Comportamento Goody
14 de maio de 2013 por andre

SP e a apropriação da cidade

São Paulo sempre foi uma cidade árida para seus habitantes, repleta de não-lugares como rodovias e edificações no lugar de praças e espaços de convívio, um ambiente mais lembrado por seus carros do que pelo seu povo. No entanto, nos últimos anos a metrópole tem vivido um grande movimento de apropriação da cidade. Festivais, manifestações, debates e outros eventos têm sido criados com o objetivo de estimular as pessoas a interagir, modificar e redescobrir, uma vontade coletiva de transformar a relação entre pessoas e espaço urbano.

foto Danilo Verpa/Folhapress

Em primeiro lugar, é impressionante como o povo historicamente passivo e de baixa participação política que somos é quem vem impulsionando esta mudança. Em segundo lugar, o mais instigante é que tudo isso tem acontecido por meio de um novo jeito de agir. No lugar de um tom excessivamente sério ou violento, as pessoas escolheram a descontração, criando atos que mais parecem festas do que protestos.

foto Victor Moriyama / Folhapress

Se os crews de Grafitti deram o primeiro passo nessa direção, hoje vemos bikers e skatistas por toda a cidade, além de manifestações maiores como o Existe Amor em SP, Festival Baixo Centro, Ocupa Largo da Batata, feiras gastronômicas de rua como o Mercado e, principalmente, a Virada Cultural. Dessa forma, aos poucos as ruas se tornaram espaço para conviver, aprender e até dançar.

Esse movimento também se materializa em pequenos gestos como o Microrroteiros da Cidade, projeto para espalhar a poesia e a imaginação pelo cotidiano das pessoas através de cartazes com cenas bem curtas, pequenos roteiros de até 140 caracteres. Claro que esse é um movimento que não é restrito a SP. Exemplo claro é o Que Ônibus Passa Aqui?, projeto com o objetivo de colar adesivos em pontos de ônibus para informar as linhas que passam em cada uma deles. Simples e efetivo.

foto: ultimosegundo

Ou mesmo a Revolução dos Porcos, projeto colaborativo iniciado pela itsNOON em 2012 para incentivar os habitantes de São Paulo a gerar ideias para melhorar a vida na cidade.

O que une essas manifestações, das grandes iniciativas aos pequenos gestos, é o desejo que paira no ar por explorar, modificar e até hackear a cidade. Alinhado ao poder da tecnologia, esse desejo gera uma nova energia social que, mesmo que não passe de clicktivismo [ou ativismo de Facebook] em grande parte dos casos, tem o poder de transformar o nosso cotidiano. Nesse senttido, temos duas ótimas notícias: ainda há muito o que fazer e pequenas ideias podem surtir grandes impactos nessa cidade que tem finalmente encontrado um espírito de equipe. Ainda não somos 11 milhões de agentes, mas quem sabe não chegamos lá?!

2 comentários para SP e a apropriação da cidade

  1. Pingback: Microrroteiros da Cidade – Laura Guimarães | Follow the Colours

  2. Isabella disse:

    Estou produzindo minha monografia no trabalho de conclusão de curso sobre apropriação dos espaços públicos pela arte e li um texto escrito nesse site pelo “andré”. Gostaria de citá-lo nas referências bibliográficas, se possível, no entanto vocês não disponilizam o sobrenome dele. Gostaria de saber se apoiam o uso do texto, caso não apoiem me avisem. Caso apoiem, se puderem me enviar por email o nome completo do André para eu poder encaixar nas referências eu ficaria muito agradecida. O link da matéria eu já salvei e já está nas referências, fica faltando mesmo apenas o sobrenome do autor.
    Obrigada,
    Isabella.

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