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Ponto e Vírgula
24 de outubro de 2013 por andre

YOUTHMODE: UM ESTUDO SOBRE LIBERDADE

Post Mágico

A teoria geracional não consegue superar sua obsessão com a idade literal. Empresas e futurólogos estão presos em uma lógica da busca pela autenticidade, hipocrisia e rebeldia. YOUTHMODE é um caminho para fora do problema do generational branding: formas emergentes de viver a liberdade sem depender do ano em que se nasceu.

A Box1824 em parceria com a K-HOLE tem o prazer de apresentar YOUTHMODE: um estudo sobre liberdade que analisa os fatores que estão em jogo na lógica do generational branding.

No último sábado, 19 de outubro, o report foi lançado na Serpentine Gallery, em Londres, durante a 89Plus Marathon, um encontro entre intelectuais e artistas para debater sobre os jovens nascidos pós-89.

O report explora os problemas do MASS INDIE, contexto cultural em que vivemos e no qual todos somos tão especiais que ninguém realmente o é. Além disso, apresentamos NORMCORE, uma forma de viver que prioriza a identificação e a adaptabilidade no lugar da diferenciação e da exclusividade. Normcore aproveita a possibilidade de uma interpretação ambígua como oportunidade de conexão – e não como ameaça à autenticidade. Normcore é o caminho para uma vida em paz.

Ficou interessado? Comente no Medium ou baixe o PDF.

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Educação, Tecnologia
23 de julho de 2013 por andre

FLOQQ e o aprendizado descentralizado

Quer criar games em HTML5? Aprender a fazer sushi? No Floqq dá. O Floqq é uma plataforma para troca e comercialização de cursos online em vídeo. No lugar de se inscrever em uma escola especializada ou mesmo comprar um livro sobre o assunto, o usuário pode se inscrever em um vídeo-curso sobre o tema. A ideia é proporcionar uma forma mais visual e até prática de aprendizado.

Introducing Floqq from Floqq on Vimeo.

A proposta faz muito sentido no contexto de aprendizado descentralizado em que vivemos. Qualquer um pode aprender ou mesmo ensinar sobre seu assunto de interesse, valorizando os “especialistas leigos” – experts sobre determinado assunto que não necessariamente estão na mídia tradicional ou na academia. A plataforma criada por estudantes espanhóis permite ainda que o usuário receba comissões ao promover um curso disponível no site.

Por um lado, exemplos como esse materializam um novo conceito de aprendizado, assunto que falamos bastante aqui no Ponto. A massificação das ferramentas digitais democratizaram a informação, fazendo com que o aprendizado informal faça cada vez mais parte da vida das pessoas. Coursera, Khan Academy e outros exemplos do nosso infográfico sobre Educação Informal evidenciam como a educação de alta qualidade está disponível para qualquer pessoa que pode se conectar à internet. Tema que o excelente mini-documentário The Future of Learning, desenvolvido pela Ericsson para o projeto Networked Society, aborda muito bem.

Por outro lado, tudo isso representa uma microtendência que temos acompanhado de perto aqui na Box, o Skills Showcase. Trata-se do crescimento de plataformas que exploram características individuais intangíveis, valorizando a trajetória individual por meio de múltiplos formatos: textos, áudios, vídeos, animações, ilustrações, etc. Exemplos não faltam, como o Seelio, plataforma  para apresentação das habilidades pessoais e projetos profissionais de cada indivíduo ou até mesmo o Open Badges, ferramenta criada pela Mozila para que o usuário possa criar e verificar seus próprios distintivos digitais.

A rapidez de absorver o conteúdo online cria a sensação que há mais tempo e espaço para aprender, além de empoderar as pessoas a aprender mais. Nesse sentido, os exemplos citados também representam novas formas de trocar conhecimento. O futuro das escolas é uma pergunta difícil de responder e que tem provocado muita gente boa a pensar e agir. No entanto, o que já sabemos é que o presente do aprendizado deve seguir uma lógica hacker: descentralização, colaboração e um eterno estado beta.

