Moda
22 de março de 2013 por andre

HIPERSAZONALIDADE E SPFW

“Achei tudo lindo, mas acho que ele errou a estação”, “ai, mas isso não tem nada a ver com o verão!” foram alguns dos comentários que ouvi quando assistia aos desfiles do João Pimenta e do Alexandre Herchcovitch. Fico me perguntando qual o real impacto do conceito de “estações” na vida das pessoas hoje.

Nos últimos anos as mídias sociais e blogs aceleraram consideravelmente o fluxo de ineditismo em Moda e Beleza (e de todas as demais indústrias). O ritmo de aceleração gera um contexto de HIPERSAZONALIDADE (hiper, de “para além de”), um fluxo de novidades contínuo, como se uma nova season ou tendência surgisse todos os dias – ou a cada minuto. Assim, as definições de primavera/verão ou outono/inverno tornam-se irrelevantes no cotidiano à medida que as pessoas querem o instante já.

Moda é um universo que valoriza a fugacidade por natureza. No entanto, a aceleração da hipersazonalidade provoca a indústria a se reinventar para continuar despertando desejo e encantamento nas pessoas. As marcas de fast-fashion já se beneficiam desse contexto ha muito tempo, por isso o ritmo de lançamento de novas coleções tornou-se muito mais ágil, inclusive para lançar coleções relacionadas a contextos como a H&M Brik Lane Bikes collection:

Em contrapartida, grandes criadores tem sido profundamente impactados por esse aumento de velocidade. Indício disso é a opção de Reinaldo Lourenço e Glória Coelho “pularem” essa edição da semana de moda paulistana para não prejudicar a qualidade criativa de seus trabalhos. O histórico desfile de Jum Nakao no SPFW de 2004 com modelos vestidas com roupas de papel é dos grandes marcos na discussão sobre fugacidade e evanescência. Intitulado “A Costura Invisível”, esse desfile é uma obra de arte que sempre vale assistir novamente:

Por outro lado, outras marcas estão desenvolvendo novos modelos de comercialização para aproveitar tal contexto. Exemplo clássico foi desfile da Burberry coleção de inverno 2013/14 no qual a marca apresentou o serviço “runway made to order”. Enquanto assistiam ao desfile da nova coleção – que também foi transmitido online -, os consumidores puderam escolher e encomendar suas peças favoritas, transformando a velocidade de entrega em uma nova expressão de luxo. Além disso, é importante entender que as pessoas não fazem distinção entre online e offline. A Burberry também lançou casacos e bolsas que possuem chips que podem ser acionados pelo celular, caso sejam perdidos.

Outro exemplo emblemático é a Hointer, loja localizada de Seatle que se define como a reinvenção do varejo. Ao entrar no estabelecimento, os consumidores podem selecionar suas peças favoritas pelo app da marca e elas são enviadas para o provador em 30 segundos. Se gostarem do que experimentarem, basta inserir o cartão de crédito nos próprios provadores e levar as roupas para casa.

O grande desafio para a indústria é pensar na Hipersazonalidade como oportunidade criativa e de negócios. No lugar de duas grandes coleções anuais, talvez seja possível pensar em mais coleções em quantidades menores ou mesmo que se aproveitem de novos modelos de distribuição e comercialização. Grandes players como  Burberry, MAC, ASOS e C&A são exemplos de marcas que já estão aproveitando essa tendência.

A cobertura do SPFW está sendo feita por Eduardo Biz, Nina e André. 

Um comentário para HIPERSAZONALIDADE E SPFW

  1. Pingback: A padaria do SPFW | Bruna Venâncio

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