Categoria: Arte

Arte
02 de junho de 2013 por Juliano Dornelles

Lynch e o mistério no Vine

David Lynch criou um vídeo no Vine chamado ”Another Mystery”, o nome não pode ser mais propício. Na sua página do Youtube um vídeo similar mas mais longo também foi lançado. Por enquanto só rola aguardar ou especular, nenhuma informação sobre os vídeos foi divulgada ainda sobre esse projeto misterioso.

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Arte, Comportamento
17 de maio de 2013 por pontoeletronico

Apropriação Urbana: Um paulista nas ruas cariocas

São Paulo, sempre foi um dos grandes locais de transformações culturais do mundo. Uma mistura de referências e possibilidades que faz pulsar dentro da cabeça dos moradores e visitantes visões amplas do que é um espaço urbano e como podemos nos “apossar” dele.

Morei no centro de São Paulo por anos e percebi como a ocupação artística e cultural do espaços públicos e alternativos começaram a pipocar e a estimular esse “entretenimento independente”.

Como alguns exemplos bacanas disso posso citar: a Voodoohop, que além de acontecer na Trackers, já ocupou o Minhocão e leva muita gente para se divertir com uma estrutura limitada mas em uma vybe muito positiva; a Selvagem, que é uma festa que começou de forma tímida, mas que com o crescimento do evento hoje acontece mais no entorno do que no próprio bar; a última ocupação festiva do Anahngabaú; e a própria Praça Rooselvet que passou a ser ótimo local para receber esses movimentos coletivos “open air”.

Na última semana me mudei para o Rio de Janeiro e vi como essas mobilizações coletivas independentes estão muito mais desenvolvidas aqui. Felizmente!

O carioca já tem na essência curtir o espaço público e falo isso desde as praias, dos parques, até os eventos alternativos e de movimentação pública. O mais interessante é que, utilizar a estrutura urbana independe de ser “descolado” ou “hipster”. Há opções bombando por todos os lados e para todos os gostos.

Na primeira semana de Rio estive em um show de blues na Pedra do Leme. Um evento que reniu cerca de 150 pessoas e totalmente independente.

A banda paulistana Jazz, Ribs & Abobrinhas organizou com amigos cariocas esse show, e ocupou o espaço animando convidados, turistas e curiosos sortudos que puderam se divertir com som de qualidade e uma vista incrível.

Por um convite do @jeff_nascimento, acabei na Praça São Salvador no Laranjeiras, onde encontrei um local intenso de jovens e galera descolada. O coreto da praça recebe aos finais de semana apresentações de jazz, samba e chorinho. Em um dos dias há a Rádio Bike: uma bicicleta sonorizada que faz o som da praça, mas que circula pela cidade toda. Porém, esse encontro coletivo já passou por mal bocados: nos últimos anos a vizinhança se mobilizou com a prefeitura para acabar com o espaço (coisa que tenho visto nos arredores da Praça Roosevelt). Hoje, as apresentações têm hora para acabar, mas as pessoas, obviamente, sempre continuam até altas horas da madrugada.

A Festa Elaetropical reuniu um pessoal alternativo e descolado em um galpão da Lapa, que contou com projeções nas paredes, uma instalação de noiva e uma cabana inflável. A festa extrapolou o galpão e tomou conta da rua em frente abraçåndo todo mundo que passava por ali.


A Lapa para mim, novo no local e sendo passível de julgamentos, é uma representação carioca do que acontece na Rua Augusta (ou vice e versa): um território de expressão, socialização e diversão para todos os tipos de pessoas e movimentações culturais.

A Rua do Lavradio, no Centro do Rio, recebe não só uma feira mas também o famoso Baile Charme. Ali mais do que socializar, as pessoas se encontram para por em prática os passinhos ao som de uma mesa de DJ improvisada na calçada. O clima, além de divertido, traz aquele lado carioca de sentir a cidade em espaços públicos e abertos, sem a necessidade de nenhuma “catraca”.