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Educação, Nada a Ver, Ponto e Vírgula
26 de junho de 2013 por andre

Você está fazendo o que ama?

Post Mágico

Se não ama, será que você realmente odeia seu trabalho? Dá uma olhada na lista dos empregos que snao piores que o teu feita pelo Doug Savage do Savage Chickens e repita a pergunta:

Aqui na Box a relação das pessoas com o trabalho é um assunto que muito nos interessa. All Work All Play foi um marco na nossa reflexão sobre a relação das diferentes gerações com o tema. Histórias inspiradoras não faltam e você poderia passar o dia no ContinueCurioso.cc vendo histórias de gente que mudou de vida.

É claro que nem todo mundo faz o que ama. As campanhas antigas do Career Bullder, o site de vagas norte-americano, são sobre isso. Vale relembrar a clássica “It May Be Time”

No entanto, é importante lembrar que ninguém consegue fazer o que se gosta o tempo todo, 24 horas por dia. Afinal, fazer aquilo que você ama também diz respeito a lidar com a frustração diária e, muitas vezes, conseguir extrair alguma coisa positiva das dificuldades. Ser feliz no trabalho não significa que você vai ser feliz todos os dias e o tempo todo. Esse dualismo “amo ou odeio o que gosto e ponto” pode acabar sendo uma grande armadilha. Nesse sentido, acho a campanha de Halls Contrata muito lúcida, pois permite que as pessoas experimentem o dia-a-dia – e os perrengues – de uma “profissão dos sonhos” antes de mergulhar de cabeça.

Para encerrar e te fazer lembrar que tudo pode piorar, vale ver o infográfico dos piores trabalhos da história postado pela Fast Company. Talvez essa galera não consiga enxergar um lado positivo no seu trabalho.

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Comportamento, Nada a Ver
18 de junho de 2013 por andre

Os melhores cartazes de 17.06

Inspirados pelo post incrível do Não Salvo, decidimos fazer a seleção do Ponto Eletrônico dos melhores cartazes das manifestações de ontem que certamente deixaram nosso país mais lindo, desperto e, por que não, mais vivo. Ah sim, vale começar pelo cartaz que nós fizemos por aqui

São Paulo, crédito da foto: Aoki Junior

Rio, de Janeiro, créditos da foto: Dodô Azevedo

Brasília, crédito da foto: Fabiano Costa / G1

Foto da querida Fernanda Vieira do Rio

São Paulo, crédito foto ronrodrigues

São paulo, crédito da foto: @nanahferreiira

São Paulo, créditos foto: Felipe Morozini, Rodrigo Edelstein e Barbara Thomaz

São Paulo, crédito da foto para Leo Germani

Claro que muitos dos protestos tiveram atos violentos, mas acreditamos que o jovem de hoje tem um jeito muito particular de se manifestar. E isso fica claro principalmente na linguagem, no tom realista e prático, no sarcasmo, descontração e até bom-humor. A bancada-de-julgamento do Facebook pode dizer que “essa galera é vazia e não tem ideologia”, mas acreditamos que o humor é uma importante manifestação política e uma poderosa ferramenta para provocar a reflexão.

* Muito obrigado Eduardo Biz, Jonaya, Lívia Ascava e Fernanda Vieira pela ajuda na curadoria.

** Se você conhecer o autor de alguma das fotos sem créditos ou dos cartazes, por favor, nos avise que colocamos as devidas honras. =)

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Arte, Comunicação, Nada a Ver
11 de junho de 2013 por andre

LIVROS QUE VOCÊ PRECISA VIVER

Certa vez li uma entrevista da artista servia Marina Abramovic em que ela dizia que você pode ler muitos livros, mas que o livro não necessariamente modifica seu leitor. Para ela, devemos extrair norteadores dos livros, mas o que realmente importa é a própria experiência. Talvez por isso me interessem tanto os livros que estimulam novas vivências. Não, não estou falando de aprender a mexer no queijo do coleguinha. Me interessam os livros que incentivam o leitor a fazer, criar, desenhar, colecionar, experimentar e, por que não, viver de outras formas.

