Música Tops
04 de maio de 2012 por Vinicius Perez

5 lições que aprendemos com os Beastie Boys

MCA (ou Adam Yauch ou até Nathanial Hörnblowér) se foi hoje, depois de lutar contra um câncer que, por anos, tentava acabar com seu direito de festejar. Grande cara que, junto com os outros dois Beastie Boys, veio dando várias dicas de bandeja ao decorrer das décadas para uma boa estadia no planeta Terra:

Valorizar seu caminho, ele fez quem você é agora

My name is M.C.A. and I still do what I please

Curta de meia hora dirigido pelo próprio MCA visita o clássico Fight For Your Right to Party e os Beastie Boys do passado (Seth Rogen, Elijah Wood e Danny McBride) azucrinando as ruas da cidade e celebrando a juventude em 1986 até encontrarem os Beastie Boys do futuro (Will Ferrell, John C. Riley e Jack Black).

Como uma metáfora para aquela sensação peculiar que é olhar para o passado, ambos Beastie Boys duelam em misto de breakdance com guerra de urina, exatamente como tem que ser.

Enfim, os Beastie Boys te fazendo notar que se tu não tivesse tido os mesmos amigos, lido os mesmos livros, ouvido as mesmas músicas e feito as mesmas merdas, bom, talvez tu soubesse administrar as finanças melhor, mas talvez tu também não passasse de um coxinha.

Saber escolher suas batalhas 

Every action that we take affects everyone, so in deciding for what a situation calls, there is a path for the good for all

Não sei vocês, mas a minha adolescência foi embalada por Fighr for Your Right (to paaartyy) de segunda a segunda. E, mesmo achando que muito bioquímico brilhante teve seu futuro arruinado por esse mantra, ainda hoje noto que foi a melhor idéia que eu poderia ter na época.

Mais alegria, menos geometria.

Mas vamos ampliar esse conceito. Pensa bem, tu ai, todo jovem adulto, com teu emprego/estágio, mais um monte de cadeiras na faculdade e uma pressão insuportável pra conseguir pegar alguém. Quando é que tu consegue parar e aproveitar a vida. Sem fazer planos nem ter nenhum conceito pré concebido, só tu e a vida, ali, na brisa.

E tudo deixando de ser tão grande e definitivo, de ser tão insuportável. Esse é o poder da diversão, meus amigos. E quando usado com sabedoria, ele pode nos guiar para lugares incríveis que sequer imaginávamos que existiam.

Eis a importância de saber lutar por seu direito a se divertir, bruv.

Por que tão sério? 

Your mom busted in and said, “What’s that noise?” Aw, mom you’re just jealous – it’s the Beastie Boys!

É, a vida não é fácil. Mas mais difícil que a vida é aturar mimimi, admite. Se mimimi resolvesse alguma coisa, o Charlie Brown teria um crânio de tamanho mediano e a garota ruiva seria um personagem com nome e tudo mais.

Mas, mais que isso, a Paglia nos diz que aceitar a realidade da existência não conduz à tristeza, mas ao humor: “Pois a vida não é uma tragédia, mas uma comédia. A comédia nasce do choque entre Apolo e Dionisio. A natureza está sempre puxando o tapete debaixo de nossos pomposos ideais.”

Disso os Beastie Boys sempre souberam. E, como bons sábios, passaram o recado adiante.

Decidir o que quer e lutar por isso

Time to speak up and not turn away, make the sun shine when it’s cloudy and gray

Ta ligado como é muito mais fácil descobrirmos o que não queremos do que saber o que, de fato, queremos, né? Não que eu ache que em algum momento da nossa vida vamos saber tudo de tudo, já que sempre estamos descobrindo, aprendendo, mudando. Mas quando descobrimos uma coisa que queremos, pode notar, parece que até um micro-segundo fez toda a tua vida valer a pena.

Claro, nem sempre o que queremos nos quer de volta, então toda a luta deve esbarrar no limiar da dignidade, essa qualidade tão importante e tão negligenciada.

Mais ou menos como os quatro caminhos para a felicidade, do Epícuro:“Não tema Deus/ Não se preocupe com a morte/ O que é bom é fácil de conseguir/ O que é terrível é fácil de suportar”

Ser muito foda 

So this is what i’ve got to say to you all, be true to yourself and you’ll never fall

Só o fato de ser fisicamente impossível ouvir Gratitude sem tremer deixa claro o quão foda eles são. Além da raiz punk, de misturar AC/DC com rap pra debochar do Motorhead, de gravar disco instrumental, de ter um DVD filmado pelos fãs, eles moldaram a música contemporânea e influenciaram todo mundo.

What’s gonna set you free
Look inside and you’ll see
When you’ve got so much to say
It’s called Gratitude, and that’s right


6 comentários para 5 lições que aprendemos com os Beastie Boys

  1. Marcelo Noah disse:

    Emocionante! Fuck yeah! Yo!

  2. Quico disse:

    baita texto vini!

  3. Ferretti disse:

    Muito bom o texto, curto e direto mas belo e com final apoteótico, mandou bem!

  4. marimessias disse:

    Obrigadas, foi sincero de nossa parte (e vocês são uns queridos)

  5. Clarisse Barcellos Lima disse:

    emocionante, principalmente pra quem veio de lá, dos apavorantes anos 80 e ta com os 40entinha…me lembro da primeira vez que os ouvi. Adorei o texto.

  6. Luciana disse:

    Sem dúvida os Beastie boys mudaram vidas,a minha está nessa lista

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