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Comportamento, Design
05 de agosto de 2013 por gabriela

O branding das construtoras e nossas cidades

Nossas cidades dizem quem somos. Nossos valores, atitudes e estilos de vida definem e são definidos pela estrutura urbana. Não é de se surpreender que muitas tentativas de solucionar problemas sociais frequentemente analisam e propõe mudanças urbanísticas, como é o caso das primeiras e mais emblemáticas mudanças urbanas: a Paris de Haussman e a Nova York de Moses.

As manifestações pelo país não exigem apenas um transporte público justo e eficiente, demonstram também uma nova atitude da população em relação às ruas. Nunca se falou tanto em ocupar a cidade e isso reflete a transferência da abordagem urbanística progressista e culturalista para um urbanismo que pensa em escala humana, algo mais próximo das ideias de Jane Jacobs. Ela escreveu o conhecido Morte e Vida das Grandes Cidades (1961) criticando o modelo urbano americano dos anos 50.

 

Se a imagem da cidade ideal se assemelhava à Brasília em larga escala com funções delimitadas por áreas ou, posteriormente, a um condomínio fechado, onde estas funções se limitam a uma elite, hoje a utopia de cidade pensa em escala humana: sonha com pessoas na rua e não confinadas no espaço privado. Pensa em bairros que abrigam diferentes tipos de construções com diferentes funções para que as ruas tenham sempre olhos a vigiando, cria condições propícias para que a rua não seja apenas um espaço de passagem, mas um lugar de convivência.

O branding de muitas construtoras se atenta a essa corrente de pensamento. É comum ver grandes obras imobiliárias ostentando uma identidade que se apropria de códigos das ruas para conversar com este novo momento: o grafitti, a celebração da cidade, etc.

Neste cenário de conscientização sobre o espaço que vivemos, clamamos a ocupação do espaço público. Mas como fazemos isso? Não é qualquer ocupação que se alinha com as ideias de Jacobs, privilegiando as pessoas e pensando em escala humana. Muito pelo contrário, é necessário atentar-se aos movimentos que surgem neste cenário de transição.

A estética do “ocupar”, que produz imageticamente valores de bem-estar e cidadania são promovidos mesmo quando inexiste uma reflexão mais assertiva sobre a cidade, ou seja, mesmo quando se constrói muito cimento sobre o custo de especulação e desapropriação de famílias.

Sob a máscara festiva que anuncia a ocupação do espaço público, ocorre um fenômeno que Sharon Zukin chamou de “pacificação pelo capuccino”, que significa a marginalização de pessoas e cultura local em detrimento de cultura comercial de classe média. É o caso de muitos imóveis que surgem hoje na região da Rua Augusta em São Paulo, por exemplo.

Mais do que nunca, vemos construtoras se apropriando de códigos das ruas em seu branding e tentando se aproximar do público jovem que é familiarizado quase que por inercia com os ideais de Jacobs. Parecem assim se alinhar com o momento atual, porém, essa “ocupação” frequentemente vem desprovida de qualquer reflexão sobre seus impactos futuros.

O branding de muitas empresas pode absorver o espírito de ocupação, mas é preciso atentar se essa ocupação garante o direito das pessoas à cidade ou justamente o contrário. Se essa estética apenas anuncia a criação de condições para a rua como espaço de convivência ou se, na verdade, ela massacra essa possibilidade, tornando aquele espaço ideal restrito apenas no imóvel que ela vende.

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Ponto e Vírgula
09 de maio de 2013 por gabriela

Café com referências

Post Mágico

Muitas referências legais no café de hoje! Vejam o que rolou:

Após ser diagnosticado com câncer, o pai de Kirk Wallace ainda viveu por 7-8 meses antes de falecer. Nesse tempo, comentou com seu filho da sua vontade de tatuar crop circles no braço. Infelizmente, ele não viveu o suficiente, mas Kirk decidiu homenagear seu pai e compartilhou essa experiência.

 

O estúdio chinês LXU produziu uma série de gifs para diferentes datas especiais. É um jeito interessante para mostrar o portifólio de motion.

 

Falando de gifs, muita boa essa propaganda do energético Flying Horse.