O trabalho da ilustradora Keri Smith é exatamente isso. Autora de bestseller como Wreck this Journal, How to Be An Explorer of the World e The Pocket Scavenger, Keri estimula seu leitor a viver todos os dias como se fosse o último o primeiro, desbravando inúmeras possibilidades através de diferentes exercícios. São livros/scrapbooks com alma DIY – Do It Yourself -, que você não precisa apenas ler, mas sim viver.

O trabalho de Kari pode parecer ingênuo ou apenas uma boa desculpa para fotos no Instagram, mas acredito que também seja uma provocação sobre o conceito de arte e à respeito da nossa capacidade de manifesta-la em nosso cotidiano. E ela está longe de ser a única a explorar tal assunto através de uma perspectiva DIY.

Em 1993, os artistas Christian Boltanski e Bertrand Lavier e o curador Hans Ulrich Obrist – ou HUO -, conceberam o projeto Do It, um toolkit para estimular qualquer pessoa a desenvolver suas próprias expressões artísticas através de técnicas, exercícios e experimentos. Nos 20 anos que se seguiram, foram mais de 50 exposições e 300 que transformaram o projeto em uma das grandes influências da expressão e curadoria contemporâneas.

Em 2013, HUO está lançando o livro Do It: The Compendium, um compilado de tais instruções para peformances, esculturas, intervenções urbanas ou reflexões. As ideias e frameworks são propostas por artistas como Ai Weiwei ou David Lynch, uma combinação de mentes criativas que apenas o HUO poderia curar.

Além de um tratado sobre o criativo, o livro provoca uma discussão instigante sobre o eixo originalidade-reprodutibilidade. Nas palavras do Hans: ”Do it rejeita a ideia de originalidade em prol de uma concepção mais aberta da criação de um trabalho. Jamais foram criadas duas respostas idênticas às instruções do livro”. As colaborações são muito poéticas e este post do Brainpickings está repleto delas, como por exemplo a instrução do artista Federico Herrero, em uma obra chamada Secret Friend:

“Escolha uma pessoa de quem você ama, gosta ou simplesmente tem bons sentimentos a respeito. Deixe pequenos presentes em lugares pessoais para ela durante 5 dias. Ao longo dos cinco dias, grave secretamente suas conversas com ela. Pode ser uma gravação longa ou curta.  Ouça as gravações todas as noites antes de dormir.”

Em uma primeira camada, estes livros são incentivos à nossa sensibilidade e à capacidade de perceber poesia no dia-a-dia. No entanto, a constante experimentação e a possibilidade de desempenhar atividades e atitudes que lhe tiram da sua área de conforto também provocam um intenso processo de autoconhecimento.

Viver estes livros é mergulhar em uma sedutora possibilidade de conhecer as inúmeras pessoas que moram dentro de você. Para encerrar, vale assistir o vídeo do Richard Wentworth, artista, curador e um dos idealizadores de Do It:

 

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Games, Tecnologia
06 de junho de 2013 por andre

PESQUISA GAMIFICADA

The Great Brain Experiment é um app criado para pesquisar particularidades cognitivas através da lógica do gaming. Desenvolvido por neurocientistas ingleses, o game consiste em uma série de tarefas para entender o funcionamento do cérebro de pessoas de diferentes perfis, por exemplo desafios de memória, velocidade de resposta, entre outras formas de medir a capacidade de memorização e a impulsividade dos jogadores. A ideia dos criadores do app é aumentar o alcance dos seus estudos, afinal podem atingir milhares de pessoas no lugar de investigar 20 indivíduos em um laboratório. Desde seu lançamento em abril de 2013, o game já teve mais de 20.000 downloads.

Gamification não é um assunto novo, mas este app é uma aplicação ousada do conceito. Ao jogar The Great Brain Experiment, impossível não querer analisar se desempenho VS jogadores da mesma idade ou mesmo de outros países e ficar se perguntando quem é mais inteligente que você e quem não tem a menor chance. Aliás, além de uma nova forma de pesquisa, fica aí uma ideia para os rankings do candy crush e do dots: competição por segmentação demográfica.

