Categoria: Moda

Comunicação, Moda
25 de março de 2013 por Eduardo Biz

O poder do Storytelling no São Paulo Fashion Week

Comparando alguns desfiles desta última edição do São Paulo Fashion Week, podemos perceber o poder de encantamento que tem o storytelling. Uma história bem contada é capaz de gerar sorrisos, despertar curiosidade e criar lembranças sentimentais entre marca e consumidor.

Ronaldo Fraga sabe disso como ninguém. Com desfiles sempre muito lúdicos, o estilista explorou no Verão 2014 o universo do futebol, traduzindo essa paixão cultural brasileira em uma história cheia de emoção. Graças a detalhes preciosistas, o tema é sacado desde a entrada na sala de desfiles até a roupa em si. A atmosfera envolve o espectador e o deixa curioso (e ansioso!) pelo que está por ser apresentado: desde a passarela em formato de campo de futebol até o release que se desdobra em um grande pôster futebolístico. Mesmo quando a roupa deixa a desejar, a magia da história impossibilita que se desgoste da coleção. Eis aí o poder de encantamento do storytelling: são os vínculos instantâneos que se criam entre o processo criativo e o público.

Em Nova York, a St(o)ry é uma incrível contadora de histórias. Trabalhando com conceitos sazonais que não duram mais de dois meses, a loja oferece um catálogo de produtos que conversam entre si debaixo de um mesmo guarda-chuva temático. Existe uma história por trás de cada um deles, e fazer o consumidor entender os motivos de sua curadoria é uma experiência que eleva o status da compra a um nível sentimental.

Na crise do varejo offline, o storytelling é uma alternativa que propõe a fuga do modelo impessoal de loja e entrega ao consumidor o poder da descoberta. Mesmo que você não compre nada, ao menos aprendeu algo novo durante sua visita à loja.

Nessa era de overload de informações em que vivemos, a falta de aprofundamento é vista pelos estudiosos como uma grande problemática contemporânea. Essa digestão superficial de conteúdos potencializa um desejo de entendimento sobre tudo aquilo que estamos consumindo, lendo, experimentando… É uma vontade de transformar o efêmero em algo valioso.

A Kiosk, também em Nova York, optou por um approach informativo para dispor suas mercadorias. Com uma diversidade de produtos vindos de todas as partes do mundo, a loja exibe as peças como se elas estivessem em uma exposição de arte. Cada item recebe uma tag com a descrição detalhada sobre sua origem e curiosidades sobre sua fabricação.

Tem também o Sicilia Outlet Village, o primeiro grande outlet da região da Sicília, na Itália. Para divulgar o espaço, o shopping proclamou estar na “cidade com a população mais cool do mundo”, e criou diversos personagens em um divertido vídeo com o qual o povo italiano pode facilmente se identificar.

Todo mundo tem uma história a contar. Fazer seu consumidor querer ouví-la é o desafio das marcas de hoje e amanhã. Afinal, a magia de uma boa história sempre encontrará um ouvido disposto.

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Moda
22 de março de 2013 por andre

HIPERSAZONALIDADE E SPFW

“Achei tudo lindo, mas acho que ele errou a estação”, “ai, mas isso não tem nada a ver com o verão!” foram alguns dos comentários que ouvi quando assistia aos desfiles do João Pimenta e do Alexandre Herchcovitch. Fico me perguntando qual o real impacto do conceito de “estações” na vida das pessoas hoje.

Nos últimos anos as mídias sociais e blogs aceleraram consideravelmente o fluxo de ineditismo em Moda e Beleza (e de todas as demais indústrias). O ritmo de aceleração gera um contexto de HIPERSAZONALIDADE (hiper, de “para além de”), um fluxo de novidades contínuo, como se uma nova season ou tendência surgisse todos os dias – ou a cada minuto. Assim, as definições de primavera/verão ou outono/inverno tornam-se irrelevantes no cotidiano à medida que as pessoas querem o instante já.

