Comportamento
17 de maio de 2013 por marimessias

A horta do CCSP

Quem passa apressado pela 23 de Maio nem imagina que ali tão perto daquele mundo de asfalto e concreto brota uma horta. Sobre o jardim suspenso no Centro Cultural São Paulo estão canteiros de alface, rúcula, beterraba, brócolis,  alecrim e mirra. Tem também confrei, babosa, chuchus beleza e muitas outras mudas que crescem jogando um pouco de verde sobre a cidade tão cinza.

Participei de parte do processo de criação da horta, que nasceu das mãos de pessoas da rede Hortelões Urbanos e do CCSP.

Peguei carona na iniciativa que começou em Setembro de 2012 e, depois de várias reuniões, umas burocracias, um projeto e muito trabalho coletivo, vimos a horta nascer em um mutirão que rolou no dia 28/04 desse ano.

A horta não é a primeira e nem a única da cidade. Outras iniciativas se espalham por aí: Horta das Corujas na Vila Madalena, Ciclista na Paulista, Vila Anglo na Pompéia, o maravilhoso projeto Cidade sem fome na ZL e as muitas outras hortas que ocupam canteiros em escolas, prédios e vasinhos pendurados na janela.

Cada uma com seus motivos e finalidades diferentes. A horta do CCSP não serve pra alimentar ninguém (ainda). Aliás a pequena produção será destinada aos voluntários que se revezam pra cuidar dela e pra eventuais transeuntes que queiram beliscar alguma delícia (já que o CCSP é um espaço público e qualquer um pode colher um tomate se quiser!)

Pra mim foi a paixão pela cozinha (e pelos ingredientes que uso pra cozinhar) que me fez querer estar mais perto da produção das coisas que como (o que é cada vez mais difícil hoje). Apesar da produção simbólica, o trabalho na horta faz a gente repensar muita coisa sobre a indústria do alimento e as esquisitices que aceitamos goela abaixo todos os dias. Além do mais, projetos de hortas em escolas de São Paulo mostram que as crianças que se envolvem na produção do próprio alimento fazem muito menos cara feia pras beterrabas e escarolas do que as outras!

Mas não é só de comida que se trata uma horta. Projetos como o da Horta das Corujas são incríveis por que funcionam como um incentivo pra que pessoas se conheçam, ocupem espaços vazios, requalifiquem áreas e repensem a maneira como a gente se relaciona com a cidade.

Não estamos sozinhos nessa. Movimentos verdes aparecem com força em várias cidades do mundo, com alguns casos bem emblemáticos, como o da Cidade de Detroit que viu hortas tomarem conta de espaços degradados, anos depois de uma forte depressão econômica. (Urban Roots).

A articulação e o trabalho coletivo em torno das hortas é um janela pra que as pessoas comecem a se preocupar e participar das políticas de urbanismo na cidade. Muitos começam discutindo a implantação de uma horta no bairro e logo percebem que podem (e devem) participar nas decisões políticas. Movimentos como esse abrem caminho pra que as pessoas pensem mais sobre a cidade e abrem portas pra participação de pessoas comuns na política.

Além disso, ainda tem o enorme prazer que é cuidar das plantas ver vida onde antes não tinha nada.

A abertura oficial da Horta do CCSP vai ser na Virada Sustentável. Vai rolar um coquetel com especiarias da própria horta, exibição de filmes sobre agricultura urbana e alguma oficina que ainda não sabemos! Vem!

(O Guilherme Borducchi escreveu pra gente sobre sua experiência com hortas urbanas de SP)

4 comentários para A horta do CCSP

  1. Parabéns pelo texto, Guilherme. Traduziu muito bem a essência das hortas urbanas. Que brotem muitas outras!

  2. Pingback: Grupos se organizam para criar hortas urbanas e comunitárias em SP | CONTEM

  3. Wellington disse:

    Um texto suave como alface americana temperada apenas com sal. Dispensa outros condimentos. Tomara que outras pessoas saboreiem a ideia.

  4. Sérgio Julião disse:

    Parabéns Guilherme, feliz nos comentários ! !

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