Eventos Ponto e Vírgula
04 de junho de 2012 por marimessias

Essa tal liberdade

Boa parte do meu pensamento como estudante estava baseado em três pessoas, o Richard Stallman era uma delas. Por isso, hoje quando eu me dirigi para a palestra dele, não nego que estava empolgada bagarai.

Seria bem pouco dizer que Richard Stallman, criador do Projeto GNU, é um ativista do free software. Possivelmente porque, como qualquer pessoa que leve a sério o free, ele sabe o quão equivocado seria pensar na possibilidade de uma sociedade digital incrível em uma sociedade humana apenas medíocre.

E é por esse impulso e essa integração que ele ressalta que o free software é bastante diferente de seu irmão apolítico, o open source. E a diferença está onde colocamos a enfase: ainda que alterações abertas sejam importantes, a base de toda essa cultura é a liberdade.

Ainda nessa troca, a sociedade digital pode facilitar pressupostos sociais equivocados, como a idéia de que todos são culpados até que se prove o contrário, não o oposto. Isso aconteceria através da vigilância e indexação de informações que vão além do “mais louco sonho do Stalin”. Além disso, ele ainda nos lembra que por mais que achemos alguma coisa desagradável ou até insuportavelmente horrivel e desagradável e grotesca, censurar a expressão dessa coisa costuma ser uma opção muito pior que a existência dela.

Por outro lado, em uma sociedade ética, free, vivenciamos a importância da honestidade, do hábito de ajudar, trocar, aprender e ensinar.

E uma das partes mais belas da palestra do Stallman foi relacionada a ensinar e aprender. Para ele, escolas, faculdades e afins éticas jamais esqueceriam que o meio é a mensagem e usariam apenas free software, por alguns motivos.

Primeiro porque estabelecimentos de ensino são lugares de troca, então um software que não possa ser dividido por todos é o oposto disso. Mas também pelos formatos restritos, que são aqueles formatos “secretos”, onde tu não tem a propriedade do que tu criou, já que só pode usar com um software pré-determinado (logo, a posse é do software, sacou?). A restrição de formatos, para ele, existe com intuito de criar um mercado, uma produção e uma distribuição fechadas. E tudo isso é o oposto de aprender, afinal. Ou ao menos deveria. Além do que, a guerra contra dividir é uma guerra, em última instância, pelo lucro e isso também não tem nadaver com aprendizado.

Mas também, ensinar técnicas em softwares fechados costuma ser mais aprender formatos específicos que aprender técnicas universais.

Mais ou menos assim: tu não é um editor de vídeo, tu sabe usar o Final Cut.

Poderia ficar pelo menos mais três horas escrevendo tudo que aprendi hoje, sobre internet, sobre ser humano, sobre ser uma criatura melhor. Mas vou resumir tudo isso a uma frase curtinha, sobre softwares (mas que pode ser transposta para a maior parte das coisas que existem na sociedade digital ou na sociedade humana): ou os usuários controlam o programa, ou o oposto ocorre.

A palestra do Richard Stallman foi aberta, realizada com o apoio do Gabinete Digital, que é uma iniciativa do Governo do RS, onde as pessoas podem se comunicar com o governador através de quatro ferramentas disponíveis no site. É bem interessante a idéia, da uma olhada lá.

5 comentários para Essa tal liberdade

  1. Teles Maciel disse:

    Legal! Não pude comparecer à palestra do Stallman aqui em SP, mas também sou um estudante das ideias do cara.
    Realmente ele é um cara que coloca a liberdade acima dos valores utilitários e não apenas fala, como dá exemplo de suas ideias.

    • marimessias disse:

      Né. Acho que gente feito ele é uma boa lembrança de como podemos ser foda, se quisermos.

  2. salsik disse:

    Boa Mari! Li um livro legal do Rushkoff sobre isso: Program or be Programmed!

    • marimessias disse:

      Bah, sempre dicas ótimas. Obrigada por mais essa. Heheheh \o/

      • salsik disse:

        Ping Pong ;) bjo

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