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11 de junho de 2012 por marimessias

Ponto Entrevista: Letícia & Kátia

Assim de cara tu pode nem te ligar em quem são a Kátia e a Letícia, mas se eu contar a história tu lembra: elas são a força propulsora por trás de uma decisão histórica do Superior Tribunal de Justiça. No dia 26 de outubro (meu aniversário!) de 2011, cinco votos contra um decidiram que elas poderiam se casar. Mesmo sendo uma decisão para o caso específico delas, isso abriu precedente para que muita gente pudesse tentar o mesmo.

Acontece que o caminho para chegar aí não foi exatamente agradável. Antes disso elas tentaram o casamento civil em cartórios e o pedido foi negado. Entraram com um recurso, que também foi negado. Foram ao TJ-RS, que não só negou como usou argumentos totalmente incompreensíveis e escrotos. Só então elas foram ao STJ, onde conseguiram a permissão (!!) para realizar o casamento.

Da primeira vez que liguei para a Letícia para explicar a entrevista e ver se rolava, perguntei qual ela achava que era a luta mais pertinente para a militância LGBT atualmente. Ela me respondeu sem nem precisar pensar: isonomia. Eu nem fazia idéia do que isso queria dizer, então fui procurar e descobri que isonomia, ou princípio da igualdade, é aquele princípio jurídico que diz que todos são iguais perante a lei.

E, putz, isso me deixou com um aperto foda no peito.

Aconteceu que eu parei pra pensar e me liguei que apesar de todo amor que elas tem e de toda essa luta que nos deixou mais distante dos medievalismos, o que elas pediram foi só o básico. Feito diz João: Deus é amor e quem está em amor está com Deus.

Por isso é que, se lá no começo quis entrevistar a Kátia e a Letícia pelo poder da vitória delas no STJ, admito que depois de conhecer melhor as duas e me dar conta de tudo isso só pensava em o quanto elas tinham para nos ensinar, a todos, sobre como ser fortes, doces e  genuínas.

Então, o maior Dia do Orgulho Gay do país acabou e nós convidamos vocês para embarcar nessa jornada em busca da isonomia e do amor, com nossa semana LGBT, gloriosamente inaugurada por essa belezinha de Ponto Entrevista com a Letícia e a Kátia.

Senta e te prepara pra viagem.

Queremos chegar num ponto em que não precisaremos mais discutir isso. Alguém discute quando um casal heterossexual vai casar? Não, porque é um assunto privado, normal.

PE- Vocês falaram que inicialmente nem eram militantes, que decidiram se casar mais pelos motivos práticos, mesmo. Quais as grandes diferenças entre casamento civil e união estável? As grandes vantagens que vocês buscavam ao optar por ele?

KÁTIA - A grande diferença é o direito, e a gente lutou para ter o direito de casar. Isso é uma questão de cidadania e não uma questão restrita à militância LGBT. Quando as pessoas ainda tem que lutar pra receber uma autorização na justiça pra casar, é porque a justiça não reconhece a igualdade dessa relação e isso significa que, se tendo apenas a união estável, acontecer algo a uma de nós e precisarmos da justiça e ela não tiver processos de referência para servirem de base, vai decidir somente com a moral do juiz destacado para julgar aquela demanda e não com base na demanda da sociedade.

Quando as pessoas ainda tem que lutar pra receber uma autorização na justiça pra casar, é porque a justiça não reconhece a igualdade dessa relação

LETÍCIA - O casamento é irrefutável, inquestionável. Os direitos adquiridos através da união estável podem ser questionados pela família. O que procuramos foi o direito de escolha. É como acontecia no apartheid: se você tivesse uma cor diferente da caucasiana, você era proibido de votar, de entrar na mesma porta dos brancos, de tudo. Ainda hoje as pessoas pensam assim, um exemplo disso é a falta de isonomia. O casamento civil é apenas um reconhecimento do Estado aos cidadãos, do que já acontece na vida prática.

PE – Além do que vocês já sabiam que mudaria quando decidiram casar, o que
mais mudou na vida e na visão de mundo de vocês, depois do casamento?