Obviamente isso aqui foi apenas uma amostra: tem muito entretenimento democrático por todos os lados aqui no Rio de Janeiro. Festas acontecendo no Vidigal, no centro da cidade e encontros coletivos sem local definido em outras regiões.

A minha visão é que São Paulo tem caminhado para um comportamento como esse. Mas ainda há muito para ser “ocupado”. A gentrificação tende a repensar toda a estrutura da cidade, mas no momento, se limita há meia dúzia de bairros paulistanos. Uma das minhas esperanças, é que a cada visita à São Paulo eu veja mais opções de diversão no asfalto.

Enquanto isso por aqui, no Rio, tem muitas “ruas” ocupadas para eu conhecer ainda. Vamos aos poucos não é?!

(Diego Oliveira é publicitário e nos contou sua experiência como paulista que está apaixonado pelo Rio de Janeiro)

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Arte
16 de maio de 2013 por marimessias

Apagão

Tomamos algumas coisas como certas, sem sequer notar seu valor até que tenhamos perdido elas. Uma dessas coisas é a energia elétrica.

E eu posso dizer isso com certeza, já que logo que decidi morar sozinha, quando ainda estava na faculdade e sobrevivia com o que ganhava em estágios, minha luz era cortada todo dia 15, o que me rendia sempre meio mês vivendo no escuro, sem computador, televisão, videogame, nem a possibilidade de ler depois de certo horário.

Se uma casa sem luz é puro horror, imagina uma cidade.

Essa é a premissa da HQ Apagão – Cidade Sem Lei/Luz, onde um blecaute misterioso transforma a cidade de São Paulo em um território inóspito e perigoso, tomado por gangues.

Mas nem tudo é horror, já que, no meio a esse caos, um grupo conhecido como Macacos Urbanos tenta proteger a população. Os Macacos Urbanos são órfãos adotados pelo visionário Apoema, que os treinou nas artes das ruas: le parkour, skate, capoeira, grafite, sobrevivência e agricultura.

Massa, né? Então saiba que quem curtiu a vibe de uma São Paulo pós apocalíptica pode ajudar a financiar a idéia no Catarse e, em troca, ganhar a revista e mais mil contrapartidas legais.

Se tu ainda tá em dúvida, vale dizer que o roteiro da HQ está sendo escrito pelo Raphael Fernandes, editor da MAD, do blog Contraversão, da linha de quadrinhos da Editora Draco e autor de Ditadura No Ar e Ida e Volta. Os desenhos lindões são do Camaleão, que é caricaturista, ilustrador, trabalha na MAD e já participou da  Imaginários em Quadrinhos.

Então bora ajudar essa ideia a se tornar realidade. E bora aprender a valorizar (e economizar) a tão preciosa luz.

 

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Arte, Comportamento
15 de maio de 2013 por pontoeletronico

Porto Alegre: espaços de afeto e zonas temporárias de vivência


Porto Alegre, a cidade metropolitana com costumes provincianos, é a capital de acontecimentos como Fórum Social MundialFestival Internacional de CinemaFestival de Teatro de Rua de Porto AlegreBienal do MercosulFeira do LivroPorto Alegre em Cena, e há mais, muito mais: os portoalegrenses estão se reapropriando dos espaços comuns e questionando sobre sua condição de ser cidadão. Afinal de contas “o que eu, vivente da cidade, tenho a ver com isso?”

Há um sintoma mundial de descontentamento com a forma de sistema econômico consumista, desrespeitoso e exploratório que desde a Revolução Árabe, Protesto de 2008 na Grécia e Los Indignados na Espanha em 2011, assim como em vários países europeus e da América Latina reverberam ecos de contestação nas principais capitais mundiais para novas formas das pessoas se relacionarem com seu corpo, com meio onde vivem, com a natureza e com as formas de acessar às cidades. Em Porto Alegre não é diferente, a cidade acordou para ela própria e está criando formas de organização coletivas e movimentando espaços culturais da cidade.