 

NUPA é uma produtora/escola pública paulistana. Eles produziram uma série de curtas lindos que exploram a vida e cultura brasileira… olha esse homenageando Mário de Andrade e esse outro sobre a “vida oculta” dos rios, em especial o Tietê.

 

Irritable Bowl Syndrome é uma animação que resume uma parte do livro “The New New Rules: A Funny Look at How Everybody but Me Has Their Head Up Their Ass”.

 

Pra quem não viu, vale a pena conferir este trabalho da Jessica Walsch, que recentemente juntou forças com Sagmeister.

 

Quem já se atreveu a pintar, sabe que aquarela é um desafio. Babem pelos trabalhos do ilustrador Mattias Adolfsson.

 

Amando muito os trabalhos de Ohara Hale. <3

 

A IBM produziu um filme feito de… átomos.

 

Saudade da comida da vó? Olha essas fotos com avós do mundo inteiro e seus pratos.

 

Linda essa animação de Jacob Streilein, estudante da Calarts.

 

Para os amantes da tipografia, uma história concisa feita a mão.

 

E se as modelos mais famosas da História da Arte fossem reais? Veja o trabalho de Flora Borsi.

 

Quartier Latin no passado: olha esse ensaio de 1958 de Gordon Parks (1912-2006) para a Life Magazine.

 

Objetos de garrafas pets (e não é árvore de natal).

 

Sempre bom conferir como está se desenvolvendo o projeto Lettering versus Calligraphy.

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Infográficos
03 de maio de 2013 por gabriela

11 dicas para exercitar a criatividade

Você já passou por um bloqueio criativo? Simplesmente esperar que ele passe pode não ser a melhor ideia pois os grandes insights não costumam surgir de uma iluminação romântica e imprevisível. Por isso, desmitificamos a criatividade e juntamos 11 dicas para exercitá-la.

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Ponto e Vírgula
02 de maio de 2013 por gabriela

Café da manhã com referências

Post Mágico

O café de hoje contou com referências do núcleo de Trends e do Design! Veja o que rolou:


Resignificando objetos cotidianos: esse novo instrumento musical rotaciona objetos de uso diário para gerar som a partir de suas superfícies.


Ainda no universo das mídias de música: o projeto Re:SoundBottle resignifica não objetos, mas os próprios sons cotidianos.


A cruiser é um modelo de bicicleta conhecido por ser bastante estável e fácil de pedalar, exceto quando ela está a alguns metros do chão.

Vamos recordar um pouco do telejornalismo brasileiro nessa maravilhosa entrevista com Keith Haring.


Global Rich List revela a diferença de seus bens materiais em relação ao resto do mundo.


Malaria demorou 6 meses para ser realizado e usa várias técnicas- de origami à nanquim- para contar a história do mercenário Fabiano, contratado para matar a Morte.


Apesar de seus métodos um tanto obscuros de pesquisa, Trial by Timeline é uma plataforma bem interessante. Ela analisa sua timeline do Facebook para te sentenciar segundo a lei de diferentes países.


A marca de marcadores Molotow chamou o russo Pokras Lampas para caligrafar no corpo de quatro modelos. O trabalho de Pokras é impressionante, no entanto, lamentamos a estética Playboy das fotos finais.


O próximo filme de Lars von Trier, Nymphomaniac, nem foi lançado e já criou polêmica após o diretor declarar que as cenas de sexo não seriam simuladas. Vamos esperar o lançamento para comentar mais, mas enquanto isso podemos criar previsões a partir do cartaz.


Tiger in a Jar é um projeto do casal Matt e Julie Walker. Eles fazem filmes baseados em experiências cotidianas, mas os vídeos mais legais são os de receita!

A barbearia holandesa Barber conseguiu aumentar muito o número de clientes após a campanha Tame the Beast (“dome a fera”).

 

The Gospel according to Givenchy é o nome da nova coleção de primavera/verão 2013 da Givenchy. Polêmico.

Felipe Carrelli transforma carros abandonados em instalações urbanas.

 

O projeto Seis Músicas faz playlists para cada momento do seu dia.