KÁTIA - Nós não casamos. O acórdão (da decisão do STJ) foi publicada há apenas 2 meses, e não programamos nada a respeito ainda. Mas sinto que essa decisão facilitou e facilitará as decisões posteriores e trouxe o assunto à tona. Casamento em cabeça de juiz sempre foi uma coisa sagrada exclusiva a famílias tradicionais e no STJ todos os argumentos desfizeram esse engano grosseiro. Juízes menos seguros não mais precisarão romper esse tabu para dar um voto favorável. A partir disso, eu, particularmente, me tornei muito mais ativa na luta pela igualdade e fiquei muito feliz em perceber como as todas pessoas ao meu redor (familiares, amigos, colegas, conhecidos e desconhecidos)
apoiaram o processo.

LETÍCIA -Nada mudou, na nossa vida prática nada, depois da decisão. Na minha percepção, o que foi incrivel foi ter ouvido os votos dos ministros do STJ e seus respectivos argumentos. Recomendo que as pessoas façam o download e leiam, é de arrepiar.

Não pode o Direito – sob pena de ser inútil – pretender limitar conceitualmente essa realidade fenomênica chamada “família”, muito pelo contrário, é essa realidade fática que reclama e conduz a regulação jurídica.

PE – Durante esse percurso, qual o argumento mais imbecil vocês já ouviram
de pessoas que eram contra o casamento, não só de vocês, mas de
qualquer casal não heterossexual?

KÁTIA - Por mais incrível que pareça, foi no julgamento do TJ/RS, onde tivemos os 3 votos contrários à nossa solicitação e um discurso raivoso e desproporcional do promotor do MP, que confundiu a questão da homoafetividade com a da monogamia, dizendo que se não tivermos um limite daqui a pouco chegariam casais de 3 homens com 2 mulheres querendo casar.

LETÍCIA - O argumento mais grotesco que ouvi foi do Ministério Público do RS, impensável, inacreditável. Mas, de um modo geral, a recepção de amigos e conhecidos foi incrivel, super positiva. Tivemos muito apoio de pessoas neste caminho e muitas delas acabaram ficando nossas amigas.

PE – Vocês tem algum conselho ou dica pros jovens que, certamente, terão que enfrentar muita ignorância e bullying, como Letícia fala que enfrentou no colégio e vocês acabaram enfrentando até de juízes quando decidiram casar?

KÁTIA - Acho apenas que devemos sempre levar a vida com muita dignidade, pois isso traz o respeito das pessoas à nossa volta, independente das suas particularidades. O primeiro passo para ser respeitado é esse respeito vir primeiro de nós mesmos. Entender a
ignorância alheia também ajuda muito.

(amor é) quando você sabe que o outro (a) é alguém pra vida toda, acima de tudo, acima de todos.

LETÍCIA - Bem, a única coisa que eu digo é que não é fácil, mas você é mais forte que isso. Temos que aprender a lidar, respirar fundo e seguir buscando uma vida melhor, mais digna. Hoje em dia as pessoas tem mais aceitação, tem mais liberdade e mais segurança por parte do Estado. Isso é ótimo e queremos chegar num ponto em que não precisaremos mais discutir isso. Alguém discute quando um casal heterossexual vai casar? Não, porque é um assunto privado, normal.

PE – Por fim, digamos que uma pequena nave espacial caiu no jardim de vocês e um alien de uns 90cm desceu por uma escadinha metálica, caminhou até vocês e perguntou “o que é o amor”. Como vocês responderiam?

KÁTIA - Eu diria: experimente e me conte o que achou.

LETÍCIA - Rá…dificil…mas, é quando você sabe que o outro (a) é
alguém pra vida toda, acima de tudo, acima de todos. E, no meu caso,
de outra vida também.

22 comentários para Ponto Entrevista: Letícia & Kátia

  1. Antes de tudo, queria parabenizar a iniciativa da semana LGBT. Quer dizer, sabemos que apoio assim existe e que 2012 trouxe tanta liberdade para todos os movimento, que pensar em preconceito (em certas áreas do país) pode parecer nostálgico. Porém, ele existe. Ele existe e aparece cada vez que o casamento gay é discutido ou que a adoção por casais homossexuais é levada em debate. Como a entrevista cita, casos assim não deviam ser contestados – é um direito civil e humano, então, qual a base para se negar? Acredito que existe uma linha tênue entre a “luta pela causa” e a banalização e bagunça – onde, no segundo, muitos aderem apenas para ser mais um número e não acrescentar nada. Pensam com preconceito mas fingem normalidade, como uma máscara moderna comum. Trazer à tona entrevistas e casos bacanas como esse, nos lembram do quanto ainda é preciso trabalhar para acabar com julgamentos errôneos, e o quanto já se foi lutado. O que, na verdade, é de dar orgulho.