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Comportamento, Ponto e Vírgula
28 de maio de 2013 por andre

BIOHACKING

Post Mágico

Massificação da cultura DIY, user generated content, plataformas de crowdmaking, consumo de conteúdo on demand, a revolução da produção e consumo que será provocada pelas impressoras 3D. Nos últimos anos vivemos um importante shift comportamental: a consolidação do self-making. Após décadas de valorização do conhecimento, o ato de fazer está se tornando o novo ideal. É o chamado Maker Movement, algo que o Victoria and Albert Museum chamoude Power of Making.

Se a lógica descentralizada que prioriza a experimentação transformou indústrias ligadas ao entretenimento e consumo de informação, o próximo passo é a saúde. Os devices e redes impulsionaram o self-tracking e a performance ideal. Da mesma forma, as pessoas terão cada vez mais ferramentas disponíveis para obter informações sobre o funcionamento do próprio corpo e até controlar a própria saúde. A polêmica cirurgia da Angelina Jolie é um exemplo de como a manipulação genética tornou-se um assunto de massa e uma poderosa indústria.

Nesse contexto, nasce o conceito de BIOHACKING, ou seja, a utilização da tecnologia para hackear as ciências biológicas e descobrir novas aplicações possíveis. Nesse sentido surgem redes, apps e projetos ligados à nutrição, microbiologia, genética e outros campos da medicina. BIOHACKING é o redesing de estruturas orgânicas e de sistemas biológicos à partir do self-making.

Exemplo deste movimento é a Hackteria, plataforma de biohacking criada por Marc Dusseiller, professor de micro e nanotecnologia, escritor e artista. Para ele, cientistas amadores sempre existiram. No entanto, ao passo que a tecnologia torna-se acessível para uma grande camada da população, as pessoas passarão a fazer mais experimentos com ela.

Outro exemplo é o Foldit, plataforma que convidou jogadores sem nenhum conhecimento científico a decodificar a estrutura de uma proteína do HIV, dando aos pesquisadores indicações precisas sobre como interromper o crescimento do vírus em 2011. Elevando tal lógica à última potência, podemos pensar na utilização de impressoras 3D para a criação de órgãos vitais como uma possibilidade de self-making + saúde.

Iniciativas como Foldit e Hackteria são apontadas como o primeiro passo na direção de uma nova geração de empresas farmacêuticas, start-ups de garagem que revelarão o Bill Gates e o Steve Jobs da biologia. Por outro lado, há um receio por parte das instituições públicas de que este movimento possa gerar uma epidemia de experimentos individuais de alto risco para a saúde pública ou mesmo o terrorismo biológico.

Debates éticas, políticas de regulamentação e outras inúmeras capas polêmicas para a Time estão garantidas no nosso horizonte, pois o Biohacking será uma tendência forte para os próximos anos. Para encerrar, vale assistir o TED da bióloga Ellen Jorgensen sobre biotech, a tecnologia mais transformadora da atualidade e a lúcida visão de que qualquer tecnologia poderosa pode ser usada para o progresso ou para o medo.

*Obrigado Clarice Garica e Carla pelas referências.

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Comportamento, Comunicação, Design
23 de maio de 2013 por andre

COMMUNITY-CENTERED DESIGN

Semana passada tivemos a semana especial sobre SP aqui no Ponto e vimos alguns exemplos de iniciativas focadas na apropriação da cidade. Mas além do poder de transformar a paisagem urbana, acredito que esse novo espírito também impulsiona uma nova dinâmica entre marcas e pessoas. E para entender isso, precisamos fazer uma retrospectiva breve e quase simplista dessa relação.