Tenta-se questionar neste momento um processo que ganha um nome feio de gentrificação, ou seja, a tal “higienização cultural” que vislumbra transformar cidades em regiões acépticas e sem vida, como grandes shoppings cercados e monitorados. Apoiado nesta ideia, está a gestão de uma governança municipal desenvolvimentista (e às vezes má humorista) que realiza um plano nacional de Copa do Mundo, invadindo a cidade com obras megalomaníacas, com privatizações e restrições de uso de espaços públicos, especulação imobiliária, despejos de famílias e comunidades inteiras de suas casas, interditando pontos de encontro, e inclusive, realizando graves repressões policiais contra comunidades quilombolas, indígenas, da periferia e de movimentos de protesto, em contraponto a isso, se insurgem grupos de pessoas que colocam seus corpos na rua a fim de ressignificar seu vínculo com o local onde moram.

Daí a importância dos espaços de afeto da cidade como fala Zé do Tambor, um dos fundadores da Terreira da Tribo. Cada vez mais se vê a necessidade de resgatar identidades culturais formadoras, construir lideranças artísticas e estar na rua em diálogo com as pessoas e com cidade.

A atividade cultural da cidade é resistente em locais como a Redenção, onde acontecem encontros contínuos de malabaristas e artistas de circo da cidade; os domingos de Brique da Redenção, onde se reúnem artesãos, livreiros, antiquaristas, artistas visuais expositores e artistas de rua como Zé Da Folha, tocador de viola e folha, Marcelo Tcheli, bonequeiro, os músicos do Conjunto Blue Grass Porto AlegrenseCia-Um-Pé-de-DoisCirco Petit POA-RS e outros tantos, além da maior feira orgânica da América Latina que é Feira dos Produtores Orgânicos que acontece nos sábados na José Bonifácio que encontra projetos irmãos no Menino Deus e na Zona Sul. Uma feira ao ar livre representa troca de conhecimentos, conscientização do consumo, da saúde mundial e o incentivo a um sistema sustentável da agricultura.

Os artistas se apresentando em espaços públicos, automaticamente, criam um sentimento de identidade, pertencimento e cidadania, e determinada rua ou centro cultural já não é mais a volta para o trabalho, é um palco, um atelier, uma sala de cinema.

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Arte, Comportamento
15 de maio de 2013 por Eduardo Biz

Retrato da arte urbana contemporânea em São Paulo

A artista francesa Gasediel reinterpreta obras importantes da história da arte, misturando elementos da arte urbana presentes na capital paulista

Conhecida por muitos anos como a “cidade cinza”, São Paulo vem passando por um intenso processo de coloração desde os anos 1980 até hoje. A arte urbana passou a ser um dos principais ícones desta metrópole, mesmo em meio a constantes controvérsias.

O grafite evoluiu e abriu espaço para diversas manifestações artísticas na cidade. Mas afinal, qual é a cara da arte urbana paulistana em pleno 2013? A resposta é mais ampla do que se pensa. Abaixo, vou pincelar alguns caminhos que vem sendo observados. Os comentários estão abertos para você ajudar a construir esse mapeamento. ;)

Arte urbana é atração turística

Quem visita São Paulo em busca dos melhores museus e galerias do país, inevitavelmente coloca as ruas no mapa das artes. Muitos hotéis promovem city tours especializados em grafite, que passam por locais como o Beco do Batman. Alguns chegam a cobrar quase R$400 pelo passeio de 3 horas.

Arte urbana ainda é assunto confuso para os políticos

Apesar de iniciativas muito positivas, como a criação do MAAU-SP (Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo) e a legalização das manifestações artísticas em locais públicos sem necessidade de licença, a prefeitura continua apagando muita street art por aí, como aconteceu recentemente com uma obra dos Gêmeos.

Arte urbana é feita na própria estrutura

O uso da própria estrutura como matéria-prima para a obra é a técnica utilizada por muitos dos nomes mais promissores da arte urbana dos últimos anos.

Alexandre Farto, também conhecido como Vhils, esculpe rostos em muros, portas e paredes através da escavação destas superfícies.