    • marimessias disse:

      Valeu, Ana. Muito legal (e certeiro) teu comentário. E, puts, a Kátia e a Letícia são, mesmo, fodas. Imagina que elas aceitam expor sua intimidade para trazer luz prum tema que, convenhamos, não faz o menor sentido ser polêmico. Mas é.
      Quase uma aula de compaixão.
      Foda.

  2. Luiz disse:

    Só para retificar: é Supremo Tribunal Federal (STF) ou Superior Trinunal de Justiça (STJ) e não Supremo Tribunal Superior. Coisa pequena, mas como as notícias se replicam na internet é melhor corrigir.

    • marimessias disse:

      Bah, valeu Luiz. Admito que SOFRI para quase-compreender os conceitos (que dirá nomenclaturas). Hahaha.

      • leticia disse:

        É SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA porque trata de CÓDIGO CIVIL, se tivesse ido ao STF – Supremo Tribunal Federal , teria virado lei. Mas, no STJ a côrte optou por criar apenas jurisprudência. O STF julgou UNIÃO ESTÁVEL e o STJ julgou CASAMENTO CIVIL, é diferente. abç, leticia

  3. Ingrid Strelow disse:

    Conheço a Kátia e a Letícia e tenho o privilégio de dizer que são minhas amigas. Uma coisa que me ocorre ao ler a entrevista é que elas não enfeitaram nem dramatizaram a realidade.

    Viver em parceria para uma vida e sentir afeto independe do gênero. Isso é uma coisa que, infelizmente, a justiça não conseguiu compreender. E afeto essa dupla tem de sobra. Não apenas uma pela outra, mas pela vida, por outras pessoas. A questão do reconhecimento do direito ao casamento é tratada como se tivesse a ver com o número de parceiros que as pessoas têm ao longo da vida, ou de se há fidelidade ou lealdade… Então isso vira uma grande confusão, especialmente quando o desconhecimento (ignorância) está envolvida.

    Parabéns pela iniciativa!

  4. Letícia disse:

    Não sou contra homossexuais de nenhum sexo, porém, sou contra OBRIGAR a gostar. Vocês (mesmo sites como esse, feito por alguém que se for jornalista, não leva jeito pra isso) lésbicas obrigam que achemos bonito essas festividades homossexuais. Eu sou contra todo tipo de violência, cada um cuida da sua vida, mas você e a grande maioria desses blogs xaropes deveriam obrigar a forçar a gostar. Se você não gosta de futebol, ninguém obriga você a gostar. Daqui a pouco a liberdade vira prisão: você será obrigado a fazer saudação pra homossexuais , bandidos, drogas e pra gente que faz site de plástico 1,99.

    • marimessias disse:

      Eu tenho muita dificuldade em entender pessoas que comparam a vida pessoal/afetiva alheia com um esporte de estádio, mas enfim.
      Não existe obrigação de gostar de nada nem ninguém. Aliás, tem gente que nutre tanto ódio por tudo que deveria, mesmo, se esconder numa caverna e só sair de lá quando aprendesse a sentir algo diferente. Deveria, mas não é obrigação, é bom senso. Acho que existe é a obrigação de cobrar que sejam permitidas todas as maneiras de existir. Enquanto metade do mundo continuar passando por problemas graças a estupidez e incapacidade intelectual alheia, vai continuar rolando essa porcaria, onde pessoal acha que todo ódio está protegido pela liberdade.
      BTW, saudar drogas é coisa de Rastafari. BTW 2, é favor não me saudar.

