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25 de abril de 2012 por Mário Guidoux

Passagens Sob(re) o Eixão – 0E1 Arquitetos

O IAB do Distrito Federal organizou um concurso de arquitetura para a revitalização das passagens de pedestre sob o Eixão (a saber, um conjunto de vias com 170 metros de largura que atravessa Brasília de norte a sul).

O escritório portoalegrense 0E1 Arquitetos resolveu ir contra o edital do concurso e propôr que os pedestres passem por cima da via, utilizando semáforos sincronizados. Abaixo segue o texto enviado ao concurso.

Prioridades

Brasília é uma utopia construída que hoje paga seu preço. A lógica modernista que prioriza o transporte automotivo gerou uma cidade que impossibilita o trânsito de pedestres. É tempo de escolher entre continuar perseguindo utopias ou encarar a realidade de maneira objetiva.

As recorrentes melhorias nas passagens subterrâneas, embora válidas a curto prazo, são apenas uma solução paliativa. Devemos fazer uma reflexão profunda acerca do real problema. Trata-se da resolução de um problema de arquitetura, a travessia de pedrestres, e não da tentativa de adaptar uma solução que, ao longo dos anos, visivelmente não se adequou ao cotidiano da cidade.

A proposta aqui apresentada obedece ao instinto primitivo do ser humano de sempre procurar percorrer a menor distância para atingir o seu objetivo. Através da legitimação da travessia de pedestres sobre a via, substitui-se a solução atual, orientada ao automóvel, pela tendência natural de priorizar o transporte peatonal e ciclístico, mais sustentável e saudável.

A proposta

Optou-se pela mais simples, barata e natural das formas de travessia peatonal: a faixa de segurança com semáforo. Ao manter a travessia no mesmo nível da calçada, democratiza-se o acesso aos dois lados do Eixão. Pedestres, cadeirantes e cliclistas podem atravessar sem interrupção e sem troca de nível, reduzindo o tempo de passagem e garantindo a segurança de todos.

Mobilidade Urbana

A proposta busca incentivar o transporte sustentável em todas as suas formas, seja pela ciclovia, localizada no canteiro dos eixinhos, que atravessa sem interrupção toda a extensão das duas asas ou pela facilitação do acesso às paradas de ônibus que se localizam ao lado das travessias, com quiosques comerciais sob sua cobertura.

Brasília foi projetada objetivando a movimentação ininterrupta de veículos ao longo do Eixão. Levando em conta este aspecto do Plano Piloto, são propostos semáforos sincronizados pelo sistema de onda verde, que permite o tráfego constante.

A cidade que queremos

Na conclusão de seu relatório, Lúcio Costa discorre sobre como o chão deve ser restituído aos pedestres.

Meio século depois de sua inauguração, Brasília mostra claros sinais do desejo dos pedestres em retomar esse chão para si. Nos arredores das paradas de ônibus, existem inúmeros caminhos alternativos traçados pelos pedestres, resultado da busca constante pelo menor percurso.

A cidade que propomos liberta o pedestre das amarras dos percursos traçados a priori, garantindo o livre arbítrio e aumentando a segurança de todos.

11 comentários para Passagens Sob(re) o Eixão – 0E1 Arquitetos

  1. Eixão

    O júri de altíssimo nível do concurso das passagens, composto por 7 (sete) membros de Brasília e
    apenas 1(hum) de São Paulo, ainda assim indicado pelo IAB-DF, decidiu distinguir com Menção Honrosa
    a proposta de implantar uma faixa de pedestres atravessando o Eixão, com semáforos para os veículos!
    Pois saibam vocês, integrantes do júri de altíssimo nível, que esta foi uma piada de mau gosto e que
    os arquitetos e o resto do povo deste país estão cansados de ser ludibriados pelo pessoal de Brasília.

    Cordialmente.
    Cláudio Moschella

    • Caro arquiteto Cláudio,

      qual atitude o senhor esperava do juri?

      • Mário Guidoux,

        Não entendi bem sua pergunta, mas o que eu esperava do júri era um mínimo de inteligência para entender que passagens de nível jamais funcionaram, tanto em ruelas da cidade ou avenidas de grande movimento, como é o Eixão.

        Abraço,
        Cláudio Moschella.

        • Sérgio disse:

          “passagens de nível jamais funcionaram, tanto em ruelas da cidade ou avenidas de grande movimento, como é o Eixão”

          Eu ia argumentar mas depois dessa desisiti. Cada um que aparece…
          Fantástico o projeto! Parabéns

  2. Arquiteto Cláudio,

    esse projeto buscou responder a uma pergunta diferente da feita pelo edital.
    Ao invés de “como podemos melhorar passagens subterrâneas de pedestre?”, optou-se por responder ao mais pertinente questionamento “como podemos melhorar a travessia de pedestres como um todo?”

    um abraço e obrigado pelos comentários

    • Prezado Mário Guidoux,

      Não acho que implantar uma faixa de pedestres de 170 metros de comprimento seja “como podemos melhorar a travessia de pedestres como um todo”.

      Abraço.
      Cláudio Moschella.

  3. Cecília Sá disse:

    Mário,
    sou de Brasília, moro em Porto Alegre e adoro minha cidade, apesar de ter inúmeras críticas. E entre elas a desse corte estuprador que o eixão, lindo, provoca ao pedestre. Brasília é uma cidade deliciosa para andar de bicicleta (por dentro das superquadras). Repleta de árvores, plana, com clima predominante de vinte e poucos graus…Mas impossibilita a vida do pedestre: pouquíssimas calçadas, sem percursos transversais seguros e agradáveis, e ainda essa priorização ridícula do carro.

    Achei a proposta de vocês sensacional! É ousada, mas absolutamente respeitosa em sua forma e conceito. Não agride a paisagem, não modifica os usos, prioriza o ser humano e contribui para o início de um pensamento avançado sobre como devemos proceder em relação a nossas cidades, sejam elas tombadas ou não. Porque na boa, o problema de fluxos é de todas as grandes cidades. Mas essa mordidinha, esse pequeno beliscão em forma de projeto, nos faz rever Brasília sem nos sentirmos ofendidos.

    Parabéns, pessoal.

  4. Cecília Sá disse:

    E numa boa, Cláudio Moschella, 170 metros é uma distância insignificante dentro da cidade. Só para os brasilienses, que pegam o carro para ir a padaria de sua própria superquadra, e que acham um absurdo completo ter que estacionar a mais de 10 metros, é que andar esse trajeto seria problema.

    • Prezada Cecília Sá,
      Conforme informado no Edital, pelo Eixo Rodoviário circulam por dia quase 80.000 veículos, a uma velocidade média de 60km/hora. Não vejo como barrar esse fluxo com semáforos, em todas as passagens.
      Seria paralisar Brasília. Mas veja bem, não estou criticando o projeto, mas sim os jurados que deram a menção honrosa.
      Cláudio Moschella.

  5. marizelia coregliano disse:

    O projeto é uma bobagem!
    Tem erros de fundamentalção.

  6. Gustavo disse:

    Hei, tive uma idéia genial! Cortem as pernas das pessoas, coloquem todas em cadeiras de rodas motorizadas e teremos a cidade dos sonhos! Pois é de conhecimento de todos que a maior parte dos problemas do trânsito são culpa dos pedestres, seguido apenas das multas por exesso de velocidade. Acho que Ford chegou a se gozar no tumulo!

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