Comportamento Ponto e Vírgula
28 de maio de 2013 por andre

BIOHACKING

Massificação da cultura DIY, user generated content, plataformas de crowdmaking, consumo de conteúdo on demand, a revolução da produção e consumo que será provocada pelas impressoras 3D. Nos últimos anos vivemos um importante shift comportamental: a consolidação do self-making. Após décadas de valorização do conhecimento, o ato de fazer está se tornando o novo ideal. É o chamado Maker Movement, algo que o Victoria and Albert Museum chamoude Power of Making.

Se a lógica descentralizada que prioriza a experimentação transformou indústrias ligadas ao entretenimento e consumo de informação, o próximo passo é a saúde. Os devices e redes impulsionaram o self-tracking e a performance ideal. Da mesma forma, as pessoas terão cada vez mais ferramentas disponíveis para obter informações sobre o funcionamento do próprio corpo e até controlar a própria saúde. A polêmica cirurgia da Angelina Jolie é um exemplo de como a manipulação genética tornou-se um assunto de massa e uma poderosa indústria.

Nesse contexto, nasce o conceito de BIOHACKING, ou seja, a utilização da tecnologia para hackear as ciências biológicas e descobrir novas aplicações possíveis. Nesse sentido surgem redes, apps e projetos ligados à nutrição, microbiologia, genética e outros campos da medicina. BIOHACKING é o redesing de estruturas orgânicas e de sistemas biológicos à partir do self-making.

Exemplo deste movimento é a Hackteria, plataforma de biohacking criada por Marc Dusseiller, professor de micro e nanotecnologia, escritor e artista. Para ele, cientistas amadores sempre existiram. No entanto, ao passo que a tecnologia torna-se acessível para uma grande camada da população, as pessoas passarão a fazer mais experimentos com ela.

Outro exemplo é o Foldit, plataforma que convidou jogadores sem nenhum conhecimento científico a decodificar a estrutura de uma proteína do HIV, dando aos pesquisadores indicações precisas sobre como interromper o crescimento do vírus em 2011. Elevando tal lógica à última potência, podemos pensar na utilização de impressoras 3D para a criação de órgãos vitais como uma possibilidade de self-making + saúde.

Iniciativas como Foldit e Hackteria são apontadas como o primeiro passo na direção de uma nova geração de empresas farmacêuticas, start-ups de garagem que revelarão o Bill Gates e o Steve Jobs da biologia. Por outro lado, há um receio por parte das instituições públicas de que este movimento possa gerar uma epidemia de experimentos individuais de alto risco para a saúde pública ou mesmo o terrorismo biológico.

Debates éticas, políticas de regulamentação e outras inúmeras capas polêmicas para a Time estão garantidas no nosso horizonte, pois o Biohacking será uma tendência forte para os próximos anos. Para encerrar, vale assistir o TED da bióloga Ellen Jorgensen sobre biotech, a tecnologia mais transformadora da atualidade e a lúcida visão de que qualquer tecnologia poderosa pode ser usada para o progresso ou para o medo.

*Obrigado Clarice Garica e Carla pelas referências.

Um comentário para BIOHACKING

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