Moda
21 de março de 2013 por nina

A BRASILIDADE GENUINA NA SPFW

Foto: Bruno Santos / Terra

Os dois primeiros dias da 35ª edição do SPFW trouxeram uma moda divertida, colorida e brasileira para as passarelas – além de muita polêmica.

O resgate da brasilidade começa desde a decoração sustentável da Bienal, projetada pelos irmãos Humberto e Fernando Campana. A piaçava baiana envolveu as colunas de Oscar Niemeyer, transformando-as em enormes palmeiras. Bancos de vários níveis simbolizam os troncos das árvores. As paredes foram revestidas por encaixes e dobraduras douradas, iluminando o ambiente e criando um contraste entre o natural exótico e o glamour fashion.

Foto: msn.lilianpacce.com.br

Na primeira noite de desfiles, a Cavalera uniu a soul music americana com a alegria do povo do Carnaval. Ao lado de Toni Tornado, a marca transformou a passarela em pista de dança. Os modelos entravam em duplas com músicos, dançarinos e outros modelos dançando e interagindo ao som de Tim Maia e James Brown.  A maioria dos modelos eram negros, fato raro  na moda nacional e internacional. Todos dividiam uma alegria contagiante, presente no conceito e nas peças estampadas e ultra coloridas.

A inspiração da coleção veio do programa da TV americana dos anos 70 chamado Soul Train, o primeiro dedicado à cultura negra. Toni Tornado foi um dos responsáveis em trazer este movimento para o Brasil, por isso sua presença comandava o desfile.

No segundo dia de evento, Ronaldo Fraga fez uma alegre homenagem à chegada do futebol no Brasil, com um cenário que simboliza um campinho de terra batida com gols feitos em bambu. As estampas traziam hexágonos e listras em azul, vermelho, verde, preto e branco.  Haviam brasões nos paletós e os sapatos lembravam chuteiras.

Foto: flickr.com/photos/namidiacasa

Assim como no desfile da Cavaleira, a cultura e estética negra foi celebrada pelo desfile do estilista. O beauty artist Marcos Costa fez uma polêmica homenagem aos negros ao caracterizar o cabelo bombrill em um inusitado penteado feito com palha de aço. Essa estética não foi bem recebida por muita gente, que considerou a criação racista por exaltar uma característica pelo viés do deboche.

Em seguida, a Forum desfilou sua coleção elegante de referências náuticas ao som da bossa nova que canta sobre a Bahia. As peças femininas, leves e soltas estavam em preto, branco e também em cores laranja e azul marinho. Os lenços na cabeça lembravam as baianas de Salvador.

Todas as marcas falaram de um Brasil sob diferentes pontos de vista, exemplos de como a moda para brasileiro ver – e vestir – precisa saber explorar a pluralidade de características que formam a personalidade do país. Parafraseando as placas levantadas no fim do desfile da Cavalera, a moda nacional precisa celebrar “all ages, all colors, all sexes”.

A cobertura do SPFW está sendo feita por Eduardo Biz, Nina e André. 

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>