Outro exemplo é Alexandre Orion, que usa a poluição e a fuligem dos carros para dar vida aos seus desenhos.

Arte urbana vai além da parede

Não é por falta de parede que a arte urbana deixará de acontecer. Artistas exploram outras plataformas e superfícies, como é o caso de Mark Jenkins. Fita adesiva é o material usado em suas esculturas, espalhadas por diversas cidades do mundo além de São Paulo.

Os bueiros pintados pela dupla 6eMeia ganharam fama mundial e já viraram exposição na Choque Cultural.

Arte urbana é intervenção no cotidiano

Eduardo Srur é um dos artistas mais conceituados atuantes no território urbano paulistano. Garrafas PETs gigantes no rio Tietê, barracas de camping penduradas em edifícios, caiaques sobre as águas poluídas do rio Pinheiros… Difícil alguém que ainda não tenha esbarrado em alguma de suas obras pela cidade. A carruagem na Ponte Estaiada da Marginal Pinheiros compara a velocidade média de deslocamento de um carro e a velocidade de uma carruagem nos tempos do Império: ambos movimentam-se a 20 quilômetros por hora.

O coletivo Aqui Bate um Coração colocou corações em mais de quarenta estátuas de São Paulo, com a intenção de trazer mais amor e reflexão sobre o comportamento nos centros urbanos. Este mesmo grupo adesivou mais de 200 relógios da cidade com cartazes dizendo “aqui o tempo parou”.

Arte urbana reconhece seus pioneiros

A arte de rua se vê cada vez mais dentro das galerias. Alex Vallauri, um dos pioneiros no Brasil, está em exposição atualmente no MAM. Seus grafites foram espalhados em diversos locais de São Paulo nos anos 1970 e 1980.

A galeria virtual do Google, que possibilita um super zoom em obras célebres da história da arte, conta com quase 200 grafites de São Paulo em seu “acervo”.

Galerias paulistanas de arte urbana, como a A7MA, são presença obrigatória em feiras importantes no exterior.

O mural com o rosto de Oscar Niemeyer, realizado por Eduardo Kobra, repercutiu no mundo todo e foi amplamente divulgado nas redes sociais, desde sua construção até a finalização da obra.

Arte urbana inspira “sobrearte”

A exposição “Novo Olhar Urbano”, na A7MA, reúne artistas que registram a arte urbana  através da fotografia. É uma prática que vem assumindo um segundo caráter de arte, uma espécie de “sobrearte”: imagens que vão além do papel de documentar, e carregam uma alta dose de expressão pessoal.

A artista americana Jessica Hess se inspira na arte de rua de São Paulo e de outras cidades para reproduzir obras urbanas em suas telas. Realistas, as pinturas são feitas com tinta óleo ou guache.

O britânico INSA criou gifs animados de street art. A ideia era promover o álbum de Atoms for Peace, banda de Thom Yorke.

Arte urbana é catalogada coletivamente

Instagrafite é um projeto no Instagram que funciona como uma grande galeria virtual de street art. O conteúdo é gerado pelos usuários: seguidores são convidados a utilizar a hashtag #instagrafite em seus achados pelas ruas.

A Folha de São Paulo convoca seus leitores a enviar imagens de arte urbana para ilustrar edições da revista sãopaulo, que acompanha o jornal aos sábados.

Lançado recentemente, o Color+City é uma plataforma online na qual o dono de um muro livre pode oferecer o espaço para um artista pintar. No site, são catalogadas as obras já executadas.

A marca de papel higiênico Personal desenvolveu a campanha Movimento Papel do Cidadão, uma campanha onde os paulistanos puderam sugerir locais feios da cidade que poderiam ganhar o trato de um time de grafiteiros.

Arte urbana está cheia de amor pra dar

Desde sua origem, a arte urbana sempre esteve muito associada à revolta. De uns anos pra cá, o protesto rancoroso deu espaço a manifestações de amor e de humor, sem nunca perder seu tom provocador.

