Categoria: Ponto Entrevista

Arte, Ponto Entrevista
10 de outubro de 2011 por Vinicius Perez

Perfil: Yuri Moraes

Yuri Moraes tem 25 e mora em São Paulo. Ele mexe com audiovisual e com desenho. Aliás, esse ano ele terminou Garoto Mickey, uma graphic novel (argh, detesto o termo, mas cês insistem em achar “gibi” pejorativo) de 210 páginas sobre infância, amadurecimento e, naturalmente, um apocalipse bélico. Lê aqui. Levando dois anos para ficar pronta, as páginas eram postadas no site conforme iam sendo feitas, o que, segundo Yuri, permitia flexibilidade na narrativa da história e rumo do personagem, abrindo janelas para inserir novos tópicos que gostaria de abordar. Ele vai lançar o livro em formato físico na Rio ComicCon e é primeiro convidado aqui no Ponto para essa nova categoria aqui no Ponto, onde um convidado compartilha algumas referências e favoritos com a gente.

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Ponto Entrevista, Tecnologia
03 de outubro de 2011 por marimessias

Ponto Entrevista: Luiz Moncau

Entrei em contato com as idéias do Luiz Moncau pela primeira vez na Campus Party de 2010. Admito que conhecer um novo pensador dos direitos e deveres no uso de internet no Brasil até tirou um pouco do meu foco inicial por lá, que era ver a palestra do Lessig.

Apesar de já na época termos as ameaças do Projeto de Lei Azeredo, o Marco Civil tinha sido lançado fazia pouco tempo e , vendo alguém tão jovem falando de uma maneira tão massa, me senti mais segura sobre o futuro da internet nacional.

É sempre bom saber que tem gente como o Luiz Moncau, ein. Além de ter feito parte do time do Marco Civil, ele é mestre em direito, pesquisador e líder de projetos do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas.

Por isso, diante de tudo que tem acontecido, achamos que ninguém melhor que ele para nos falar sobre direitos, deveres, cyberativismo e o futuro da internet no Brasil (e de brinde, na América Latina e no Mundo, siliga).

Os cidadãos comuns podem fazer muita coisa (…) Com a internet, o potencial de participar de campanhas, debater nossos direitos ganhou uma dimensão ainda mais importante.

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Ponto Entrevista
15 de agosto de 2011 por marimessias

Ponto Entrevista: Felipe Milanez

Uma das coisas que une todos nós aqui do Ponto é que sempre queremos entender e saber mais. E, para entender e saber mais, nada melhor que perguntar para alguém que seja capaz de acabar com nossas dúvidas e nos ensinar coisas que sequer imaginávamos.

Nessa vibe começamos a primeira entrevista do Ponto Eletrônico, tentando entender o que está acontecendo no Norte do país, saber mais sobre o novo Código Florestal e descobrir como podemos ajudar a acabar com assassinatos como o da Irmã Dorothy e do Zé Cláudio e Dona Maria.

Para isso, falamos com o Felipe Milanez, que é jornalista, advogado, fotógrafo e mestre em ciência política pela Universidade de Toulouse. Mas é mais que isso, o Felipe é um conhecedor e admirador dos povos indígenas brasileiros. Já editou a Brasil Indígena, da Funai, a National Geographic Brasil e escreve pra a Rolling Stone, o Terra e a Vice (em português e em inglês). Sem se deixar intimidar, o Felipe segue ajudando a dar voz pra quem não é ouvido.

A população brasileira precisa conscientizar-se de que ela é a responsável por cuidar do patrimônio forestal nacional.

PE – O problema das nossas florestas está na lei atual ou na falta de fiscalização dela?

FM - A lei protege as florestas, e a lei atual, para as florestas (consequentemente, para nós mesmos), é melhor do que a previsão de mudança que se anuncia com o projeto do código florestal. O problema, principalmente na Amazônia, é aplicar a lei. O Ibama é um órgão cada vez mais presente, com operações fortes, constantes, que estão reprimindo os crimes ambientais. Mas a repressão não funciona apenas com o poder de polícia. A Justiça tem uma parcela imensa, ainda maior, na péssima aplicação da lei. Um estudo do Imazon mostrou que metade dos juizes do Pará nem sequer conhecem a legislação ambiental. Nesse caso, mesmo que o Ibama reprima, de acordo com a lei, o infrator pode conseguir burlar a lei com uma interpretação ampla de juízes – como em casos em que a Justiça libera bens apreendidos, como tratores, moto serras e caminhões que são usaods nos crimes.

