Tecnologia
14 de janeiro de 2013 por marimessias

RIP Aaron Swartz

Se tem um post que eu preferia não escrever, é este. E digo isto sem ter conhecido o Aaron Swartz ao vivo, mas tendo sido tocada diretamente por muitas das coisas que ele fez e continuava fazendo. Ele, entre outros superhumanos, mudaram minha vida com sua capacidade de agir em conformidade com o que acreditam. Ou, segundo ele mesmo disse:

Não existe justiça em seguir leis injustas

Aaron Swartz foi um jovem programador, ativista e empreendedor por um mundo mais livre que cometeu suicídio na sexta passada.

Sua morte está associada a um quadro de depressão que foi severamente agravado pela perseguição política americana lançada contra esses ativistas e heróis. A perseguição contra o Aaron começou, conforme falamos aqui, graças a uma suposta tentativa de disponibilizar conhecimento acadêmico restrito para o grande público. Nós.

No seu Guerilla Open Access Manifesto Aaron explicava (mesmo sem ainda saber que isso aconteceria), por qual motivo ele viria a ser tão perseguido (podendo pegar até 35 de prisão) por um ato aparentemente só muito generoso:

Informação é poder. Mas, como todas as formas de poder, existem aqueles que querem guarda-la só para si.

Nos dias que se seguiram a sua morte, foram montados um memorial coletivo e participativo para esse geniozinho tão querido, um site que reúne o material produzido por ele e um site que agregou o #PDFtribute, uma iniciativa de acadêmicos e criadores de conteúdo, via twitter, que passaram a disponibilizar suas criações online e de graça.

Mas, acima de tudo, a morte do Aaron deixou um grande rastro de sofrimento e indignação entre os pensadores, ativistas e cidadãos que desejam uma internet (e um mundo) melhor e mais livre.

E ainda que tudo isso pareça bastante, certamente é só o começo de uma grande ebulição por uma internet (e um mundo) menos corruptos e inescrupulosos.

Então é isso. Deixamos aqui nosso muito obrigado ao Aaron Swartz por tudo que ele fez para tornar o mundo mais vivível e um convite para conquistarmos, juntos, esse futuro.

Veja abaixo algumas manifestações sobre essa perda terrível:

Segundo o Brewster Kahle, fundador do Internet Archive: “Aaron foi persistente em sua dedicação na construção de um mundo melhor e mais aberto”.

Segundo o Lessig, que trabalhou com ele na CC quando Aaron era uma criança, ainda: “Ele era brilhante e divertido. Um geniozinho. Uma alma, uma consciência, a fonte da pergunta que eu me fiz milhões de vezes: O que o Aaron faria nessa situação (WWAD)?”.

Segundo o Glenn Greenwald, ele não se comprometia com as causas nas quais acreditava apenas falando ou defendendo as mesmas. “Ele repetidamente sacrificou seus próprios interesses, e sua liberdade para defender esses valores e desafiar e subverter mesmo os inimigos mais poderosos. Isso é o que o torna, segundo a minha visão, tão claramente heróico”.

Segundo Cory Doctorow: “Aaron tinha uma combinação invencível de insight político, skill técnico e inteligência sobre as pessoas e seus problemas. Eu acredito que ele poderia ter revolucionado a política mundial. E talvez seu legado ainda o faça”.

Segundo Tim Berners-Lee: “O Aaron morreu. Viajantes do mundo, nós perdemos um sábio ancião. Hackers pelo bem, nós perdemos um homem. Todos os pais, nós perdemos um filho. Choremos”.

Segundo Jacob Appelbaum: “A morte do Aaron Swartz é uma enorme perda para a humanidade”.

Segundo Clay Shirky: “Ele fará falta tanto pelo que ele era, quanto (e acima de tudo) pelas coisas boas que pretendia fazer e nunca fará”.

Segundo Brigitta Jonsdottir: “Aaron Swartz era a personificação do futuro da informação e suas liberdades, que tanto prezamos. A internet era nossa casa em comum e, ainda que não o tenha conhecido ao vivo, sinto que perdi alguém da minha tribo. Ele era e continuara sendo uma inspiração para levar adiante a luta para manter a internet livre, selvagem e sem fronteiras.”

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