 


Iceber.gs é uma plataforma interessante que ainda está na fase beta, mas de tempos em tempos eles mandam convites para novos usuários.

 

Michelle Wang explorou a ideia de ilusão versus realidade para criar uma série de posters inspirado em três obras de Shakespeare: Hamlet, A Midsummer Night’s Dream e Macbeth.

 

Katie Shelly ensina receitas com infográficos ilustrados. Nada de textos, nem medidas exatas.

 


Run! é um curta animado sobre associações. Cuidado epiléticos.

 

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Ponto e Vírgula
25 de abril de 2013 por gabriela

Café da manhã com referências

Post Mágico

De bonecos barbudos seminus a aplicativo infantil, o café de hoje contou com muitas referências incríveis:

 

Mary Design | Incomuns | Parte 01 – Infância from Mary Design on Vimeo.

A série Incomuns, produzida pela marca Mary Design, explora a auto-descoberta de mulheres que sempre se sentiram originais. Nessa parte, cada uma conta sobre sua infância e como alguns episódios moldaram seus sonhos e aspirações.

 

When I Grow Up from The Academy on Vimeo.

Ainda falando sobre como a infância molda nossos sonhos, When I Grow Up explora a imaginação de um menino.

 

De família indiana, o artista Aakash Nihalani se inspira na arquitetura urbana. Suas esculturas e intervenções mostram a cidade como uma rede infinita de cubos.

 

Matthew Lyons é bastante citado em blogs de referência, mas vale a pena rever seu portifólio.

 

Pesquisas mostraram que o ambiente perfeito para a produtividade requer um nível de barulho moderado. Pra criar um ambiente controlado de criatividade, Coffitivity traz o som de um café para o desktop.

 

Chickpea é uma publicação sobre gastronomia vegan que encoraja um estilo de vida baseado na alimentação saudável.

’030′ by The Good The Bad (UNCUT) from The Good The Bad on Vimeo.

O clipe sexy da banda The Good The Bad.

 

Sébastien Tellier – Look from Record Makers on Vimeo.

E outro clipe sexy de Sébastien Tellier. Vale a pena ver de novo.

 

Drawnimal é um aplicativo infantil (mas adultos também vão querer baixar) para incentivar o desenho e a alfabetização.

Brasuca from Animatorio on Vimeo.

O programa Brasuca do Cartoon Network ganhou uma abertura maravilhosa toda feita a mão pelo estúdio Animatório.

 

Impossível não se impressionar com o portifólio do italiano Matteo Meta.

 

My Cooking Diary é o diário de receitas da designer Sharon Hwang.

 

El Clásico – [5-0] [illustration] from likethatstuff on Vimeo.

Até quem não gosta de futebol vai amar o clássico Barcelona x Real Madrid animado por Richard Swarbrick.

 


Ao ver Mimi Kirchner é difícil imaginar que ela produz bonecos de homens peludos e seminus.

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Ponto e Vírgula
18 de abril de 2013 por gabriela

Café da manhã com referências

Post Mágico

O café de hoje foi cheio de referências interessantes. Vejam o que rolou:

Good Books é uma livraria online da Nova Zelândia com uma proposta bastante interessante: direcionar 100% do que recebem para projetos sociais da Oxfam.

 

The Reconstrutionists é um projeto da ilustradora Lisa Congdon e da escritora Maria Popova. Toda segunda-feira, por todo ano de 2013, elas publicam uma ilustração e um texto sobre mulheres que impactaram nossa cultura e como vivemos nossa vida- independente do gênero!

 

The Periodic Table of Jazz é uma tabela periódica diferente. Sem compostos químicos, com Louis Armstrong, Charlie Parker e Count Basie (OBS: precisou-se criar uma categoria completamente nova para Miles Davis)!

 

Dys4ia poderia ser só mais um jogo online, mas seu caráter autobiográfico explica um tema que muitas pessoas ainda não entendem completamente: a transsexualidade. Criado por Anna Anthropy, o jogo relata de maneira divertida a época em que ela começou sua terapia de reposição de hormônios.

Evolution of Music mostra a evolução da música desde o século XI até os dias de hoje.

MōVI BTS from Vincent Laforet on Vimeo.