Nem a lei, nem a fiscalização vão conseguir dar conta de segurar a pressão sobre a floresta, que a própria sociedade impõe. O problema das florestas é a sociedade que explora e não sabe utiliza-las de uma forma manejada, sustentável. Nesse caso, o problema está em São Paulo, no Rio Grande do Sul, nas cidades costeiras do nordeste, onde se utilizam madeira illegal da Amazônia, consomem-se produtos ilegais, como soja e gado produzidos em áreas de desmatamento. A população brasileira precisa conscientizar-se de que ela é a responsável por cuidar do patrimônio forestal nacional.

PE – O que tu acha que pode mudar (de fato) com o novo código florestal?

FM - O novo Código Florestal vai anistiar desmatadores, pessoas que cometeram crimes contra o meio ambiente, vão receber uma anistia. Por que? Por que não pagam suas dívidas com a sociedade? O novo código também abre diversas brechas na legislação que vai permitir que se desmate ainda mais. É uma proposta inconcebível com o atual conhecimento científico das possibildiades de produção e preservação. Ele deveria ter sido pensado por cientistas, pois regula áreas onde a ciência tem muito a contribuir, como a biologia, agronomia, geografia. Mas não: foi pensado por grandes detentores de terra que querem ganhar mais dinheiro à custas do patrimônio público (a floresta).

Felipe com Maria e Zé Cláudio

PE – Qual era a importância da figura do Zé Cláudio e Maria? As autoridades tinham conhecimento das ameaças sofridas por eles?

FM - Zé Cláudio e Maria eram grandes defensores da floresta. Como Zé Cláudio me disse uma vez: “eu sou o verdadeiro ambientalista, porque eu vivo na floresta, e não vendo ela de jeito nenhum.” Eles lutavam para que o assentamento onde viviam, o Praia Alta Piranheira, funcionasse como deveria, com o extrativismo florestal. Combatiam os madeireiros ilegais, que serravam castanheiras, também denunciavam a atividade de carvão illegal, onde se utiliza a floresta para faezr carvão vegetal que é usado na siderurgia. E defendiam os outros assentados contra fazendeiros que roubavam terra pública para plantar pasto – nesse caso, o suspeito de ter sido o mandante das mortes, segundo a polícia, é José Rodrigues Moreira, um fazendeiro.

Zé Cláudio e Maria são exemplos de luta, de vida, que devem incentivar as pessoas a terem consciência do mundo onde estão.

A polícia,e a sociedade, sabiam que eles eram ameaçados.

PE - Para os povos indígenas e nativos da região, quais mudanças tu acredita que sejam mais urgentes?

FM - Os índios precisam ser respeitados pela sociedade brasileira. Ser levados a sério em suas reivindicações. Terem seus direitos garantidos. E o estado brasileiro tem se eximido, principlamente nos casos de invasão de áreas indígenas (muitas terras indígenas estão invadidas), na demarcação dessas terras, e que suas vontades sejam respeitadas frente aos grandes projetos, como as hidrelétricas. Mas o Brasil tem passado por cima dos direitos indígenas. O governo, atropelado. A sociedade brasileira, através da mídia, reproduzindo preconceitos, racismo e intolerância contra os índios.

PE - E, por fim, de que maneira os problemas florestais nos afetam, como moradores de cidades? E o que nós, que não estamos lá, podemos fazer a esse respeito?

FM - Mudanças climáticas, disturbios climáticos, eventos extremos, como secas, chuvas intensas, são alguns efeitos sentidos nas grandes cidades – e que podem, inclusive, até mesmo inviabilizar a vida em grandes aglomerações. Imagina como sera São Paulo se algum ano passarmos 3 meses de seca?

Mas são os moradores das cidades que impactam e destroem a floresta, consumindo os produtos que são feitos da destruição da floresta. Carne, soja, madeira, destroem a Amazônia. É preciso ver a origem. Até mesmo a boneca Barbie, o greenpeace demonstrou, destroi as floresta na Asia. É preciso aprender a consumir de forma responsável.

Pra saber mais, vale muito seguir o Felipe Milanez no twitter e assistir, abaixo, o vídeo da apresentação dele noTEDxAmazônia, falando sobre o genocídio de indíos brasileiros.

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