Eventos Infográficos Moda
02 de maio de 2013 por Eduardo Biz

A relação das gerações com as joias

No último dia 23 de abril, um evento em Viena, na Áustria, reuniu mais de 300 joalheiros, formadores de opinião e especialistas no mercado de joias do mundo todo. Trata-se do Link Jewelry Summit.

Promovido pela Swarovski e organizado pelo International Herald Tribune, o evento teve como objetivo mostrar como o mercado global vem lidando com a joia e quais possibilidades de inovação podem ser vislumbradas neste segmento.

Parte do evento foi dedicado a discutir as oportunidades existentes nos mercados emergentes. Rony Rodrigues, fundador da Box1824, esteve presente e falou sobre a relação das pessoas com a joalheria, desde os anos 1960 até hoje, e como cada geração lida com este universo.

 

Segundo Rony, a joia desempenha duas grandes funções. A primeira delas é a Materialização do Sentimento. Analisando historicamente a relação da consumidora com a joia, podemos perceber uma grande diferença entre os Baby-boomers (geração nascida de meados dos anos 40 até metade de 60) e os Millennials (nascidos entre os anos 80 a 2000).

Para os Baby Boomers, a joia está muito associada a uma noção de tempo: tanto pelo despendio de tempo (e esforço) que existiu para que aquela joia fosse adquirida, quanto pela noção temporal de passado, presente e futuro.

Existe uma celebração do passado, no sentido de valorizar tudo que já foi vivido em uma relação a dois; a confirmação do presente, mostrando que a relação é mesmo verdadeira; e uma compromisso com o futuro, assegurando que os caminhos do amanhã já estão bem traçados e definidos.

Já para o jovem Millennial, o sentimento afetivo é muito virtual ― e até efêmero ―, e a joia desempenha o papel de trazê-lo à esfera Real da percepção. É uma concretização que traz o sentimento para o Agora, servindo como comprovação de que aquela relação não é uma mera brincadeira, mas sim uma emoção verdadeira e especial; um amor único e maior do que tudo que já se viveu anteriormente.

Outra função essencial da joia é o Adorno. Desde os primórdios da história da humanidade, o ser humano cobre o corpo, e isso se dá por três motivos: sobrevivência (para se proteger do frio e das chuvas); pudor (é um fator presente desde Adão e Eva) e adorno. A busca pelo realce da beleza alia-se à materialização do poder, encontrando no fato de se adornar sua maior realização.

Porém, ao contrário da Materialização do Sentimento, a joia não está sozinha no mercado quando o assunto é Adorno. Quando uma mulher anseia por poder e beleza, existem outros produtos competindo: o sapato também consegue suprir essa entrega, da mesma forma que a bolsa tornou-se um acessório de altíssima desejabilidade, e até os óculos estão neste grupo de “objetos de desejo”.

Entretanto, a Bijoux ainda não atingiu este mesmo nível de desejabilidade. E é aí que temos a grande oportunidade do mercado: a entrada da Bijoux neste grupo de produtos de alta desejabilidade.

Para que isso aconteça, há três caminhos possíveis:

1. Design é o novo Ouro. O design é a chave para fazer com que a Bijoux alcance o status merecido. O design tem o poder te valorar uma peça superior a qualquer material.

2. Incentivar, Inovar e Amadurecer um varejo especializado em Bijoux, assim como sapato, bolsa e óculos conseguiram. É o mesmo pensamento do fast fashion: ele tornou a moda possível para todas as mulheres. Mulheres querem comprar Bijoux, sim! Mas ainda não sabem onde.

3. Aumentar os cenários e as ocasiões de consumo, criando místicas e storytelling. Nos anos 70, se você perguntasse para uma mulher qual seria a ocasião correta para se usar uma bolsa Chanel, ela citaria cerca de três cenários: Ritz, Saint Tropez e ao lado de um homem poderoso. Karl Lagerfeld fez um trabalho incrível de expansão de cenários e ocasiões. Hoje, você pode imaginar uma menina usando uma bolsa Chanel no metrô de Nova York, numa viagem à Índia ou em uma festa indie em Londres.

3 comentários para A relação das gerações com as joias

  1. Pingback: Mapeando novos mercados para produtos tradicionais | DMC3 Blog

  2. Pedro disse:

    achei q ficou meio descontextualizado esse parágrafo “Entretanto, a Bijoux ainda não atingiu este mesmo nível de desejabilidade”, assim jogado no meio do texto. O que é essa Bijoux?

    • D disse:

      Bijoteria?

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>