  5. Rita Cássia disse:

    Olha, achei a reportagem excelente,mostrou duas pessoas que se amam,que querem viver suas vidas sem distinção de nenhum modo.É difícil entender tantos obstáculos que colocam diante de um casal que apenas quer estar em paz.Imagine você só querer estar com quem ama e vê sua relação associada com todo tipo de perversão e desvio de conduta.
    Não me senti coagida a nada, não sofri nenhum abalo na minha heterossexualidade,mas fiquei muito triste e com muita vergonha de quem sempre associa homossexualismo a algo sujo,que se deva temer,isso sim é algo que todos têm a obrigação de lutar contra.
    Medo de ter que fazer saudação pra homossexuais? REALLY? Você não é contra homossexuais,só é contra que eles tenham os mesmos direitos e visibilidade que os heteros.Ah bom,ufa,quase pensei que era preconceito.

  6. Letícia disse:

    Querida acéfala,

    Eu não sou contra homossexuais, sou contra ser obrigado a gostar deles. Faltam para vocês bastante inteligência. Que eles vivam a vida deles, com direitos e deveres, como todos. Porém, não obriguem a gostar disso. Está virando uma ditadura ao contrário: ao invés de apenas exigir os direitos estão querendo os direitos E obrigar que se goste disso em todos os canais, internet e nas ruas. Como toda mulher, sofri muito desde cedo e só mais tarde consegui graças ao meu esforço o que tenho. Tenho meu salário e meu marido tem a profissão dele também. Não somos contra os homossexuais, mas, é um saco termos que ser obrigados a gostar disso. Meu marido é advogado. Muitos odeiam advogados. Não faremos campanha para que você goste de advogados. É isso que eu quis dizer. Caso queiram, eu mando um desenho.

    • marimessias disse:
      • Letícia disse:

        Aposto que você é uma geek que curte LP , gatinhos e já tentou ter algo com homens e não consegue com nenhuma opção sexual nada além. Vamos exigir que amem os que odeiam! Eu e os ‘haters’ temos os direito de existir, deveres e direitos, certo? Estou admirada que você deu o direito de escrever em seu blog. Desmarquei a opção de seguir essa conversa e esse blog. A própria autora afirma que não entende nada de nada e parece ser alguém muito insegura. Vamos criar a lei para pessoas inseguras. Apesar da maioria, como eu, ter pena de pessoas inseguras como você, que provavelmente não tem prole e caso tenha, deva usar como sua segurança, devemos proteger os teus direitos. Começo dando o exemplo de não mais voltar aqui. Isso que dá clicar em qualquer dica de site de buscas. Boas lambidas.

        • Nada me faz mais feliz do que perder leitores da estirpe dessa Letícia aí.
          Vai com Deus e não volta mais, por favor.

          • marimessias disse:

            Letícia, temos conceitos diferentes de debate. O meu não envolve projeção nem escrotidão. Assim como tu não é teu marido nem teus filhos e eu não sou o Oscar Wao, também tua opinião não é (nem deveria ser) a régua da verdade.
            E pare de fantasiar comigo, pfv.

        • gimi disse:

          tu parece um senhor de 60 anos falando: “por mim, cada faça o que quiser, mas longe de mim, né? pelo amor de deus”. essa tua lógica de ser obrigado a gostar deles, meu deus, meu deus. eu nem consigo construir um argumento, minha única reação é ficar balançando os braços enquanto sapateio em círculos de tanta confusão. a entrevista fala sobre RESPEITO E DIREITOS E IGUALDADE e pra ti FALAR DISSO é OBRIGAR TODOS A GOSTAREM DE GAYS. aliás, que porra é essa? pode não gostar de gays. eu mesmo tenho um conhecido gay, o fernando, muito esnobe, detesto ele.

          tava aflito mesmo lendo teus comentários, mas quando tu falou “eu e os ‘haters’”
          eu me acalmei, achei até bonitinho, ela xingando, subvertendo os ideias, a sociedade é um livro aberto pra ela, ela vê os padrões, lê as pessoas, entende todas motivações. é uma jogadora de xadrez da vida real. tá tudo claro nessa cabecinha hater e ela vai falar, doa o que doer! que bonitinha!

  7. Vinicius Perez disse:

    letícia usando camisa ’100% branco’ e falando “ué, se os negros podem, por que eu não? isso é racismo!”.

    letícia organizando a marcha do orgulho hétero e falando “é uma ditadura gay! daqui a pouco ser hétero vai ser errado!”.

    letícia na fila do show do danilo gentilli, falando “gente, essa patrulha do politicamente correto. nem chamar negro de macaco pode mais!”.