Moda é um universo que valoriza a fugacidade por natureza. No entanto, a aceleração da hipersazonalidade provoca a indústria a se reinventar para continuar despertando desejo e encantamento nas pessoas. As marcas de fast-fashion já se beneficiam desse contexto ha muito tempo, por isso o ritmo de lançamento de novas coleções tornou-se muito mais ágil, inclusive para lançar coleções relacionadas a contextos como a H&M Brik Lane Bikes collection:

Em contrapartida, grandes criadores tem sido profundamente impactados por esse aumento de velocidade. Indício disso é a opção de Reinaldo Lourenço e Glória Coelho “pularem” essa edição da semana de moda paulistana para não prejudicar a qualidade criativa de seus trabalhos. O histórico desfile de Jum Nakao no SPFW de 2004 com modelos vestidas com roupas de papel é dos grandes marcos na discussão sobre fugacidade e evanescência. Intitulado “A Costura Invisível”, esse desfile é uma obra de arte que sempre vale assistir novamente:

Por outro lado, outras marcas estão desenvolvendo novos modelos de comercialização para aproveitar tal contexto. Exemplo clássico foi desfile da Burberry coleção de inverno 2013/14 no qual a marca apresentou o serviço “runway made to order”. Enquanto assistiam ao desfile da nova coleção – que também foi transmitido online -, os consumidores puderam escolher e encomendar suas peças favoritas, transformando a velocidade de entrega em uma nova expressão de luxo. Além disso, é importante entender que as pessoas não fazem distinção entre online e offline. A Burberry também lançou casacos e bolsas que possuem chips que podem ser acionados pelo celular, caso sejam perdidos.

Outro exemplo emblemático é a Hointer, loja localizada de Seatle que se define como a reinvenção do varejo. Ao entrar no estabelecimento, os consumidores podem selecionar suas peças favoritas pelo app da marca e elas são enviadas para o provador em 30 segundos. Se gostarem do que experimentarem, basta inserir o cartão de crédito nos próprios provadores e levar as roupas para casa.

O grande desafio para a indústria é pensar na Hipersazonalidade como oportunidade criativa e de negócios. No lugar de duas grandes coleções anuais, talvez seja possível pensar em mais coleções em quantidades menores ou mesmo que se aproveitem de novos modelos de distribuição e comercialização. Grandes players como  Burberry, MAC, ASOS e C&A são exemplos de marcas que já estão aproveitando essa tendência.

A cobertura do SPFW está sendo feita por Eduardo Biz, Nina e André. 

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Moda
21 de março de 2013 por nina

A BRASILIDADE GENUINA NA SPFW

Foto: Bruno Santos / Terra

Os dois primeiros dias da 35ª edição do SPFW trouxeram uma moda divertida, colorida e brasileira para as passarelas – além de muita polêmica.

O resgate da brasilidade começa desde a decoração sustentável da Bienal, projetada pelos irmãos Humberto e Fernando Campana. A piaçava baiana envolveu as colunas de Oscar Niemeyer, transformando-as em enormes palmeiras. Bancos de vários níveis simbolizam os troncos das árvores. As paredes foram revestidas por encaixes e dobraduras douradas, iluminando o ambiente e criando um contraste entre o natural exótico e o glamour fashion.

Foto: msn.lilianpacce.com.br

Na primeira noite de desfiles, a Cavalera uniu a soul music americana com a alegria do povo do Carnaval. Ao lado de Toni Tornado, a marca transformou a passarela em pista de dança. Os modelos entravam em duplas com músicos, dançarinos e outros modelos dançando e interagindo ao som de Tim Maia e James Brown.  A maioria dos modelos eram negros, fato raro  na moda nacional e internacional. Todos dividiam uma alegria contagiante, presente no conceito e nas peças estampadas e ultra coloridas.

A inspiração da coleção veio do programa da TV americana dos anos 70 chamado Soul Train, o primeiro dedicado à cultura negra. Toni Tornado foi um dos responsáveis em trazer este movimento para o Brasil, por isso sua presença comandava o desfile.

