Arte
15 de outubro de 2012 por Vinicius Perez

Alan Bean

25 de agosto de 2012. Ohio. Aos 82 anos de idade, falece Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na lua. A comunidade científica, grata pela sua contribuição, o homenageia e recorda seus méritos. Fotos históricas dos seus trajes e da Apollo 11 pipocam nos jornais e na internet. Artistas e entusiastas também prestam suas condolências, afirmando que o astronauta jamais será esquecido. Enquanto isso em Houston, a mesma cidade da base responsável pelo primeiro pouso lunar, está Alan Bean. Ele é o quarto homem a pisar na lua.

Com a morte de Neil Armstrong, Alan Bean revive a mesma sensação que teve em 1969, acompanhando a missão Apollo 11 pelos computadores da base texana da NASA: aquele medo de saber que em breve também será sua hora de partir, agora para um destino ainda mais incerto.

A viagem de Alan foi apenas quatro meses depois do histórico pequeno passo para o homem e grande passo para humanidade de Neil, mas esses poucos dias foram suficiente para ofuscar qualquer status de celebridade científica que astronauta poderia adquirir. Mesmo que apenas 12 pessoas tenham pisado no solo desse familiar satélite natural, é perceptível a colocação menor do quarto lugar. É só imaginar um pódio: Neil Armstrong no degrau mais alto, Buzz Aldrin no segundo e Pete Conrad no terceiro. Até Pete havia conseguido alguns minutos nos holofotes interpretando ele mesmo em um filme para a TV chamado Plymouth (nota 5.2 no IMDb). A sorte de Alan Bean era menor: se fizessem um filme sobre ele, Nicolas cage provavelmente seria o ator contratado para o interpretar. Ser o quarto homem é como ser o Ringo dos astronautas. Até o décimo segundo homem na lua tem um lugar mais prestigiado que o quarto, assim pelo menos você é lembrado como a última pessoa a dar as caras por lá.

Talvez por esses motivos que Alan Bean decidiu fazer uma brusca mudança de carreira. O militar, piloto da aeronáutica, doutor em ciência, largou sua alta posição e decidiu virar um artista. A principal influência para qualquer artista são os acontecimentos de sua vida. Para Alan Bean foi diferente pois todos, todinhos, quadros de sua coleção consistem em auto-retratos de si mesmo andando na lua (mas não podemos criticar a obra monotemática, que outras experiências de vida vão te marcar depois de ter viajado no espaço?).

Dizem que a ciência e arte são muito similares e Alan Bean parece acreditar nisso: todos seu quadros são posteriormente esculpidos com as mesmas ferramentas que ele utilizou para recolher amostras na sua viagem espacial, além de misturar poeira lunar e partículas da Apollo 12 em suas pinturas.

Darren Hayman, músico britânico, compôs uma música sobre o astronauta, chamada, naturalmente, “Alan Bean”. A canção diz em certo momento, “Everyone will forget soon, the fourth man on the moon, but I’ve got it in my mind”. E é por isso que Alan Bean continua pintando: para manter viva a lembrança, mais para si do que para os outros, da maior aventura de sua vida (e também para ganhar algum dinheiro com a venda dos quadros, imagino eu).

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