” conheci uns meninos animadíssimos que criaram o site
Cerealize.com. Como se navegasse rapidamente por links, da conversa já fiquei
sabendo da iniciativa Startup Bus. Daí foi um click para ter acesso a algumas das
ideias mais inovadoras saindo das cabeças dos jovens empreendedores dos EUA.

O Startup Bus é um ônibus que saiu de 10 cidades americanas 4 dias antes do SXSW e
levantou equipes para criarem suas startups, durante a jornada, dentro do ônibus, com
protótipo e tudo. Eram 9 passos que tinham que ser cumpridos para chegarem às
finais. Uma bela lição de empreendedorismo digital.

Bom, além da ideia já ser legal, eles colocaram uma dimensão de “gamification”. Qualquer pessoa podia participar e de forma fictícia comprar ações das startups, fazendo com que a coisa toda parecesse ummercado de ações. Um “like” pra ideia. Adorei a frase de um dos caras: “não estou aqui pra brincar”, frase típica de quem participa de reality shows.

Como é minha terceira participação no SXSW, minha expectiva é bem alta. Então de
tudo o que vi, poucas coisas me deram aquela sensação de “nossa, isso abriu meus
horizontes de verdade”. Mas tenho um destaque: o projeto Wishforthefuture.com.

Talvez por falar de futuro e de desejos para a humanidade… talvez por trabalhar com
crianças… A pergunta que abre o site é do Buckminster Fuller, um cara que estudou em
Harvard e foi expluso de lá. Foi um pioneiro em inventar coisas que viraram realidade.
Ou seja, pensava inovação já nos anos 50. A pergunta é “How do we make the world
work for 100% of humanity?”.

O projeto está visitando diferentes lugares nos Estados Unidos (por enquanto), com uma metodologia de “participatory storytelling”, ou seja, criar histórias de forma colaborativa, com um resultado final que eu acho bem romântico: criar cápsulas do tempo para serem enterradas por 100 anos e serem reveladas só então. Gosto do processo: de forma colaborativa, seja pela internet ou através de encontros presenciais grupos multidisciplinares e mesmo intergeracionais.

Eles estão gerando desejos (wishes), discutindo estes desejos, desenhando ideias para
resolver as questões levantadas, e por fim fazendo as pessoas colocarem a mão na
massa e criando protótipos das ideias, como a da foto do avião sustentável. Próxima
coisa a fazer é entrar no site, explorar os sonhos das outras pessoas e postar o seu.

A palestra que compartilhou tudo isso e fez a gente trabalhar para chegar no “protótipo”
em uma hora foi Prototyping the Future.

Mas vamos ao que foi o ponto alto de tudo até agora pra mim: o filme “We are Legion”.

Acompanho de longe o movimento do Anonymous e tenho tido a sensação de que esse movimento representa algo muito importante da nossa era: a criação, na rede, de
princípios éticos, da forma mais aberta e colaborativa possível.

O filme foi uma aula sobre como o poder de quem domina a internet tem a capacidade de mexer com o sistema. “Já nos chamaram de simpatizantes de terroristas, crianças, cyberbullies, hooligans. Às vezes esses termos não são totalmente errados, mas este é, sim, um movimento político sério”, declara Peter Fein, uma das caras do Anonymous.

A aula conta o começo de tudo, falando sobre o 4chan.com, passando pelos memes, a guerra
particular com a igreja Scientology, e vai até movimentos recentes como a primavera
árabe e o “Occupy”. Dá pra ler mais aqui, nessa matéria publicada em fevereiro na Folha, que dá uma visão geral legal sobre o filme.

E claro que o filme também atiça a curiosidade humana (ou pelo menos a minha), de querer saber quem são os rostos por trás do anonimato. Sim, além dos mascarados alguns Anonymous falam de cara limpa no filme. Deixo aqui a última frase, dita pela Mercedes: “your opinion matters.”

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