No segundo dia de evento, Ronaldo Fraga fez uma alegre homenagem à chegada do futebol no Brasil, com um cenário que simboliza um campinho de terra batida com gols feitos em bambu. As estampas traziam hexágonos e listras em azul, vermelho, verde, preto e branco.  Haviam brasões nos paletós e os sapatos lembravam chuteiras.

Foto: flickr.com/photos/namidiacasa

Assim como no desfile da Cavaleira, a cultura e estética negra foi celebrada pelo desfile do estilista. O beauty artist Marcos Costa fez uma polêmica homenagem aos negros ao caracterizar o cabelo bombrill em um inusitado penteado feito com palha de aço. Essa estética não foi bem recebida por muita gente, que considerou a criação racista por exaltar uma característica pelo viés do deboche.

Em seguida, a Forum desfilou sua coleção elegante de referências náuticas ao som da bossa nova que canta sobre a Bahia. As peças femininas, leves e soltas estavam em preto, branco e também em cores laranja e azul marinho. Os lenços na cabeça lembravam as baianas de Salvador.

Todas as marcas falaram de um Brasil sob diferentes pontos de vista, exemplos de como a moda para brasileiro ver – e vestir – precisa saber explorar a pluralidade de características que formam a personalidade do país. Parafraseando as placas levantadas no fim do desfile da Cavalera, a moda nacional precisa celebrar “all ages, all colors, all sexes”.

A cobertura do SPFW está sendo feita por Eduardo Biz, Nina e André. 

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Comportamento, Moda
20 de março de 2013 por Eduardo Biz

A registrabilidade no São Paulo Fashion Week

Ontem começou o São Paulo Fashion Week. Entre as inúmeras – e cada vez mais indetectáveis – tendências das passarelas, há um movimento comportamental altamente expressivo e democrático, que está na moda há alguns anos: a registrabilidade.

Registrabilidade é a necessidade de capturar e compartilhar todas as experiências que se vive em fotos, vídeos, áudio, dados e posts. Trackear tudo, o tempo todo, gera um poder controlador nas pessoas, uma garantia de que o momento – ou, neste caso, o look – foi eternizado.

Nas salas de desfiles, o batalhão de fotógrafos que fica na ponta da passarela parece não ser suficiente para garantir a todos que os looks serão, sim, devidamente fotografados. Convidados da fila A à E se armam com seus smartphones e iPads, que funcionam como um terceiro olho; uma extensão da memória.

Esse movimento reflete como as pessoas estão mais complexas e plurais, uma vez que passam a interagir (e viver!) em diferentes planos e interfaces simultaneamente. Assistir ao desfile ao mesmo tempo em que se conversa com uma amiga pelo chat do Facebook e checa o feed do instagram é como viver realidades diferentes, múltiplos “agoras”, ou um gosto de onipresença.

Para os próximos anos, enxergamos dois grandes desdobramentos para a Registrabilidade como movimento. Em primeiro lugar, esse comportamento será intensificado graças às novas tecnologias, mais rápidas em lidar com a imensidão de conteúdo gerado por cada indivíduo. Um exemplo quase assustador é Eyeborg, o olho-câmera do documentarista canadense Rob Spence que registra tudo que é vivido. Ou mesmo o Google Glass, que a estilista Diane von Furstenberg desfilou na semana de moda de Nova Iorque no ano passado.

O curta futurístico “Sight”, dos estudantes Eran May-raz e Daniel Lazo, vislumbra o ápice de onde podemos chegar neste futuro não tão distante:

Por outro lado, é importante lembrar que todo movimento possui sua contra-corrente. A massificação de ferramentas e contextos que valorizem a impermanência sugere uma revalorização do presente, e reafirma sua capacidade de se desintegrar. São situações que enaltecem o não-registro, a contemplação, o digital-detox e o monotasking, inclusive como nova expressão de luxo.