Nas eleições do ano passado, o Cavalete Parade tirou um sarro da propaganda política irregular nas ruas. A ideia foi “pegar emprestado” um cavalete e fazer uma intervenção artística por cima. Uma semana antes da eleição, rolou uma exposição na avenida Paulista.

O Coletivo Oitentaedois espalhou letras do alfabeto pelos muros de São Paulo, em forma de movimentos de break-dance. ”Surgiu a ideia de criar uma espécie de jogo, onde a descoberta de algumas letras leve à procura e interação com as outras, chamando atenção para a dança de rua”, diz Caio Yuzo, autor do projeto.

O vjsuave, duo composto por Ygor Marotta e Cecilia Soloaga, explora recursos como video mapping, live painting e moving projection para disseminar mensagens de amor pelas ruas.

O projeto As Ruas Falam reúne frases e desabafos fotografados em espaços urbanos de São Paulo e outras cidades. Todos podem enviar contribuições usando a hashtag #asruasfalam no Instagram.

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Arte
07 de maio de 2013 por nina

Artista Music.Box: Arthur d’Araujo

Para 2013, o Music.Box fez uma parceria com o Pupunha Ink, evento de desenho que acontece mensalmente em São Paulo, que vai fazer a curadoria dos artistas mais legais que já passaram pelo evento para ilustrar as playlists. A primeira é honra de Arthur d’Araujo, o criador e mestre de cerimônia do evento drink ‘n’ draw.

Mr. d’Araujo é artista plástico por formação e trabalha atualmemte como diretor de arte na agência Wieden+Kennedy São Paulo. Apesar de viver da publicidade, arte é sua grande paixão. O rapaz não vive sem seu caderno de desenho, suas canetas e seu estojo de aquarela para desenhar quando bem entender. Todos os pratos e drinks em restaurantes são registrados, assim como detalhes das suas viagens pelo mundo: é seu jeito de ‘fotografar’. Em janeiro de 2013, o artista integrou uma exposição de arte em Cuba com outros artistas contemporâneos brasileiros.

Veja mais da sua arte abaixo:

Além dos seus trabalhos incríveis, Arthur ainda é o criador e organizador do evento mensal Pupunha Ink. A ideia é reunir pessoas que gostem de desenho, sejam elas profissionais ou amadoras, para rabiscar enquanto tomam uma cervejinha. O sucesso do evento é por seu clima divertido e despretensioso proporcionado pelos jogos de desenho, idealizados para que pessoas que não desenhassem normalmente (como muitas namoradas de ilustradores, que acompanhavam o parceiro no evento mas ficavam bebendo de braços cruzados) pudessem interagir.

Aliás, o evento acontece nesse sábado, dia 11 (em São Paulo). Para conhecer mais do trabalho do Arthur d’Araujo, acesse: http://www.arthurdaraujo.com. O Instagram do cara também é ótimo. Ah! E não esquece de conferir a playlist que o Music.Box fez do Coachella 2013, com capa desenhada pelo artista.

Crédito das fotos: Catharina Suleiman, Nelson Aguilar e Walter Kinder.

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Arte, Comportamento, Música
06 de maio de 2013 por marimessias

Batalha de conteúdos

Vocês conhecem o passinho? Como mais de 4 milhões de pessoas já viram o primeiro vídeo do estilo, imagino que muita gente conheça. Desde que este vídeo abaixo, gravado com uma câmera fotográfica,  foi publicado no Youtube, lá em 2008, o passinho cresceu tanto que virou uma epidemia.

Claro que o sucesso do passinho está relacionado com o poder contagiante da música e da dança, mas ele também pode dizer que teve como grande aliado o crescimento do Youtube no Brasil: o site já é o segundo mais popular (só em 2012 o consumo de vídeo cresceu 18% por aqui). E, segundo palavras do executivo do Google Eric Schmidt, o Google já é maior que a TV.

