Comportamento Tops
12 de junho de 2012 por Vinicius Perez

Personagens gays que dispensam clichés

Ontem começou a Semana LGBT, onde vamos falar diariamente da situação dos homossexuais, sejam eles gays, lésbicas ou fictícios. Muito foi falado com a saída do armário do Lanterna Verde, mas sempre houveram grandes personagens que curtiam uma pessoa do mesmo sexo. Vamos aos favoritos?

Omar Little (The Wire)

Omar é um criminoso badass que tem um código moral muito grande, não mexe com ninguém que esteja fora da vida do crime e curte uns rapazes. The Wire é muito conhecida por ser uma das séries mais bem escritas da televisão, e o Omar só comprova isso: em uma série sobre crime organizado, a homossexualidade do personagem não é gratuita e colabora para o desenvolvimento da série. É o personagem favorito do Obama.

David Fischer (Six Feet Under)

Six Feet Under é uma série linda sobre uma família dona de uma casa funerária que acaba enfrentando os próprios fantasmas através dos cadáveres que chegam. David, o embalsamador da família, é o irmão gay que aprende a lidar com sua atração por homens no decorrer da série. Em um episódio ele precisa cuidar do corpo de um rapaz gay que foi espancando até a morte ou organizar o enterro ao lado do viúvo de um gay recém falecido ou simplesmente lidar com a paranoia de ser julgado. É muita cena foda, sem um pingo de caricatura, de uma sinceridade destruidora.

Alison Bedchel (Fun Home)

Ok. Essa história em quadrinhos é uma autobiografia, o que estraga toda a ideia dos personagens fictícios. Mas eu gosto tanto que não posso perder a chance de enfiar goela abaixo de alguém. A HQ é sobre o crescimento dessa mina lésbica e a relação dela com sua família, que é dona de uma casa funerária (de novo? agora é a hora que um conservador fala “homossexualismo é uma doença! só a criação em um ambiente mórbido justifica tamanha doença e perversão!” enquanto sacode um crucifixo no ar). Ela só descobre ser lésbica na faculdade, mesma época que começa a desconfiar que seu pai é gay e tem casos com rapazes pela cidade. A trama pode parecer pesada, mas a Alison Bedchel é uma mina extremamente engraçada e a leitura fica bem leve. Tem um trecho muito bom, onde a Alison nos conta como seu pai amava cuidar do jardim. Pra acentuar essa paixão ela cita um trecho de um livro do Proust, onde o narrador está descrevendo um jardim lindíssimo e no meio desse jardim há uma mulher igualmente lindíssima. A beleza de ambos são tão esmagadoras que o narrador não consegue distinguir o que é jardim e o que é mulher. Terminando de citar, Alison Bedtchel conclui: “Se já houve bicha maior que meu pai, foi Marcel Proust.”

Kaidan (Mass Effect 3)

O jogo Mass Effect 3, uma das maiores franquias da EA, veio com a opção de romances homossexuais, causando ira de grupos conservadores dos Estados Unidos. O mesmo aconteceu com “Star Wars: The Old Republic”. Os cristãos fizeram campanhas de boicote para os jogos, afirmando que o conteúdo era sexual demais para criança, o que é engraçado pois no Mass Efect 2 dava pra comer uma alienígena sem rosto (alienígena sem rosto!) e ninguém viu problema. Já no RPG Fable sempre rolou casamento gay, e no terceiro jogo é possível adoção, transgenderismo e mais. Tudo uma questão de opção, como na vida real.

E como isso é saudável. Através da ficção é mais fácil enxergar tudo com mais naturalidade e apego, fugindo da militancia didática que pode causar desinteresse ou descaso.

4 comentários para Personagens gays que dispensam clichés

  1. RG disse:

    As pessoas ainda confundem ‘homossexualismo” com “homossexualidade”, o que antes era visto como doença (ismo). Só para ratificar o texto do seriado Six Feet Under.

    • Valeu RG! Corrigimos lá!

      :)

      • Robson Borba de Freitas disse:

        Concordo com o RG. O sufixo “ismo” denota doença. Depois da década de 80, quando a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade da lista de doençaS, e os militantes LGBTXYZ lutaram arduamente para que se usasse, preferencialmente o termo homossexualidade. Porém, com a quebra de tabús e a maior aceitação do grande público para com os gays (independente do gênero), o termo homossexualismo perdeu seu tom pejorativo. Dessa forma, as duas terminologias são aceitas.

  2. Eularino disse:

    Six feet under era realmente muito legal… Pra enriquecer o texto, se tiver oportunidade, assista a série Happy Endings, prestando atenção no personagem Max. Abraços!

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