A loja de departamento Selfridges, em Londres, construiu uma Silence Room em seu último andar. Antes de entrar, além de tirar os sapatos, o visitante precisa abandonar todos os seus gadgets. “É uma chance de abaixar o volume de Londres… É um experimento para ver como as pessoas reagem quando são forçadas a ficar em silêncio, sem nenhum eletrônico por perto”, conta Annette Cremin, spokeswoman da loja.

Em Nova York, o restaurante Momofuku Ko proibiu que os pratos sejam fotografados, o que acabou gerando uma discussão sobre os novos tabus da etiqueta moderna.

Na moda, quem vetou os flashes foi  Tom Ford, em 2010. Quando voltou ao prêt-à-porter após um intervalo de 6 anos, o estilista realizou um desfile para 100 convidados bastante exclusivos, que tiveram de deixar seus celulares e câmeras na entrada do evento. O único fotógrafo presente foi Terry Richardson, que transformou o desfile em um livro posteriormente. “Quero que a moda se torne divertida de novo, como era nos anos 60, e as pessoas não viam a hora de ter as roupas e vesti-las. Acho que perdemos isso”, comentou Ford.

O desafio para os próximos anos, tanto para a Moda quanto para o mercado em geral, é saber lidar com a Registrabilidade e com a Impermanência, e fazer bom uso de seus desdobramentos. São comportamentos que possibilitam (e exigem!) novas formas de apresentação de coleções, comercialização e divulgação.

A cobertura do SPFW está sendo feita por Eduardo Biz, Nina e André. 

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Moda
06 de março de 2013 por nina

Vestidos mutantes, o novo 2 em 1

Agora é possível ter dos vestidos em um só. Não, não é uma estampa diferente no avesso, é muito mais que isso. Os vestidos transformers são uma criação do estilista Hussein Chalayan. Sua nova coleção transforma-se em um simples puxão na gola. Assista ao vídeo do desfile abaixo, mas para seu queixo cair, pule para os minutos 2:35, 3:08 e 3:51 – já não são todas as peças que tem esse efeito.

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Moda, Música
08 de outubro de 2012 por Desirée Marantes

Adele e James Bond

Escutaram a canção tema do próximo filme do James Bond? Achei bem linda, como praticamente tudo que a dona Adele faz. E caso não tenham visto, o espião mais famoso de todos os tempos virou cinquentão esse ano (aproveitando, olhem que foda o guarda-roupas e os acessórios dele, lindamente ilustrados pela excelentíssima Niege Borges)

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Design, Moda
06 de setembro de 2012 por Niege Borges

Ladurée X Lanvin

A fabricante de macarroon Ladurée fez uma parceria com a Lanvin. Além da embalagem especial, novos sabores foram criados, inclusive um que tem gosto de chiclete. (via)

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Moda, Nada a Ver
16 de julho de 2012 por Desirée Marantes

Feromônio para Nerds

Titio Lagerfeld finalmente desenvolveu um produto que eu cobicei deveras! É um perfume com cheiro de _ _ _ _ _ (wait for it, waaait)

PAPEL.

Obrigada titio, obrigada Wallpaper. Vou ali roer minhas unhas esperando o bichinho ser lançado e especular comigo mesmo se vai ter versão papel novo, papel velho, pergaminho, etc.

Dica da Cris Bils que viu aqui

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Moda, Música, Tecnologia
10 de julho de 2012 por Luiza Futuro

Video compra.

O site de compras online de Montreal, SSENSE uniu forças com os artistas de rap FKI, Azalea e Iggy Diplo para criar um clipe onde os espectadores podem clicar para comprar todos os itens de vestuário e jóias usados pelos músicos.

aqui para ver o video e comprar, se for o caso ; )

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Eventos, Moda
20 de junho de 2012 por Luiza Futuro

Nike Barbershop

Barbearias são tradicionalmente hubs de encontro entre homens, foi pensando nisso que a Nike abriu sua primeira barbearia pop-up em Paris. Ela tem toda uma estética retrô e oferece cortes de cabelo gratuitos, uma sala de jogos com video game e um pequeno espaço para fazer compras.

http://www.youtube.com/watch?v=W4emZZK1hfk

 

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