Por outro lado, sites como o Youtube também podem dizer que tem grandes aliados em vídeos como “Passinho Foda”, já que seu crescimento está diretamente relacionado ao conteúdo de usuários veiculado nele. Como disse o chefe global de conteúdo, do Youtube, Robert Kyncl: “Eu pensei que o YouTube era como TV, mas não é. Eu estava errado. TV é unidirecional. O You tube responde a você.”

E responde, mesmo. No caso de passinho, além das respostas no próprio site, ele inspirou especiaisartigos acadêmicos, uma competição super disputada, e um documentário que tem o mesmo nome da competição: Batalha do Passinho.

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Arte, Comportamento
02 de maio de 2013 por marimessias

Wildcat

Vale a pena conferir esse micro doc do Kahlil Joseph (diretor do lindo Until The Quiet Comes, do Flying Lotus – que também faz a trilha desse filme). O doc fala da pouco conhecida cena do rodeio afro-americano de um jeito bem poético, quase como se fosse um sonho.

A dica foi do Roberto Nascimento e, para saber mais, passa no Nowness.

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Arte
24 de abril de 2013 por marimessias

I love your work

2.202 clips de 10 segundos mostrando a vida de profissionais da pornografia lésbica. Esse é um resumão do projeto I Love your Work, de Jonathan Harris, fundador do Cowbird. Jonathan passou 10 dias documentando a vida privada dessas mulheres, ficando 24 horas como cada uma delas e fazendo micro vídeos a cada 5 minutos.

Segundo palavras do próprio diretor: “O projeto é menos sobre porn e mais sobre nove mulheres vivendo as complexidades da vida, juventude, fama, privacidade, gênero e sexualidade nos dias de hoje”

O ingresso para assistir online é $10 e o projeto é limitado a 10 visitantes diários.

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Arte, Moda, Ponto e Vírgula
18 de abril de 2013 por Eduardo Biz

Sobre a estética da imortalidade e o choque contemporâneo

Post Mágico

Phillip Toledano é um grande artista. Entre sua rica produção, o projeto que mais se destaca é uma trilogia (ainda inacabada) sobre a mortalidade.

A primeira parte deste projeto, “Days With My Father”, ficou muito famosa quando foi lançada em 2010. Trata-se de uma série de fotografias que Toledano fez de seu pai em seus últimos anos de vida, sofrendo de perda de memória. São imagens emocionantes, acompanhadas de textos extremamente sensíveis, que resultam em pura emoção e enchem os olhos de lágrimas.

A sequência da trilogia — sobre a qual quero me aprofundar nesse texto — é “A New Kind of Beauty”, que traz imagens desta vez focadas na questão da imortalidade. Aqui, os protagonistas das fotografias são pessoas que passaram por cirurgias plásticas radicais, em busca da perfeição estética e da eterna juventude.

Com efeito chiaroscuro, estes retratos quase remetem a uma beleza clássica, não fossem pelas modificações faciais, implantes, lifts, injeções de colágeno, e todas as suas possíveis combinações. A inspiração de Toledano é o alemão Hans Holbein the Younger, conhecido por pintar os retratos mais realistas do século 16.

As reações a essas imagens são diversas: susto, surpresa, nojo, piedade, risos, repulsa, admiração, desdém… Seja o que for, é inegável que o primeiro instinto ao se deparar com seres tão familiares — e, ao mesmo tempo, tão distantes daquilo que estamos acostumados a conhecer — é uma espécie de choque.

E temos de admitir: hoje em dia, é rara a estética capaz de chocar. Como pode a sociedade contemporânea olhar torto para essas imagens? Logo ela que se diz tão moderna e aberta ao novo; que já viu de tudo e aprendeu a admirar as vanguardas da arte; que se assume plural e confortável com a diversidade?

Ao longo da história da humanidade, cada época se escandalizou com alguma manifestação estética, seja vindo da moda, das artes plásticas ou da subcultura. Ao longo dos anos, porém, a evolução do pensamento sempre passou a assimilar e incorporar essas novidades.