  8. @7onh disse:

    Excelente entrevista.
    “letícia”, não existe Supremo Tribunal de Justiça, no Brasil. Existe o Superior Tribunal de Justiça, que examina matéria cível e criminal, e o Supremo Tribunal Federal (o que vc pode assistir na TV Justiça), que examina a constitucionalidade de leis e decisões judiciais, em regra. Nenhum dos dois cria leis (quem faz isso é o Congresso Nacional), mas os dois são instâncias superiores e suas decisões, mesmo no caso concreto (como o de Letícia e Kátia), estabelecem uma orientação que deve ser seguida pelos juízes de instâncias inferiores. Estes juízes e tribunais de estados não estão obrigados a seguir a decisão do STJ, mas costuma segui-las, pois todos podem recorrer de suas decisões até o STJ e, ali, obter a decisão que pediram no início.
    E “Letícia”, vc não é obrigada a gostar de homossexuais. Nem de heterossexuais. Vc não é obrigada a gostar nem detestar ninguém. Mas se você for racional, não vai gostar nem desgostar de alguém PORQUE tem essa ou aquela preferência sexual. Isso é – deve ser – completamente irrelevante para a sua decisão de gostar ou desgostar. Acho que esse é o ponto.
    A propósito: o link do C.K. explica muito bem como funciona (ou devia funcionar) a coisa.
    abs

  9. Erico disse:

    O melhor das coisas é que a Leticia acertou sobre a Mari Messias. Hilario.

  10. marimessias disse:

    Bah, que canseira.
    Passei o dia recebendo recados de ódio em todas as redes sociais existentes. E nisso incluo esse tipo de comentário aí de cima, que me incita a prestar contas da minha vida privada como se eu devesse satisfações ou precisasse ter algum defeito muito grave pra estar existindo assim, dessa maneira tão reprovável.
    Sério. Vão comer uma Romãzinha com Hades.
    (que eu vou fornicar com mulheres e gatos e LPs, ou algo assim)

  11. Milton disse:

    Incrível. Esses argumentos à la Bolsonaro são detestáveis. Um dos principais é “primeiro eram proibidos, depois foram aceitos, daqui a pouco vamos ter que virar iguais a eles”. Esse é um dos principais absurdos, invocar a questão como se fosse uma “obrigação”. Não existe obrigação. Existe somente a aceitação da diversidade, que é uma condição primordial para qualquer grupo de humanos conseguir viver em sociedade. Aliás, quanto mais diversa é a sociedade, mais rica ela é (e isso é uma obviedade, o contato com as mais diversas culturas é altamente saudável). Esse tipo de pensamento do século XIX, em que a sociedade tem que ser controlada e o diferente (conceito muito relativo, por sinal) tem de ser banido encontra muito eco na direita. É, na verdade, uma vergonha que, em pleno séxulo XXI, ainda tenhamos que lutar por direitos civis para uma parte da população. Antes que me perguntem, sou heterossexual, mas considero que a opção sexual de uma pessoa não a faz diferente de mim.

    O meu pensamento considera o indivíduo o centro da tomada de consciência. A consciência, no caso, é de que “diferente” (novamente, diferente em termos, porque, aliás, todos somos diferentes, e é isso que nos torna indivíduos) é humano como eu, isto é, merece certamente todos os direitos que tenho (e e mereço os mesmos direitos que ele). Do mesmo modo, tem os mesmos potenciais humanos que eu e merece ser tratado da mesma maneira que eu. Não é muito complicado, é só enxergar as pessoas como humanas, e não como inimigas. Isso vale para opção sexual, nacionalidade, cor da pele, religião, ascendência…

  12. angélica fr disse:

    ótima entrevista, mari!
    parabéns!

  13. marcella disse:

    Pessoas como essa Letícia (me refiro a louca e não a entrevistada) são as típicas reprimidas. Tenho muita muita pena de você, minha querida. Espero que uma lhama cuspa e caia na sua cabeça pra ver se você presta atenção nos absurdos que você falou nos posts acima.

    Mari, parabéns pela entrevista! ;) Ficou excelente!

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