O final da década de 90 foi marcado por um esgotamento do modelo de consumo baseado na criação de marcas aspiracionais – e distantes -, cujo foco era gerar desejo pela aspiração, um modelo product-centered. À partir daí, atingiu a massa uma revolução liderada pelo Design que ressignificou toda cadeia de produção e consumo. No lugar de bens materiais, passou-se a enxergar os produtos como possibilidades de interação, interfaces que provém algum tipo de serviço ao consumidor e que, portanto, precisam ser pensados à partir do ponto de vista das pessoas – um modelo human-centered.

O Netflix é a prova disso: uma proposta de uma relação mais honesta entre marca e consumidor no lugar das multas de atraso na devolução que financiaram o império da Blockbuster. Nike, Method, Whole Foods, Innocent Drinks são outros exemplos de marcas que contribuíram para essa mudança ao colocar o consumidor como centro. Marcas que adotaram ações no lugar de discursos, o diálogo ao invés da propaganda e uma postura beta no lugar da inovação fechada.

No entanto, considerando a velocidade das transformações nas últimas décadas e a crescente demanda por transparência, propósito e responsabilidade, acredito que estejamos à beira de uma nova virada. Color+City é uma pequena-grande iniciativa nessa direção. A iniciativa conecta as pessoas com vontade de transformar São Paulo por meio das cores.

O contexto de rede empoderou os indivíduos a transformar e agir com mais frequência por meio de iniciativas que usam o coletivo para melhorar o ambiente ao redor. Nada mais natural que as pessoas se tornem mais críticas e exijam a mesma postura prática do setor privado. Paira no ar uma expectativa de que marcas se tornem mais que produtos com um discurso próximo, assumindo uma postura mais ativa. Ou seja, ações de responsabilidade socioambiental como salvar a Amazônia não são o bastante. Cada vez mais, as pessoas valorizam as instituições capazes de gerar mudanças/transformações para a vida cotidiana, real, próxima da realidade.

“Não há mais uma grande causa, a ‘sociedade perfeita do amanhã que vamos construir pela política, mas, ao contrário, a preocupação cotidiana.” (Michel Maffesoli, sociólogo)

Pensando que, de acordo com a ONU, até 2020 90% da população do Brasil e América Latina viverá em contextos urbanos, tais mudanças deverão girar em torno de temas derivados da interação entre pessoas e cidades. Mobilidade, acesso, convivência, entretenimento coletivo e outros assuntos relacionados serão grandes oportunidades para uma marca prover serviço.

Nesse sentido, os exemplos são inúmeros, como o Ushahidi, plataforma aberta que através de SMS, MMS e Internet consegue reportar e mapear regiões (ruas, bairros, cidades, estados e países) com problemas como conflitos ou desastres naturais. Esse serviço faz com que autoridades sejam facilmente alertadas sobre algo e também evita com que as pessoas se coloquem em situação de risco. Ou mesmo o WhipCar, serviço de Car Sharing que permite ao usuário alugar o carro do seu vizinho por um preço menor que as empresas de aluguel.

Pouco a pouco, vemos emergir um mindset community-centered: interações/ações que visam melhorar a convivência das pessoas no ambiente urbano. Essa mentalidade coloca no centro um grupo de pessoas com afinidades semelhantes, unidas por ferramentas para que possam melhorar as relações das pessoas entre si e com seu entorno. Incorporar tal lógica é premissa básica para marcas que desejam ser / permanecer relevantes.

O projeto de Neighborhood Stores do banco norte-americano Umpqua Bank vai nesse caminho. O conceito de loja é focado em atender sua vizinhança, provendo um serviço à população. As agências oferecem espaços para relaxar ou trabalhar, com café e wifi grátis, além de TVs que exibem notícias e informações sobre o universo financeiro.

Outro exemplo é o Color Reclaim, projeto da Converse para transformar não-lugares abandonados como viadutos em espaços de socialização como galerias para exibir trabalhos de grafiteiros e palcos para shows de novas bandas.

