Arte Comportamento
17 de maio de 2013 por pontoeletronico

Apropriação Urbana: Um paulista nas ruas cariocas

São Paulo, sempre foi um dos grandes locais de transformações culturais do mundo. Uma mistura de referências e possibilidades que faz pulsar dentro da cabeça dos moradores e visitantes visões amplas do que é um espaço urbano e como podemos nos “apossar” dele.

Morei no centro de São Paulo por anos e percebi como a ocupação artística e cultural do espaços públicos e alternativos começaram a pipocar e a estimular esse “entretenimento independente”.

Como alguns exemplos bacanas disso posso citar: a Voodoohop, que além de acontecer na Trackers, já ocupou o Minhocão e leva muita gente para se divertir com uma estrutura limitada mas em uma vybe muito positiva; a Selvagem, que é uma festa que começou de forma tímida, mas que com o crescimento do evento hoje acontece mais no entorno do que no próprio bar; a última ocupação festiva do Anahngabaú; e a própria Praça Rooselvet que passou a ser ótimo local para receber esses movimentos coletivos “open air”.

Na última semana me mudei para o Rio de Janeiro e vi como essas mobilizações coletivas independentes estão muito mais desenvolvidas aqui. Felizmente!

O carioca já tem na essência curtir o espaço público e falo isso desde as praias, dos parques, até os eventos alternativos e de movimentação pública. O mais interessante é que, utilizar a estrutura urbana independe de ser “descolado” ou “hipster”. Há opções bombando por todos os lados e para todos os gostos.

Na primeira semana de Rio estive em um show de blues na Pedra do Leme. Um evento que reniu cerca de 150 pessoas e totalmente independente.

A banda paulistana Jazz, Ribs & Abobrinhas organizou com amigos cariocas esse show, e ocupou o espaço animando convidados, turistas e curiosos sortudos que puderam se divertir com som de qualidade e uma vista incrível.

Por um convite do @jeff_nascimento, acabei na Praça São Salvador no Laranjeiras, onde encontrei um local intenso de jovens e galera descolada. O coreto da praça recebe aos finais de semana apresentações de jazz, samba e chorinho. Em um dos dias há a Rádio Bike: uma bicicleta sonorizada que faz o som da praça, mas que circula pela cidade toda. Porém, esse encontro coletivo já passou por mal bocados: nos últimos anos a vizinhança se mobilizou com a prefeitura para acabar com o espaço (coisa que tenho visto nos arredores da Praça Roosevelt). Hoje, as apresentações têm hora para acabar, mas as pessoas, obviamente, sempre continuam até altas horas da madrugada.

A Festa Elaetropical reuniu um pessoal alternativo e descolado em um galpão da Lapa, que contou com projeções nas paredes, uma instalação de noiva e uma cabana inflável. A festa extrapolou o galpão e tomou conta da rua em frente abraçåndo todo mundo que passava por ali.


A Lapa para mim, novo no local e sendo passível de julgamentos, é uma representação carioca do que acontece na Rua Augusta (ou vice e versa): um território de expressão, socialização e diversão para todos os tipos de pessoas e movimentações culturais.

A Rua do Lavradio, no Centro do Rio, recebe não só uma feira mas também o famoso Baile Charme. Ali mais do que socializar, as pessoas se encontram para por em prática os passinhos ao som de uma mesa de DJ improvisada na calçada. O clima, além de divertido, traz aquele lado carioca de sentir a cidade em espaços públicos e abertos, sem a necessidade de nenhuma “catraca”.

Obviamente isso aqui foi apenas uma amostra: tem muito entretenimento democrático por todos os lados aqui no Rio de Janeiro. Festas acontecendo no Vidigal, no centro da cidade e encontros coletivos sem local definido em outras regiões.

A minha visão é que São Paulo tem caminhado para um comportamento como esse. Mas ainda há muito para ser “ocupado”. A gentrificação tende a repensar toda a estrutura da cidade, mas no momento, se limita há meia dúzia de bairros paulistanos. Uma das minhas esperanças, é que a cada visita à São Paulo eu veja mais opções de diversão no asfalto.

Enquanto isso por aqui, no Rio, tem muitas “ruas” ocupadas para eu conhecer ainda. Vamos aos poucos não é?!

(Diego Oliveira é publicitário e nos contou sua experiência como paulista que está apaixonado pelo Rio de Janeiro)

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