Com produção 100% independente, MōVI é uma câmera digital com um estabilizador que permite todo tipo de movimento sem deixar o filme tremer. Imagine quanto dinheiro se economizará em travelling!

 

E para finalizar, um mix de duas coisas que o núcleo do design aguarda ANSIOSAMENTE: Bling Ring – o novo da Sofia Coppola com a Emma Watson + Get Lucky, do novo CD do Daft Punk – que tocou em loop durante semana no núcleo aqui na Box.

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Ponto e Vírgula
11 de abril de 2013 por gabriela

Café da manhã com Referências

Post Mágico

O café de hoje foi cheio de referências legais! Vejam o que rolou:

Pra quem está acostumado com projeções em video mapping com estéticas realistas ou geométricas, vale a pena conferir trabalhos que fogem deste padrão, como Run e Homeless da dupla Vjsuave (Ygor Marotta e Ceci Soloaga).

 

Incidental Comics exibe os quadrinhos do cartunista e ilustrador Grant Snider.

O escritório japonês Torafu Architects criou vasos de papel baseados na Bauhaus, que podem ser modelados de vários jeitos. Estão disponíveis na Upon a Fold. 

 

Para os tímidos: In Between é um trabalho incrível da escola Gobelins sobre uma mulher perseguida por um crocodilo, que representa sua timidez.

 

 

N é o aplicativo criado por Jorge Drexler que possibilita o usuário de interagir com a música, criando novas composições.

 

Candy Chang é uma artista que mescla sua subjetividade com o espaço público. Após a morte de uma pessoa querida, Chang repensou diversas questões que a fizeram criar Before I Die: um painel sob o muro de uma casa abandonada onde as pessoas podem escrever o que querem fazer antes de morrer.

 

A Hyper Island é uma espécie de Harvard digital na Suécia que oferece vários cursos interessantes. Este site, criado por alunos do curso Digital Data Strategist, mostra os conteúdos de cada programa e como evoluir através deles (detalhe: scroll num sentido nada usual – de baixo pra cima).

 

E pra terminar o post e deixar o dia de todo mundo lindo: Fight For Everyone da banda Leisure Society. Babem por este clipe maravilhoso!

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Ponto e Vírgula
05 de abril de 2013 por gabriela

Café da manhã com referências

Post Mágico

Toda quinta-feira de manhã, o núcleo de Design da Box 1824 organiza um café da manhã para compartilhamento de referências. Vale tudo: coisa velha, coisa nova, coletivos, organizações, iniciativas, portifólios ou vídeos interessantes. E agora decidimos compartilhar tudo isso aqui no Ponto!

Vejam o que rolou:

Celestial Dynamics do designer Kim Taylor explora a estética de diagramas antigos de astronomia.

30 things at 30 trata da auto-análise do designer Fabricio Lima, mais exatamente de 30 conclusões sobre si mesmo feitas aos 30 anos. Dá vontade de fazer um também!

Back to Me é uma música linda do Joel Compass (e o clipe não poderia deixar de ser ridiculamente lindo).

Cinemetrics cria uma espécie de “impressão digital” para filmes, a partir de suas cores, estrutura, falas e movimentação. Gerou bastante buzz há um tempo atrás, mas vale a pena relembrar!

O mexicano Gabriel Dawe  largou seu emprego como designer gráfico para se dedicar à arte. Suas instalações costumam explorar questões de gênero e identidade nacional. Seu projeto mais recente, Plexus, vale a pena de ser visto e pensado.

Life Drawing at The Book Club dá vida múltipla à modelo nua.

Koloman Moser foi um grande artista da Art Nouveau, que se dedicava tanto às artes plásticas, quanto ao design de materiais diversos.

Bolacha de Chopp Magnética é uma maravilhosa iniciativa de SouBH para conscientizar a galera de que beber e dirigir são duas atitudes que não (nãaaaaaaaaooooo) combinam!

Rios e Ruas é uma iniciativa que conscientiza e explora in loco as cidades, redescobrindo os rios já invisíveis e soterrados por concreto. Dessa forma, cria a discussão sobre problemas urbanos e aproxima a sociedade civil do próprio ambiente.

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