Pense na estética punk, por exemplo, e como ela foi agressiva para os anos 1970. Hoje, é um movimento totalmente agregado à cultura pop. Aliás, um breve olhar histórico já revela diversos outros momentos de choque e escândalo que hoje não assustam nem ao Papa Francisco:

Mulheres tatuadas causando tumulto no final do século 19

No seriado Downton Abbey, Lady Sybil é recriminada por usar calças em pleno 1912

Leila Diniz afrontando o Brasil nos anos 1960. “Transo de manhã, de tarde e de noite.”

O grafite, antes visto como arte marginal, hoje no interior de luxuosas propriedades

São tabus que foram digeridos pela sociedade. Na cultura pop, a tríade “sexo, religião e morte” sempre foi (e sempre será?) sinônimo de falatório. Madonna sabia bem disso quando simulou masturbação no palco, queimou cruzes e sensualizou com santos negros nos anos 1980. Mas a sexualização dos videoclipes daquela época parece bem inofensiva hoje em dia.

O inaceitável de ontem é o bem aceito de hoje. Em “História da Feiura”, o semiólogo Umberto Eco avalia que os conceitos de belo e feio são relativos aos vários períodos históricos e às várias culturas:

“Observamos incrédulos as fotos das atrizes dos filmes mudos sem entender como seus contemporâneos podiam considerá-las fascinantes e não poderíamos, por outro lado, incluir uma mulher rubenesca em um desfile de moda de atualmente. Mas não é apenas o passado que resulta incompreensível: no mais das vezes, os contemporâneos mostram-se incapazes de apreciar o futuro, ou seja, as propostas muitas vezes provocativas apresentadas pelos artistas.”

E é exatamente disso que falam as fotografias de Toledano. Segundo o artista, sua intenção foi representar um lado bastante particular da beleza dos nossos tempos, que mistura métodos cirúrgicos, arte e cultura pop. Seria esta a vanguarda da evolução estética humana? O feio de hoje passará a ser belo daqui a 20, 50, 100 anos?

A russa Valeria Lukyanova e o americano Justin Jedlica, conhecidos como “Barbie” e “Ken” da vida real.

Nietzsche aborda essa questão em “Crepúsculo dos Ídolos”:

“No belo, o ser humano se coloca como medida da perfeição; adora nele a si mesmo. No fundo, o homem se espelha nas coisas, considera belo tudo que lhe devolve a sua imagem. O feio é entedido como sinal e sintoma de degenerescência. Cada indício de esgotamento, de peso, de senilidade, de cansaço, toda espécie de falta de liberdade, como a convulsão, como a paralisia, sobretudo o cheiro, a cor, a forma da dissolução, da decomposição… tudo provoca a mesma reação: o juízo de valor ‘feio’. O que odeia aí o ser humano? Não há dúvida: o declínio de seu tipo.”

A polêmica que o trabalho de Toledano causa não é pouca, vide os comentários dos leitores deste blog argentino que postou sobre o assunto. É uma obra que coloca em pauta nossa noção de realidade. Outra artista muito conhecida pelas modificações corporais — porém com outra pegada — é ORLAN, que no início dos anos 1990 começou a fazer procedimentos cirúrgicos a fim de usar o próprio corpo como plataforma de sua produção artística.

Obras de arte que provocam reações avessas aos nossos padrões de belo são muito definidoras na história da humanidade, e são até capazes de gerar efeitos psicossomáticos como vertigens, falta de ar e alucinações.

Mas são elas as principais responsáveis por colocar em discussão os próximos passos do nosso tempo, ainda assombreados por preconceitos de quem teme a evolução.

“Esta beleza universal que a Antiguidade derramava solenemente sobre tudo não deixava de ser monótona; a mesma impressão, sempre repetida, pode fatigar com o tempo. O sublime sobre o sublime dificilmente produz um contraste, e tem-se necessidade de descansar de tudo, até do belo. Parece, ao contrário, que o grotesco é um tempo de parada, um termo de comparação, um ponto de partida, de onde nos elevamos para o belo com uma percepção mais fresca e mais excitada.” (Victor Hugo em “Cromwell”)

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