Ainda é difícil vermos grandes marcas agindo com uma mentalidade community-centered. Estas iniciativas têm partido principalmente de pequenas empresas, iniciativas independentes ou simplesmente das pessoas, de forma cada vez mais organizada. Grandes marcas costumam aparecer menos como protagonistas e mais como patrocinadoras dessas ações. No entanto, se as pessoas anseiam por transformações mais reais e presentes no cotidiano, as marcas devem se tornar agentes de transformação da cidade.

O que isso significa? Que no lugar de pensar no futuro da categoria, sua marca deveria estar pensando na cidade do futuro e nos tipos de serviços que poderá prover para materializar esse futuro. Já pensou nisso?

*Este texto foi escrito a seis mãos pela Carla, Fábio Amado e André. E adoraríamos a sua contribuição para pensar em novos desdobramentos para este tema. =)

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Comportamento, Goody
14 de maio de 2013 por andre

SP e a apropriação da cidade

São Paulo sempre foi uma cidade árida para seus habitantes, repleta de não-lugares como rodovias e edificações no lugar de praças e espaços de convívio, um ambiente mais lembrado por seus carros do que pelo seu povo. No entanto, nos últimos anos a metrópole tem vivido um grande movimento de apropriação da cidade. Festivais, manifestações, debates e outros eventos têm sido criados com o objetivo de estimular as pessoas a interagir, modificar e redescobrir, uma vontade coletiva de transformar a relação entre pessoas e espaço urbano.

foto Danilo Verpa/Folhapress

Em primeiro lugar, é impressionante como o povo historicamente passivo e de baixa participação política que somos é quem vem impulsionando esta mudança. Em segundo lugar, o mais instigante é que tudo isso tem acontecido por meio de um novo jeito de agir. No lugar de um tom excessivamente sério ou violento, as pessoas escolheram a descontração, criando atos que mais parecem festas do que protestos.

foto Victor Moriyama / Folhapress

Se os crews de Grafitti deram o primeiro passo nessa direção, hoje vemos bikers e skatistas por toda a cidade, além de manifestações maiores como o Existe Amor em SP, Festival Baixo Centro, Ocupa Largo da Batata, feiras gastronômicas de rua como o Mercado e, principalmente, a Virada Cultural. Dessa forma, aos poucos as ruas se tornaram espaço para conviver, aprender e até dançar.

Esse movimento também se materializa em pequenos gestos como o Microrroteiros da Cidade, projeto para espalhar a poesia e a imaginação pelo cotidiano das pessoas através de cartazes com cenas bem curtas, pequenos roteiros de até 140 caracteres. Claro que esse é um movimento que não é restrito a SP. Exemplo claro é o Que Ônibus Passa Aqui?, projeto com o objetivo de colar adesivos em pontos de ônibus para informar as linhas que passam em cada uma deles. Simples e efetivo.

foto: ultimosegundo

Ou mesmo a Revolução dos Porcos, projeto colaborativo iniciado pela itsNOON em 2012 para incentivar os habitantes de São Paulo a gerar ideias para melhorar a vida na cidade.

O que une essas manifestações, das grandes iniciativas aos pequenos gestos, é o desejo que paira no ar por explorar, modificar e até hackear a cidade. Alinhado ao poder da tecnologia, esse desejo gera uma nova energia social que, mesmo que não passe de clicktivismo [ou ativismo de Facebook] em grande parte dos casos, tem o poder de transformar o nosso cotidiano. Nesse senttido, temos duas ótimas notícias: ainda há muito o que fazer e pequenas ideias podem surtir grandes impactos nessa cidade que tem finalmente encontrado um espírito de equipe. Ainda não somos 11 milhões de agentes, mas quem sabe não chegamos lá?!

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Nada a Ver
08 de maio de 2013 por andre

CAT VS DOG

Semana passada os caras do fatawesomefilms lançaram uma continuação para o hilário Cat-Friend vs. Dog-Friend, vídeo que mostra como seria morar com uma pessoa que agisse como um gato e outra que se comportasse como um cachorro.

Também vale resgatar o primeiro vídeo da série por sua originalidade escatológica. Fora que te faz pensar em todos os seus amigos que se encaixam nesses perfis.

 

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