Comportamento Games
17 de abril de 2013 por Lucas Liedke

Candy Crush, a Saga

Não é sugar, é saga, e se tornou o aplicativo número um no Facebook e o queridinho das lojas de app pelo mundo. Até na Antártica se joga.

Então… O começo da brincadeira é bem atraente e inclusivo. Em primeiro lugar, é um jogo que praticamente qualquer um já conhece. Ainda assim, há um tutorial tão didático que chega a ser bobo. As cores brilham como se você tivesse 3 anos de idade. Você está em um conto de fadas! O mundo inteirinho é feito de guloseimas, e vozes suaves estimulam cada passo certo que você dá. ~ Divine!

Passado o momento fofura, vem as primeiras frustrações. Os desafios tem um ritmo instigante. Cada episódio é arquitetado no mapa apenas com o passar do tempo. E por alguns minutos (ou dias!) você esquece que está em Las Vegas e que o destino aqui é um mero algoritmo. Jogos de sorte, ainda que a gramática tente dizer ‘jogos de azar’, possuem esse poder alienante. Sabemos disso mas esquecemos, pois é alienante.

Ironias de lado, gera-se um mal-estar. Mas o mal-estar é sempre aliviado pela excitação que garante que agora ‘eu aprendi a fazer’. Até porque sua performance efetivamente melhora com o andar da carruagem de marzipã. Para agravar o quadro, em alguns momentos, o jogador é forçado a acreditar que a única forma de continuar no jogo é comprando recursos de luxo a preços estúpidos. Fica a pergunta: o que é menos pior? gastar o meu dinheiro ou o meu tempo? Saiba que algo vai ser gasto.

Como tem se falado no mundo real, a vida é o que acontece enquanto você joga Candy Crush. Mas para equilibrar o comportamento anti-social, há uma relevante camada social inserida no jogo, detalhadamente executada pela King. Quem tem mais amigos ativos no jogo não precisa, por exemplo, pagar para andar de trem ou avião. O big picture da jornada também gera um senso de cumplicidade e saudável competitividade entre os companheiros de batalha.

Mas para compensar qualquer desgosto e conflito social, lembre-se que apesar de estimular o vício em açúcar, este é um lugar raro no mundo. Aqui, você pode errar quantas vezes for preciso, o tempo corrige tudo e suas conquistas são suas para sempre. Você nunca morre, apenas ajusta o relógio do celular e segue adiante.

2 comentários para Candy Crush, a Saga

  1. andre disse:

    a imortalidade do candycrush. demais! até o psy joga candycrush no clipe novo…crazy shit: http://youtu.be/ASO_zypdnsQ

  2. Pingback: Dots: Viciados em conectar | Escape

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